Mostrando postagens com marcador David McClelland. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador David McClelland. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de abril de 2017

As 10 CCEs do Empreendedor por Phd David McClelland


Entenda a contribuição de David McClelland para o empreendedorismo e as competências comportamentais ligadas ao desempenho empreendedor.



A contribuição de uma abordagem comportamental para a compreensão do empreendedorismo

Entre os autores que ajudaram a consolidar uma leitura mais comportamental do empreendedorismo, David McClelland ocupa lugar de destaque. Psicólogo ligado à Universidade Harvard, McClelland se tornou referência ao estudar a motivação humana, especialmente a chamada motivação para realização, isto é, a disposição de buscar resultados, superar padrões e perseguir desempenho superior. Sua contribuição foi decisiva para deslocar parte do debate sobre empreendedorismo da mera posse de capital ou da intuição econômica para a análise do comportamento, da iniciativa e da motivação individual.

A relevância de McClelland está justamente em mostrar que o empreendedor não deve ser visto apenas como alguém que abre empresas, mas como alguém que manifesta determinados padrões de ação diante da realidade. Essa perspectiva ajudou a fortalecer a ideia de que o empreendedorismo também pode ser compreendido como conduta, atitude e competência desenvolvida, e não somente como herança, acaso ou talento inato. A metodologia Empretec, difundida pela UNCTAD, declara-se baseada nas pesquisas de McClelland e organiza esse legado em torno de 10 competências empreendedoras pessoais, agrupadas em três grandes blocos: realização, planejamento e poder.



McClelland e a necessidade de realização

Um dos núcleos mais conhecidos da obra de McClelland é a noção de achievement motivation, ou necessidade de realização. Em termos simples, trata-se do impulso de alcançar resultados por mérito, enfrentar desafios de dificuldade moderada, estabelecer padrões e buscar êxito de forma mensurável. A própria Britannica resume que o estudo da motivação para realização foi fortemente desenvolvido por David McClelland e John Atkinson, a partir de uma base anterior ligada a Henry Murray.

Esse ponto é especialmente importante para a área da Administração, porque sugere que o empreendedorismo não pode ser lido apenas pelo resultado final visível, mas também pelo tipo de energia interior que move a ação econômica. O empreendedor, nessa linha, não é somente o agente que arrisca; é o agente que procura realizar, construir, testar, ajustar e avançar.

Empreender, à luz de McClelland, não é apenas desejar sucesso; é desenvolver padrões de conduta compatíveis com ele.

 

As competências empreendedoras associadas ao legado de McClelland

A tradição derivada dos estudos de McClelland, especialmente no campo do Empretec, sistematizou 10 competências empreendedoras distribuídas em três conjuntos. A UNCTAD registra essas competências como elementos úteis para detectar e fortalecer o potencial empreendedor.

1. Busca de oportunidades e iniciativa

Refere-se à capacidade de perceber possibilidades antes de outros, agir com antecedência e não esperar passivamente que as circunstâncias se organizem sozinhas. O empreendedor atento não vive apenas de reação; ele também age por iniciativa própria.

2. Correr riscos calculados

Não se trata de imprudência. O ponto central está em avaliar alternativas, reduzir erros evitáveis e assumir desafios em bases racionais. O comportamento empreendedor, aqui, se afasta tanto da paralisia quanto da aventura irresponsável.

3. Exigência de qualidade e eficiência

Essa competência envolve preocupação com melhoria contínua, padrões de execução, prazos e qualidade percebida pelo cliente. O empreendedor maduro não se contenta apenas em fazer; ele procura fazer melhor.

4. Persistência

Persistir não significa repetir mecanicamente o mesmo erro, mas manter firmeza diante de obstáculos, revisando estratégias quando necessário. A persistência saudável combina constância com capacidade de ajuste.

5. Comprometimento

Aqui aparece a disposição de assumir responsabilidade, envolver-se com o resultado e não terceirizar integralmente o peso das consequências. O empreendedor comprometido não desaparece quando surgem dificuldades.

Essas cinco primeiras competências revelam algo fundamental: o empreendedorismo sério não nasce da euforia, mas da disciplina aplicada à realização.

6. Busca de informações

A ação empreendedora madura exige curiosidade organizada. Buscar informações de clientes, fornecedores, concorrentes e especialistas reduz improvisações e melhora a qualidade da decisão.

7. Estabelecimento de metas

A motivação para realização encontra nas metas um ponto de concretização. Objetivos claros, desafiadores e mensuráveis transformam intenção em direção. Sem meta, a energia se dispersa; com meta, ela ganha foco.

8. Planejamento e monitoramento sistemático

Essa competência envolve desdobrar grandes desafios em etapas, acompanhar indicadores e revisar rotas com método. Não basta desejar crescer; é preciso organizar a caminhada.

Nesse ponto, o legado comportamental de McClelland dialoga fortemente com a Administração: motivação sem método produz entusiasmo; motivação com método produz construção.

Sem direção, até a energia mais intensa pode se tornar apenas movimento sem progresso.

9. Persuasão e rede de contatos

Empreender também envolve mobilizar pessoas, obter apoio, comunicar ideias e construir relações úteis à viabilidade do projeto. O empreendedor isolado tende a encontrar limites mais cedo.

10. Independência e autoconfiança

A autoconfiança, aqui, não deve ser confundida com arrogância. Trata-se de confiar suficientemente em si para decidir, sustentar posicionamentos e enfrentar oposição quando necessário, sem perder a lucidez.

Esse último grupo mostra que o comportamento empreendedor também exige força interior. Ideias, por si sós, raramente se sustentam sem convicção, articulação e autonomia.

O empreendedor não se define apenas pelo que sonha, mas pela firmeza com que sustenta o que decidiu construir.


 

A atualidade do pensamento de McClelland

A contribuição de McClelland continua relevante porque ela oferece uma leitura menos superficial do empreendedorismo. Em vez de reduzir o tema à glorificação do risco ou ao romantismo da inovação, sua linha de pensamento ajuda a perceber que o desempenho empreendedor depende de comportamentos observáveis e treináveis. A própria UNCTAD afirma que o programa Empretec parte da ideia de que competência e motivação podem ser desenvolvidas.

Isso não significa afirmar que todo empreendedor de sucesso se encaixa rigidamente em um mesmo molde. Significa, sim, reconhecer que existem padrões de conduta recorrentes em trajetórias empreendedoras consistentes, e que esses padrões podem ser estudados, estimulados e aperfeiçoados. A grande força da abordagem está menos em criar um mito do empreendedor ideal e mais em oferecer uma gramática prática do comportamento orientado à construção.



Conclusão

David McClelland ajudou a enriquecer o estudo do empreendedorismo ao mostrar que a ação empreendedora pode ser analisada sob a ótica da motivação, da iniciativa, da disciplina e da realização. Sua influência permanece visível em metodologias que transformaram esse legado em competências observáveis, especialmente as dez competências difundidas pelo Empretec.

Mais do que listar traços desejáveis, essa abordagem convida o leitor a compreender que empreender é, em grande medida, um exercício de formação de caráter prático. O comportamento empreendedor não floresce apenas no plano das ideias. Ele se fortalece na iniciativa, na responsabilidade, no método e na constância. E é justamente por isso que o pensamento de McClelland ainda merece estudo: porque ele nos lembra que o êxito econômico, quando sério, costuma ser precedido por uma arquitetura interior de conduta.

Bom trabalho e grande abraço.
Adm. Rafael José Pôncio




        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Comentários sobre as 10 Características Comportamentais do Empreendedor - CCEs

O psicólogo americano David C. McClelland foi o autor que deu início a estudos específicos sobre as ciências do comportamento empreendedor. Relaciona o conceito de empreendedorismo à necessidade de sucesso, de reconhecimento, poder e controle.

O programa Empretec trabalha os 3 conjuntos de:  Realização, Planejamento e Poder, na qual agrupam as 10 características do comportamento empreendedor.



CONJUNTO DE REALIZAÇÃO

CCE 1 – Busca de oportunidades e iniciativa

  • Faz as coisas antes de solicitado ou antes de forçado pelas circunstâncias;
  • Age para expandir o negócio a novas áreas, produtos ou serviços;
  • Aproveita oportunidades fora do comum para começar um negócio, obter financiamento, equipamentos, local de trabalho ou assistência.
Capacidade de antever-se aos fatos e criar novas oportunidades de negócios, desenvolver novos produtos e serviços, propor soluções inovadoras. Esta é a característica de coragem do empreendedor de sucesso. Coragem de encarar o desconhecido, pois agir antes de ser forçado por circunstâncias. Ser empreendedor é ter visão, e criar alternativas emergenciais para solucionar possíveis problemas no futuro.

CCE 2 – Correr riscos calculados

  • Avalia alternativas e calcula riscos deliberadamente;
  • Age para reduzir os riscos ou controlar os resultados;
  • Coloca-se em situações que implicam desafios ou riscos moderados.
Expor-se somente a situações no risco de exposição na medida certa, avaliar alternativas, calcular os riscos e agir para controlar resultados e redução dos mesmos. Disposição de assumir desafios e responder pessoalmente por eles. Ser capaz de enfrentar desafios sem colocar tudo a perder, evitando agir de forma impensada. É a característica que faz com que o empreendedor avalie as alternativas antes da ação.
Se possível, o empreendedor deve focar em desenvolver negócios com baixo investimento e ampliá-lo em escala orgânica, e, jamais colocar em risco um alto aporte de capital ou patrimônio, isto é inato e princípio básico do investidor.

CCE 3 – Exigência de qualidade e eficiência

  • Encontra maneiras de fazer as coisas melhor, mais rápido ou mais barato;
  • Age de maneira a fazer coisas que satisfaçam ou excedam padrões de excelência;
  • Desenvolve ou utiliza procedimentos para assegurar que o trabalho seja terminado a tempo ou que atenda a padrões de qualidade previamente combinados.
Fazer as coisas qualitativas, mais rápido e mais barato, exceder os padrões de excelência e assegurar que o trabalho seja concluído a tempo e na qualidade combinada ou mais. Esta característica é a paixão do empreendedor exitoso. Sempre buscar uma forma de melhorar o que tem que ser feito, diminuir o tempo, reduzir os custos. Estar sempre insatisfeito com o que foi feito. A insatisfação é a energia da mudança. É uma característica de processo contínuo.

CCE 4 – Persistência

  • Age diante de um obstáculo significativo;
  • Age repetidamente ou muda de estratégia a fim de enfrentar um desafio ou superar um obstáculo;
  • Faz um sacrifício pessoal ou despende um esforço extraordinário para completar uma tarefa.
Agir diante de barreiras "intransponíveis", mudar a estratégia para enfrentar desafios, assumir responsabilidade para atingir as metas. Enfrentar os obstáculos decididamente, buscando o sucesso a todo custo, mantendo ou mudando as estratégias, de acordo com as situações. Esta característica é o combustível do sucesso, buscar formas diferentes de alcançar os objetivos, incansavelmente querer algo satisfatório e continuar a jornada quando muitos preferem desistir.

CCE 5 – Comprometimento

  • Assume responsabilidade pessoal por solucionar problemas que possam prejudicar a conclusão de um trabalho nas condições estipuladas;
  • Colabora com seus empregados ou coloca-se no lugar deles, se necessário, para terminar uma tarefa;
  • Esforça-se em manter os clientes satisfeitos e coloca a boa vontade a longo prazo acima do lucro a curto prazo.
Fazer sacrifício pessoal ou despender esforço extraordinário para completar uma tarefa; colaborar-se com os subordinados e até mesmo assumir o lugar deles para terminar um trabalho quando necessário for; esmerar-se para manter os clientes satisfeitos e colocar a boa vontade a longo prazo acima do lucro a curto prazo. Sempre fazer o que diz, cumprir os compromissos, ser fiel a tudo o que foi combinado. Não podemos esquecer que cada minuto de atraso torna os outros muito mais exigentes. Com esta característica nós vamos decidir se vamos ganhar ou perder no mercado mundial. Comprometimento é o valor humano do empreendedor.

CONJUNTO DE PLANEJAMENTO

CCE 6 – Busca de informações

  • Dedica-se pessoalmente a obter informações de clientes, fornecedores ou concorrentes;
  • Investiga pessoalmente como fabricar um produto ou fornecer um serviço;
  • Consulta especialistas para obter assistência técnica ou comercial.
Dedicar-se a obter informações necessárias ao negócio, investigar como fazer o produto ou serviço, consultar especialistas. Buscar obter informações sobre clientes, fornecedores ou concorrentes; investigar como fabricar um produto ou prestar um serviço; consultar especialistas para obter assessoria técnica ou comercial. Para se ter sucesso é necessário ser pessoa curiosa, perguntar tudo a todos: clientes, concorrentes, fornecedores, e inovações. Estar sempre interagindo com o mercado. Busca de informações é a pedra angular, é a base de toda atividade exitosa.

CCE 7 – Estabelecimento de metas

  • Estabelece metas e objetivos que são desafiantes e que têm significado pessoal;
  • Tem visão de longo prazo, clara e específica;
  • Estabelece objetivos de curto prazo mensuráveis.
Estabelecer metas com propósito forte e representam desafios e com grande significação; definir com clareza e objetividade as metas de longo prazo; estabelecer metas de curto prazo mensuráveis e estritamente analisadas. Registrar tudo o que deve ser feito, listar sobre tudo e por escrito. Sempre saber para onde ir, nunca andar a esmo. Estabelecer Metas é o motor do empreendedor, e, é a característica mais importante.

CCE 8 – Monitoramento e planejamentos sistemáticos

  • Planeja dividindo tarefas de grande porte em subtarefas com prazos definidos;
  • Constantemente revisa seus planos levando em conta os resultados obtidos e mudanças circunstanciais;
  • Mantém registros financeiros e utiliza-os para tomar decisões.
Planejar dividindo tarefas grandes em subtarefas com prazos definidos, revisar os planos frente aos resultados obtidos, usar registros financeiros para tomada de decisões; considerando resultados obtidos e mudanças circunstanciais. O planejamento é o mapa do empreendedor, é a bússola valiosa, contudo, difícil de ser executado por ser uma função conservadora, que exige pensamento e concentração, e o empreendedor gosta de fazer, de realizar, de estar na linha de frente. Agora, é sabido que os melhores resultados sempre ficam ao lado daqueles que planejam.

CONJUNTO DE PODER

CCE 9 – Persuasão e rede contatos

  • Utiliza estratégias deliberadas para influenciar ou persuadir os outros;
  • Utiliza pessoas-chave como agentes para atingir seus próprios objetivos;
  • Age para desenvolver e manter relações comerciais.
Utilizar estratégias para influenciar ou persuadir os outros; utilizar pessoas-chave como agentes para atingir os objetivos e atuar para desenvolver e manter relações comerciais. O empreendedor de sucesso está sempre em contato com pessoas e as mantém com vínculos na rede humana. Tem a capacidade de identificar em outras pessoas pontos para multiplicar sua base, para agir a fim de desenvolver networking genuíno e duradouro.

CCE 10 – Independência e auto confiança

  • Busca autonomia em relação a normas e controles de outros;
  • Mantém seu ponto de vista mesmo diante da oposição ou de resultados inicialmente desanimadores;
  • Expressa confiança na sua própria capacidade de completar uma tarefa difícil ou de enfrentar um desafio.
Buscar autonomia em relação a normas, processos sistêmicos e procedimentos; manter os pontos de vista mesmo diante da oposição ou de resultados desanimadores; expressar confiança na própria capacidade de complementar uma tarefa difícil ou de enfrentar desafios. Esta é a consequência de todas as outras características, não a fonte. O empreendedor é otimista, quando as coisas não dão certo, manter a confiança, ir sempre em frente por acreditar na própria capacidade de realizar aquilo a que se propõem.
“O desenvolvimento de um negócio requer habilidades muito além de competências gerenciais e de conhecimento técnico. O sucesso depende fortemente de atitude como indivíduo e ser líder de si mesmo.”
Estas características comportamentais são parte integrante do seminário empretec patenteado pela ONU - Organização das Nações Unidas, ministrado no Brasil pelo SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), e pode-se dizer que todo empreendedor inexperiente ou não, inclusive com extensão para pessoas que pretendem iniciar um negócio próprio, devem participar de tal aprendizado, pela vivência prática e a simplicidade dinâmica de cada etapa do processo, recomendo como impreterível e necessário, procure uma agência Sebrae mais próxima ou ligue no 0800 que eles irão informar o procedimento para ingressar, é simples!
Bom trabalho e grande abraço.
Adm. Rafael José Pôncio


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       
FaebookMessengeWhatsA