quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Método Uno-Due: eficácia sem retrabalho




Método Uno-Due é uma ferramenta de administração para revisar tarefas, elevar padrões e reduzir retrabalho nas organizações.



Uma ferramenta simples para elevar o padrão das tarefas e decisões

Toda organização convive com um problema silencioso: o retrabalho. Ele aparece quando uma tarefa precisa ser refeita, quando uma decisão foi mal comunicada, quando uma entrega chega incompleta, quando alguém não revisou o que fez ou quando uma ação resolveu apenas parte do problema. O retrabalho consome tempo, energia, dinheiro, confiança e foco. Muitas vezes, ele não nasce da falta de capacidade, mas da ausência de revisão, critério e consciência sobre os efeitos daquilo que foi feito.

É nesse contexto que surge o Método Uno-Due, uma ferramenta administrativa simples, direta e aplicável a tarefas, processos, decisões e rotinas profissionais. Seu propósito é elevar o padrão de execução por meio de duas perguntas essenciais. A primeira olha para a eficácia individual da entrega. A segunda olha para o impacto da entrega sobre todos os envolvidos.

O nome é propositalmente simples: Uno-Due, um e dois. A ferramenta parte da ideia de que toda ação administrativa relevante deve passar por dois níveis de verificação. Primeiro, a pessoa precisa avaliar se fez bem aquilo que estava sob sua responsabilidade. Depois, precisa avaliar se aquilo que fez gerou eficácia também para os demais envolvidos no processo.

Essa lógica parece elementar, mas não é praticada com a frequência necessária. Em muitas empresas, as pessoas terminam tarefas sem revisá-las. Enviam informações sem verificar se estão completas. Respondem mensagens sem considerar se a resposta realmente resolve o problema. Executam etapas sem pensar no próximo elo da cadeia. Assim, o que parecia finalizado apenas transfere confusão para outra pessoa.

O Método Uno-Due combate exatamente esse ponto: a ilusão de que uma tarefa está concluída apenas porque alguém a executou.



O que é o Método Uno-Due

O Método Uno-Due é uma ferramenta de administração voltada à revisão qualitativa de ações, tarefas e decisões. Ele pode ser usado por profissionais, líderes, equipes, empresas familiares, áreas administrativas, operações comerciais, atendimento, gestão de projetos e rotinas de controle interno.

Sua função é simples: antes de considerar uma tarefa encerrada, o profissional deve submetê-la a duas perguntas:

1. Eu fui eficaz e revisei o que fiz?

2. Criei eficácia para todos os envolvidos?

A primeira pergunta trata da responsabilidade individual. Ela exige atenção, revisão, zelo e acabamento. A segunda pergunta trata da responsabilidade sistêmica. Ela verifica se a ação realizada facilitou a vida dos demais, evitou dúvidas, reduziu dependências, esclareceu próximos passos e contribuiu para o bom funcionamento do conjunto.

Uma organização madura não depende apenas de pessoas ocupadas. Depende de pessoas que compreendem o efeito de suas entregas. Há uma diferença enorme entre fazer uma tarefa e entregar uma tarefa pronta para ser usada.



Uno: eficácia individual e revisão da própria entrega

O primeiro nível do método é o Uno. Ele representa a responsabilidade direta de quem executa uma tarefa. Antes de repassar uma informação, concluir uma análise, enviar um documento, finalizar uma planilha, responder uma solicitação ou encaminhar uma decisão, a pessoa deve perguntar:

Eu fui eficaz e revisei o que fiz?

Essa pergunta obriga o profissional a sair do modo automático. Ela impede que a tarefa seja encerrada apenas por cansaço, pressa ou sensação de alívio. Também ajuda a combater um comportamento comum nas organizações: entregar algo incompleto esperando que outra pessoa perceba, corrija ou complemente depois.

No nível Uno, a pessoa deve verificar se a entrega está correta, clara, completa, coerente e adequada ao objetivo. Não basta ter feito. É preciso ter feito bem. Não basta ter respondido. É preciso ter respondido de modo útil. Não basta ter enviado. É preciso ter enviado com clareza suficiente para que o próximo passo possa acontecer sem ruído.

Esse ponto revela uma verdade administrativa importante: qualidade não nasce apenas no controle final, mas no cuidado durante a execução. Quando cada pessoa revisa melhor o que faz, a empresa inteira reduz desperdícios invisíveis.



Due: eficácia para todos os envolvidos

O segundo nível do método é o Due. Ele amplia a análise. Depois de verificar a própria entrega, o profissional deve perguntar:

Criei eficácia para todos os envolvidos?

Essa pergunta desloca o olhar do indivíduo para o sistema. Uma tarefa pode estar tecnicamente correta e, ainda assim, gerar confusão para os outros. Um e-mail pode conter a informação solicitada, mas não deixar claro o próximo passo. Um relatório pode estar bem produzido, mas ser difícil de interpretar. Uma decisão pode estar tomada, mas não comunicada a quem precisa executá-la. Uma orientação pode estar correta, mas incompleta para quem depende dela.

O nível Due exige visão de processo. Ele pergunta se a entrega ajudou o cliente, o colega, o gestor, o fornecedor, o sócio, a equipe ou qualquer outro envolvido a seguir adiante com mais clareza. É aqui que a ferramenta deixa de ser apenas uma técnica de revisão pessoal e se torna uma ferramenta de gestão.

Empresas com baixo nível de Due costumam ter muitos ruídos operacionais. As pessoas fazem suas partes, mas não conectam suas entregas com o fluxo geral. Como resultado, surgem dúvidas repetidas, atrasos, desalinhamentos, retrabalho e perda de confiança interna.

O Due lembra que uma entrega administrativa não termina em quem faz. Ela continua em quem recebe, interpreta, utiliza, aprova, executa ou decide com base naquilo.



A diferença entre tarefa concluída e tarefa eficaz

Um dos méritos do Método Uno-Due é mostrar que existe diferença entre uma tarefa concluída e uma tarefa eficaz. Uma tarefa concluída é aquela que foi feita. Uma tarefa eficaz é aquela que cumpriu sua finalidade.

Essa distinção parece pequena, mas muda a cultura de trabalho. Em muitas organizações, a pergunta predominante é: “Você fez?” No entanto, a pergunta mais importante deveria ser: “O que foi feito resolveu o que precisava resolver?”

Uma tarefa pode ter sido feita dentro do prazo e ainda assim ser fraca. Pode ter sido entregue rapidamente e ainda assim estar incompleta. Pode ter sido formalmente encerrada e ainda assim abrir novos problemas. A eficácia não está apenas no ato de executar, mas no resultado produzido pela execução.

O Método Uno-Due ajuda a criar uma cultura de acabamento. E acabamento, na gestão, não é detalhe estético. É responsabilidade. É o cuidado de não transferir desordem para o próximo. É o compromisso de entregar algo suficientemente claro, revisado e útil para que o trabalho avance.

Profissionais medianos encerram tarefas; profissionais excelentes entregam clareza, utilidade e continuidade.



Como aplicar o Método Uno-Due na prática

O método pode ser aplicado de forma simples, sem burocracia e sem necessidade de grandes sistemas. Ele funciona como uma disciplina mental e operacional antes da conclusão de qualquer entrega relevante.

1. Definir o objetivo da tarefa

Antes de executar, é preciso saber o que a tarefa deve resolver. Sem objetivo claro, a pessoa pode trabalhar muito e entregar pouco valor. A pergunta inicial deve ser: qual problema esta ação precisa resolver?

Esse cuidado evita tarefas bonitas, longas ou trabalhosas que não atacam o ponto principal. A boa gestão começa quando a energia é direcionada para a finalidade correta.

2. Executar com atenção ao padrão esperado

Depois de compreender o objetivo, a tarefa deve ser executada com critério. Isso envolve organização, clareza, responsabilidade e respeito ao padrão combinado. Quando não há padrão, cada pessoa entrega de um jeito, e a empresa passa a depender do improviso.

O padrão não deve engessar a inteligência, mas orientar a qualidade mínima necessária para que a organização funcione com previsibilidade.

3. Fazer a revisão Uno

Ao concluir a tarefa, o profissional deve revisar o próprio trabalho. Aqui entram perguntas como: há erro? Está completo? Está claro? Falta alguma informação? O documento abre corretamente? A mensagem pode ser compreendida sem explicações adicionais? O dado confere? A entrega atende ao que foi solicitado?

Essa etapa reduz falhas básicas e demonstra zelo profissional. Muitas perdas de tempo nas empresas nascem de entregas feitas sem uma revisão mínima.

4. Fazer a revisão Due

Depois da revisão individual, é preciso observar o impacto da entrega sobre os demais. Quem receber isso conseguirá seguir adiante? Há próximo passo definido? Todas as pessoas necessárias foram informadas? A linguagem está adequada ao público? A entrega evita dúvida ou cria novas perguntas? Ela facilita a decisão ou apenas transfere o problema?

Essa etapa fortalece a visão sistêmica. A empresa deixa de funcionar como um conjunto de ilhas e passa a operar como uma cadeia de responsabilidades conectadas.

5. Encerrar apenas quando houver eficácia real

A tarefa só deve ser considerada encerrada quando passar pelos dois filtros: o Uno e o Due. Isso não significa buscar perfeccionismo absoluto. Significa buscar suficiência, clareza e utilidade. O objetivo não é paralisar a ação, mas reduzir o custo do erro evitável.

Com o tempo, essa prática educa a equipe para pensar antes de entregar, revisar antes de repassar e considerar o impacto antes de encerrar.



Onde o Método Uno-Due pode ser usado

O Método Uno-Due pode ser aplicado em diversas áreas da administração. Sua força está justamente na simplicidade. Ele pode ser utilizado em tarefas pequenas e em decisões mais relevantes.

Na área administrativa, ajuda a revisar documentos, contratos, planilhas, cadastros, controles internos e comunicações. Na liderança, auxilia gestores a verificarem se suas orientações foram claras e se criaram condições para execução. No atendimento ao cliente, permite avaliar se a resposta dada resolveu o problema ou apenas encerrou formalmente o contato. Em projetos, ajuda a reduzir falhas de passagem entre etapas. Em empresas familiares, contribui para evitar ruídos entre família, propriedade e gestão. Em reuniões, pode ser usado para checar se as decisões saíram com responsáveis, prazos e próximos passos definidos.

A ferramenta também pode ser aplicada na vida pessoal, porque muitas falhas cotidianas surgem do mesmo problema: fazemos algo, mas não verificamos se aquilo realmente produziu o efeito necessário.



Benefícios administrativos do Método Uno-Due

O principal benefício do método é a redução de retrabalho. Quando as pessoas revisam melhor suas entregas e pensam no impacto sobre os demais, a organização desperdiça menos tempo corrigindo falhas simples.

Outro benefício é o aumento da clareza. O método estimula comunicações mais completas, tarefas mais bem finalizadas e decisões mais bem encaminhadas. Clareza reduz ansiedade, dependência e conflito.

Também há ganho de responsabilidade. O profissional deixa de pensar apenas na própria execução e passa a considerar a consequência do que entrega. Isso desenvolve maturidade, visão sistêmica e senso de dono.

O método ainda fortalece a cultura de qualidade. Quando uma equipe adota o Uno-Due como hábito, passa a considerar normal revisar, ajustar, esclarecer e entregar melhor. A excelência deixa de ser discurso e começa a aparecer nos pequenos atos repetidos.

Por fim, o método melhora a confiança interna. Pessoas que entregam com clareza e responsabilidade reduzem a necessidade de vigilância constante. A liderança passa a confiar mais. A equipe passa a depender menos de correções repetidas. O ambiente se torna mais profissional.



Indicadores que podem acompanhar o método

Para empresas que desejam formalizar a ferramenta, alguns indicadores podem ser acompanhados:

IndicadorO que mede
Índice de retrabalhoQuantas tarefas precisam ser refeitas ou corrigidas
Tempo de correçãoQuanto tempo a equipe gasta ajustando falhas evitáveis
Reincidência de erroQuantas vezes o mesmo tipo de erro se repete
Clareza da entrega
Grau de compreensão de quem recebe a tarefa
Satisfação internaPercepção dos envolvidos sobre qualidade e utilidade da entrega
Cumprimento de prazoRelação entre entrega no prazo e entrega realmente eficaz

Esses indicadores ajudam a transformar uma ferramenta simples em instrumento gerencial. O método não precisa ser burocrático, mas pode ser medido quando a organização deseja elevar seu padrão de gestão.



O perigo do fazer sem revisar

Um dos grandes problemas da cultura contemporânea de trabalho é a pressa. Há uma valorização excessiva da velocidade, como se ser rápido fosse sempre melhor. Porém, velocidade sem revisão pode apenas acelerar o erro.

Fazer rápido e mal não é produtividade. É antecipação de retrabalho. Responder rápido e de forma incompleta não é eficiência. É transferência de dúvida. Finalizar uma tarefa sem considerar quem depende dela não é autonomia. É falta de visão sistêmica.

O Método Uno-Due não combate a agilidade. Ele combate a pressa descuidada. A verdadeira eficiência não está em fazer de qualquer jeito em menos tempo, mas em fazer corretamente o suficiente para que o trabalho não precise voltar várias vezes ao mesmo ponto.

Em gestão, o barato do descuido costuma sair caro. Um erro pequeno, quando repetido em escala, vira custo relevante. Uma informação mal enviada pode atrasar uma venda. Uma planilha sem revisão pode comprometer uma decisão. Uma orientação incompleta pode gerar conflito. Uma tarefa aparentemente simples pode produzir efeitos desproporcionais quando não passa por critério.



Uno-Due como cultura de excelência

O método se torna mais poderoso quando deixa de ser apenas uma técnica individual e passa a fazer parte da cultura da organização. Nesse estágio, as pessoas começam a perguntar naturalmente: isso está revisado? Isso resolve para quem recebe? Isso está claro? Isso evita retrabalho? Isso ajuda o próximo passo?

Essa mudança de mentalidade eleva o padrão da empresa. A excelência deixa de depender apenas de grandes projetos e passa a aparecer nas rotinas comuns. E é justamente nas rotinas comuns que muitas organizações revelam sua verdadeira maturidade.

Empresas frágeis costumam buscar sofisticação nos discursos e falhar no básico. Empresas maduras cuidam do básico com seriedade. Elas entendem que qualidade não é apenas certificação, tecnologia ou sistema avançado. Qualidade também é atenção, clareza, revisão, responsabilidade e respeito ao trabalho dos outros.

O Método Uno-Due é simples, mas não é superficial. Sua força está em lembrar que toda entrega carrega uma responsabilidade dupla: ser bem feita por quem executa e ser útil para quem depende dela.



Conclusão: excelência começa no que parece pequeno

O Método Uno-Due é uma ferramenta de administração para elevar o padrão de tarefas, decisões e processos. Ele parte de duas perguntas simples, mas profundamente relevantes: fui eficaz e revisei o que fiz? Criei eficácia para todos os envolvidos?

Essas perguntas ajudam a combater o retrabalho, melhorar a comunicação, fortalecer a responsabilidade individual e desenvolver visão sistêmica. Também mostram que a excelência não começa apenas nas grandes estratégias, mas nos pequenos atos bem executados.

Uma organização qualitativa não é aquela que apenas fala sobre qualidade. É aquela que cria hábitos capazes de sustentar qualidade no cotidiano. O Uno-Due serve justamente para isso: transformar revisão, clareza e eficácia em prática constante.

No fim, a ferramenta ensina uma lição administrativa essencial: uma tarefa não está verdadeiramente pronta quando quem fez se livrou dela, mas quando quem recebe consegue seguir adiante com segurança, clareza e utilidade.

Bom trabalho e grande abraço.
Rafael José Pôncio




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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

4 principais mitos sobre empreendedores a serem extirpados


Conhece algum mito sobre a figura do empreendedor? No contexto abaixo para cada mito, expus aqui numa pesquisa mais objetiva sobre a realidade de empreendedores bem sucedidos que buscam capacitação e aprimoramento, portanto devem ser eliminados do vocabulário estes quatro principais mitos que foram disseminados para muitos aqui no Brasil, conforme segue:

Mito 1: Os empreendedores são "lobos solitários" e não conseguem trabalhar em equipe.

-Realidade objetiva:
  • São ótimos líderes;
  • Criam times/equipes;
  • Desenvolvem excelente relacionamento no trabalho com colegas, parceiros, clientes, fornecedores e muitos outros.

Mito 2: Empreendedores são natos, nascem para o sucesso.

-Realidade objetiva:
  • Enquanto a maioria dos empreendedores nasce com um certo nível de inteligência, empreendedores de sucesso acumulam habilidades relevantes, experiências e contatos com o passar dos anos;
  • A capacidade de ter visão e perseguir oportunidades aprimora-se com o tempo.

Mito 3: Empreendedores são "jogadores" que assumem riscos altíssimos.

-Realidade objetiva:
  • Assumem riscos calculados na medida moderada;
  • Evitam riscos desnecessários;
  • Compartilham risco com outras pessoas;
  • Pulverizam o risco em "partes menores".

Mito 4: Empreendedores tem que trabalhar 24 horas por dia por serem centralizadores.

-Realidade objetiva:
  • Constroem time/equipe colocando pessoas certas nas funções certas;
  • Implantam processos de gestão para descentralizar as funções;
  • Desenvolvem cultura organizacional para uma gestão próspera;
  • Capacitam líderes e colaboradores para conceitos como intra-empreendedorismo ou  empowerment a fim das pessoas terem autonomia com responsabilidade.

Empreender é um processo, e é o envolvimento de pessoas com gestão de processos claros, que em conjunto levam a transformação de uma organização saudável. O talento de empreendedores de sucesso que buscam incessantemente o conhecimento, resultante de percepções, direção, aprendizado, dedicação e compromisso com a qualidade em servir soluções, é o que faz a diferença!

Bom trabalho e grande abraço.

Autor: Adm. Rafael José Pôncio
Publicado em: 17 de abril de 2019
Especial: artigos no portal Administradores.com
Link: https://administradores.com.br/artigos/4-principais-mitos-sobre-empreendedores-a-serem-extirpados


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domingo, 26 de novembro de 2017

Estudo sobre as Características dos Empreendedores de Sucesso


As características dos empreendedores são diversas, mas ao mapear homens de negócios percebe-se que algumas são mais comuns no cotidiano de cada empreendedor, eis aqui um estudo realizado na Babson College feito pelo Prof. Phd. Dornelas: 

São visionários

Eles têm a visão de como será o futuro para o seu negócio e sua vida, e, o mais importante, têm a habilidade de implementar seus sonhos.

Sabem tomar decisões

Eles não se sentem inseguros, sabem tomar as decisões corretas na hora certa, principalmente nos momentos de adversidade, sendo um fator-chave para o seu sucesso. E, além de tomar decisões, implementam suas ações rapidamente.

São indivíduos que fazem a diferença

Os empreendedores transformaram algo de difícil definição, uma ideia abstrata, em algo concreto, que funciona, transformando o que é possível em realidade (Kao, 1989; Kets de Vries, 1997). Sabem agregar valor aos serviços e produtos que colocam no mercado.

Sabem explorar ao máximo as oportunidades

Para a maioria das pessoas, as boas ideias são daqueles que as veem primeiro, por sorte ou acaso. Para os visionários (os empreendedores) as boas ideias são geradas daquilo que todos conseguem ver, mas não identificam algo prático para transformá-las em oportunidade, através de dados e informação. Para Schumpeter (1949) o empreendedor é aquele que quebra a ordem corrente e inova, criando mercado através de uma oportunidade identificada. Para Kirzner (1973), o empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente. Porém, ambos são enfáticos em afirmar que o empreendedor é um exímio identificador de oportunidades, sendo um indivíduo curioso e atento a informações, pois sabe que suas chances melhoraram quando seu conhecimento aumenta.

São determinados e dinâmicos

Eles implementam suas ações com total comprometimento. Atropelam as adversidades, ultrapassando os obstáculos, com uma vontade ímpar de "fazer acontecer". Mantêm-se sempre dinâmicos e cultivam um certo inconformismo diante da rotina.

São dedicados

Eles se dedicam 24 horas por dia, sete dias por semana, ao seu negócio. Comprometem o relacionamento com a própria saúde. São trabalhadores exemplares, encontrando energia para continuar, mesmo quando encontram problemas pela frente. São incansáveis e loucos por trabalhar.

São otimistas e apaixonados pelo que fazem

Eles adoram o seu trabalho. E é esse amor ao que fazem o principal combustível que os mantém cada vez mais animados e autodeterminados, tornando-os os melhores vendedores de seus produtos e serviços, pois sabem, como ninguém, como fazê-lo. O otimismo faz com que sempre enxerguem o sucesso, em vez de imaginar o fracasso.

São independentes e constroem seu próprio destino

Eles querem estar à frente das mudanças e ser donos do próprio destino. Querem ser independentes, em vez de empregados; querem criar algo novo e determinar seus próprios passos, abrir seus próprios caminhos, ser seu próprio patrão e gerar empregos.

Ficam ricos

Ficar rico não é o principal objetivo dos empreendedores. Eles acreditam que o dinheiro é consequência do sucesso nos negócios.

São líderes e formadores de equipe

Os empreendedores têm um senso de liderança incomum. E são respeitados e adorados por seus funcionários, pois sabem valorizá-los, estimulá-los e recompensá-los, formando um time em tornos de si. Sabem que, para obter êxito e sucesso, dependem de uma equipe de profissionais competentes. Sabem ainda recrutar as melhores cabeças para assessorá-los nos campos em que não detêm maior conhecimento.

São bem relacionados (networking)

Os empreendedores sabem construir uma rede de contatos que os auxiliam no ambiente externo da empresa, junto a clientes, fornecedores e entidades de classe.

São organizados

Os empreendedores sabem obter e alocar os recursos materiais, humanos, tecnológicos e financeiros de forma racional, procurando o melhor desempenho para o negócio.

Planejam, planejam, planejam

Os empreendedores de sucesso planejam cada passo de seu negócio, desde o primeiro rascunho do plano de negócios até a apresentação do plano a investidores, definição das estratégias de marketing do negócio etc., sempre tendo como base a forte visão de negócio que possuem.

Possuem conhecimento

São sedentos pelo saber e aprendem continuamente, pois sabem que, quando maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior é a sua chance de êxito. Esse conhecimento pode vir da experiência prática, de informações obtidas em publicações especializadas, em cursos ou mesmo de conselhos de pessoas que montaram empreendimentos semelhantes.

Assumem riscos calculados

Talvez seja a característica mais conhecida dos empreendedores. Mas o verdadeiro empreendedor é aquele que assume riscos calculados e sabe gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso. Assumir riscos tem relação com desafios. E, para o empreendedor, quanto maior o desafio, mais estimulante será a jornada empreendedora.

Criam valor para a sociedade

Os empreendedores utilizam seu capital intelectual para criar valor para a sociedade, através da geração de emprego, dinamizando a economia e inovando, sempre usando sua criatividade em busca de soluções para melhorar a vida das pessoas.

"O empreendedor é aquele que faz acontecer, antecipa-se aos fatos e tem uma visão futura da organização." (Dr. José Dornelas)

Fonte no livro: Empreendendo na Prática (Cap. 1, pag. 5 a 9), Phd José Dornelas, Editora Elsevier.

Bem, lendo todas estas características descritas pelo professor parece que temos um "super empreendedor" dotado das melhores características humanas, porém, no contexto individual existem as questões de experiências por erro e acerto, a busca incessante de autoconhecimento, cultura, adoções das melhores práticas e aperfeiçoamento. Para cada característica devemos observar e fazer uma autoanálise na jornada empreendedorial.

Bom trabalho e grande abraço.

Adm. Rafael José Pôncio


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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A Comunicação no Trabalho em Equipe


Acredito que, independente da área de sua formação, você já deve ter ouvido falar diversas vezes na importância da comunicação em nossos relacionamentos e o quanto é imprescindível aos bons profissionais saberem se comunicar com clareza e de forma efetiva.

É de extrema importância a comunicação na gestão de equipes, afinal, as teorias foram desenvolvidas para serem amplamente disseminadas com o intuito de contribuírem para que nos tornemos pessoas e profissionais melhores.

Então, segundo Cherry apud Oliveira (2010, p. 308), a comunicação é “o estabelecimento de uma unidade social entre seres humanos pelo uso de signos de linguagem”.

Tal reflexão nos leva a questionarmos: o que seriam esses signos de linguagem? São os símbolos utilizados para nos comunicarmos e vão desde a linguagem escrita, à oral, aos desenhos, às músicas, enfim, quaisquer representações que contribuam para que repassemos uma mensagem a outra pessoa ou grupo delas.

Nossas relações com outros indivíduos exigem que saibamos nos comunicar, portanto o uso desses signos faz parte de nossas vidas desde sempre. Oliveira (2010, p. 308) ressalta que “a comunicação interpessoal (aquela que se dá entre duas pessoas ou mais) tem a finalidade de estabelecer, entre essas pessoas uma associação ou ligação, um entendimento ou identificação, ainda que momentâneo”.

Mais uma vez, fica evidente que somos seres grupais, que precisam do bando para alcançar nossos objetivos e nos tornarmos mais fortes. Nesse processo, o uso correto da comunicação faz toda diferença.

Ao estudarmos a comunicação e seus efeitos na vida das pessoas, deparamo-nos com diversas teorias que foram desenvolvidas em épocas diferentes e muito importantes da nossa história. Porém, como a proposta é conhecer o resultado dessa comunicação no trabalho em equipe, vamos nos ater a apenas algumas teorias que nos ajudam a compreender melhor como se dá esse processo e a maneira como ele deve ocorrer no ambiente profissional.

Teoria Hipodérmica, cujos estudos iniciaram em 1920 e ocorreram no período entre as duas guerras mundiais, porém a década de 30 é considerada a época de ouro dessa teoria.

Segundo Wolf apud Araújo (2007, p. 67), “ao se centrar nos efeitos, essa teoria demonstra que estímulos e respostas seriam capazes de descrever o comportamento”. O autor continua explicando que “esse modelo defendia uma relação direta entre a exposição às mensagens e o comportamento. Nesse caso, a pessoa, ao se deparar com a propaganda, poderia ser manipulada e/ou controlada por ela” (p. 68).

Assim, percebemos que a Teoria Hipodérmica pregava que as pessoas seriam facilmente influenciadas pelas mensagens recebidas pelos meios de comunicação, sem criticar ou se importar com os efeitos dela em suas vidas cotidianas.

Porém, em 1948, Harold D. Lasswell propôs um modelo de comunicação que superou a Teoria Hipodérmica. Wolf apud Araújo (2007, p. 68) afirma que “a pesquisa de Laswell mostra que uma forma adequada para se descrever um ato de comunicação é responder: Quem? Diz o quê? Por meio de qual canal? Com que efeito? As perguntas correspondem, respectivamente, ao emissor, à mensagem, ao meio e ao resultado”.

O modelo de Lasswell continua atual, por isso é importante conhecê-lo para que saibamos que o ato da comunicação, para ser eficiente, deve seguir esse modelo e responder seus questionamentos.

Mas a comunicação desenvolvido por Laswell, ainda perdura nos dias atuais? Afinal, vivemos na era da informação, em que a multiplicidade de meios de comunicação, a velocidade de circulação de informações e a interatividade estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano; já que todas as regras e convenções parecem ter sido deixadas de lado, será que, para nos comunicarmos, ainda precisamos seguir regras formais?

Mas, no mundo organizacional, sim. Vejamos o que afirmam Tonet et al. (2009, p. 101): No plano organizacional, estudos revelam que o uso adequado da comunicação no mundo dos negócios é sinônimo de sucesso. Ela proporciona significativos ganhos de produtividade decorrentes da redução de custos operacionais, da eliminação de funções que não agregam valor e do incremento na rapidez e precisão das decisões.

Vemos, então, que o ato de se comunicar e se comunicar bem é imprescindível para qualquer profissional, principalmente para o gestor, pois cabe a ele repassar, de forma precisa, as mensagens à equipe, visando alcançar os resultados esperados.

O gestor gasta a maior parte do seu dia se comunicando, seja com membros da sua equipe ou outros profissionais, e essa comunicação se dá não apenas de forma verbal, mas também ao redigir e-mails, grupos de mensagerias, memorandos e outros documentos, ou mesmo em entrevistas de candidatos, reuniões, enfim, sua rotina é repleta de momentos em que ele precisará se fazer entender, a fim de que as mensagens sejam entregues e recebidas com o menor número de ruídos possível.

É evidente que o gestor não é o único que precisa saber se comunicar de maneira eficiente. Os demais membros da equipe também estão a todo tempo recebendo e enviando mensagens e a maneira como isso acontece é fundamental para o sucesso ou não dos objetivos propostos.

Tonet et al. (2009, p. 105) reforçam que: Ao analisarmos o processo de comunicação para podermos aprimorar ou desenvolver nossas habilidades, devemos começar respondendo: o que desejamos e esperamos que aconteça como resultado da mensagem que vamos transmitir? A resposta a esta questão é o nosso objetivo de comunicação.

A definição do objetivo contribui para que se mantenha o foco, pois, como já foi dito, as equipes estão à mercê de inúmeras mensagens que são recebidas e enviadas pelos mais diversos canais e, caso o foco não esteja em mente, essa rede pode acabar influenciando e causando prejuízos ao processo comunicacional que se pretende atingir.

Tendo estabelecido o objetivo e com o foco claro, o que se espera é que as informações sejam repassadas da maneira mais fiel possível e, por fidelidade, entende-se que o emissor expressará perfeitamente o que ele pretende e o receptor compreenderá a mensagem com exatidão (Tonet et al., 2009, p. 105).

Acredito que você na sua área profissional, já deve ter recebido ou dado feedback ao menos uma vez, não é verdade?

Essa ferramenta é fundamental nas relações de trabalho, pois, com ela, o gestor consegue passar aos membros da equipe sua percepção sobre o trabalho deles e estes conseguem compreender se sua postura está adequada ou se algo precisa ser melhorado visando alcançar um melhor desempenho profissional.

Sabemos que o feedback não é um momento fácil e que é necessário um preparo antes, tanto por parte do gestor quanto por parte do liderado. Emoções, sentimentos e impressões precisam ser deixados de lado para que a comunicação aconteça de forma assertiva.

Tonet et al. (2009, p. 114) afirmam que o feedback “é um excelente instrumento de gestão. Antes de fornecer um feedback é importante que o gestor esteja atento aos seguintes aspectos: imparcialidade, aplicabilidade, especificidade, oportunidade e diretiva”. Ou seja, esse momento pode ser crucial para a melhoria (ou não) do trabalho da equipe, por isso é importante que não haja julgamentos e que informe com exatidão a mensagem pretendida, sempre tendo como foco a aplicação da mensagem para o alcance dos resultados propostos.

Devemos ter em mente que o processo do feedback pode contribuir muito para o bom desempenho do indivíduo. Por isso, cabe ao gestor assumir uma postura ética e imparcial, como já foi dito, e preparar-se tendo clareza da importância desse momento para a vida profissional do seu liderado.

Segundo Oliveira (2010, p. 314): Nos processos de comunicação interpessoal propriamente ditos, é muito importante que o feedback seja fornecido ao colaborador pelo gestor. Isso é particularmente importante quando o colaborador tem pouca chance de constatar por si mesmo o resultado de seu desempenho, ou quando esse desempenho é especialmente relevante ou significativo.

Vemos, então, que é importante que o gestor esteja sempre dando feedback aos membros de sua equipe, independentemente de a empresa disponibilizar uma data formal ou não para que isso ocorra, pois nem sempre os indivíduos conseguem ter a percepção sobre como está o andamento do seu trabalho e se o que se espera deles está sendo atendido.

Outro fator importante é que o feedback não deve se resumir apenas a fazer elogios ou críticas ao trabalho. Esse momento deve ser usado para descrever o comportamento do outro, sem interpretar suas razões ou julgá-lo por esse comportamento, mas ajudá-lo a tomar conhecimento de algo que, muitas vezes, ele próprio não percebeu sobre seu comportamento ou desempenho (OLIVEIRA, 2010, p. 314).

Com isso, compreendemos que o gestor pode fazer uso do feedback como sendo um grande aliado no processo de comunicação com sua equipe, mas, para isso, é preciso que, antes, ele próprio esteja preparado e com objetivos bem traçados para que essa ferramenta possa ser utilizada de forma eficiente.

Bom trabalho e grande abraço.

Autor: Adm. Rafael José Pôncio
Publicado em: 02 de setembro de 2017
Especial: artigos no portal Administradores.com
Link fonte: https://administradores.com.br/artigos/a-comunicacao-no-trabalho-em-equipe



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