sábado, 21 de dezembro de 2013

O poder da empatia em nossa vida de negócios

O poder da empatia em nossa vida de negócios
Empatia nos negócios é compreender pessoas, decisões e conflitos com humanidade, lucidez e responsabilidade.


Empatia não é fraqueza: é inteligência humana aplicada aos negócios

Fala-se muito em empatia no mundo corporativo. A palavra aparece em treinamentos, palestras, livros de liderança, processos seletivos, programas de cultura organizacional e discursos institucionais. Em alguns ambientes, tornou-se quase uma exigência de linguagem: todos querem parecer empáticos. O problema é que, quando uma palavra passa a ser usada em excesso, ela corre o risco de perder densidade. Torna-se bonita, mas superficial. Repetida, mas pouco praticada.

No campo dos negócios, a empatia não pode ser reduzida a simpatia, gentileza eventual ou educação social. Também não deve ser confundida com fragilidade, permissividade ou falta de firmeza. Uma pessoa empática não é aquela que concorda com tudo, evita conflitos ou abandona critérios para agradar os outros. Empatia é algo mais profundo: é a capacidade de compreender a realidade do outro sem perder a responsabilidade sobre a própria decisão.

Em termos simples, empatia é a disposição de olhar uma situação também a partir da perspectiva de quem a vive. Não significa aceitar toda atitude, justificar todo erro ou relativizar toda conduta. Significa reconhecer que, por trás de um comportamento, quase sempre existe uma história, uma pressão, um medo, uma limitação, uma dor, uma expectativa ou uma necessidade que merece ser compreendida antes de ser julgada.

Nos negócios, essa virtude tem valor prático. Líderes que não compreendem pessoas tomam decisões tecnicamente corretas, mas humanamente destrutivas. Empresas que ignoram sentimentos, tensões e percepções internas podem até produzir resultados no curto prazo, mas acumulam ressentimentos, desconfianças e rupturas silenciosas. Negociações sem empatia endurecem posições. Relações profissionais sem escuta se tornam apenas transações. E organizações sem humanidade acabam confundindo eficiência com frieza.

A empatia não elimina a cobrança. Ela melhora a forma de cobrar. Não elimina a disciplina. Ela impede que a disciplina se transforme em humilhação. Não elimina a verdade. Ela ajuda a verdade a ser comunicada sem crueldade.

A verdade sem empatia pode virar brutalidade; a empatia sem verdade pode virar condescendência. Nos negócios, maturidade é sustentar as duas.


Compreender não é concordar

Um dos maiores equívocos sobre empatia é imaginar que compreender alguém significa concordar com essa pessoa. Não significa. Essa distinção é essencial para a vida empresarial, especialmente em ambientes que exigem decisões difíceis.

Um gestor pode compreender a angústia de um colaborador sem concordar com sua postura. Um sócio pode compreender a insegurança de outro sem aceitar uma decisão precipitada. Um empresário pode compreender a insatisfação de um cliente sem admitir uma acusação injusta. Um líder pode acolher a dificuldade de uma equipe sem abrir mão do padrão de desempenho necessário.

A empatia verdadeira não enfraquece o juízo. Pelo contrário, qualifica o julgamento. Antes de decidir, ela pergunta: o que está acontecendo aqui além da aparência? Que medo está guiando esta reação? Que expectativa não foi dita? Que pressão esta pessoa está carregando? Que parte do problema é técnica e que parte é humana?

Essas perguntas não servem para desculpar tudo. Servem para enxergar melhor. E enxergar melhor é uma das grandes vantagens competitivas de qualquer pessoa de negócios. Muitos conflitos se agravam não porque são insolúveis, mas porque são lidos de forma pobre. Alguém interpreta silêncio como desinteresse, quando pode ser insegurança. Interpreta resistência como má vontade, quando pode ser falta de clareza. Interpreta firmeza como arrogância, quando pode ser senso de responsabilidade. Interpreta cobrança como perseguição, quando pode ser tentativa legítima de preservar o resultado.

A empatia amplia o campo de visão. Ela permite separar fato, emoção, intenção e consequência. Essa separação é decisiva, porque muitos ambientes profissionais adoecem quando tudo é misturado. Uma crítica vira ataque pessoal. Uma divergência vira afronta. Um erro vira identidade. Uma conversa difícil vira ameaça. A empatia ajuda a devolver proporção às relações.


A escuta como ato de liderança

A vida de negócios é marcada por pressa. Há metas, prazos, contratos, reuniões, entregas, riscos, custos, clientes e decisões acumuladas. Nesse ritmo, escutar parece perda de tempo. Porém, em muitos casos, a falta de escuta custa mais caro do que a própria lentidão.

Escutar não é apenas ficar em silêncio enquanto o outro fala. Também não é esperar a própria vez de responder. Escutar é tentar compreender a lógica interna do que está sendo dito. É prestar atenção não apenas às palavras, mas ao tom, ao contexto, às pausas, às contradições e ao que ficou sem nome.

Um líder que escuta bem percebe sinais antes da ruptura. Nota quando um colaborador está se apagando. Percebe quando uma equipe está sobrecarregada. Identifica quando um sócio está inseguro. Enxerga quando um cliente perdeu confiança antes mesmo de cancelar o contrato. A escuta empática funciona como uma espécie de radar humano: capta movimentos que os indicadores formais nem sempre registram a tempo.

Isso não significa transformar a empresa em um espaço terapêutico. A organização tem finalidade, estrutura, responsabilidades e objetivos. Mas toda empresa é formada por pessoas. E onde há pessoas, há emoções, ambições, medos, vaidades, esperanças, frustrações e necessidades de reconhecimento. Ignorar isso não torna a gestão mais profissional; apenas a torna mais incompleta.

A escuta também melhora a qualidade da decisão. Quem escuta apenas os iguais confirma suas próprias certezas. Quem escuta apenas os fortes ignora os sinais vindos da base. Quem escuta apenas os resultados esquece os custos humanos que os produziram. A empatia, quando bem praticada, impede que a liderança se torne prisioneira de sua própria posição.


Empatia nas negociações e nos conflitos

Nos negócios, negociar é inevitável. Negociamos preços, prazos, responsabilidades, participações, expectativas, prioridades, contratos e limites. Em muitas negociações, as partes se concentram apenas no que desejam obter. Poucas se dedicam a compreender o que o outro lado teme perder.

A empatia torna a negociação mais inteligente porque revela interesses ocultos. Às vezes, a outra parte não está discutindo apenas dinheiro, mas segurança. Não está resistindo apenas a uma cláusula, mas ao risco de ficar exposta. Não está pedindo prazo por conveniência, mas por incapacidade operacional. Não está endurecendo a conversa por arrogância, mas por falta de confiança.

Compreender isso muda a qualidade da abordagem. Uma negociação conduzida com empatia não é ingênua. Ela continua protegendo interesses, formalizando obrigações e exigindo clareza. A diferença é que ela busca construir uma saída que preserve dignidade, previsibilidade e confiança.

Em conflitos, a empatia tem papel ainda mais importante. Quando as emoções estão elevadas, as pessoas tendem a se defender antes de compreender. A mente procura culpados, não explicações. O orgulho toma o lugar da lucidez. Nessa hora, a empatia funciona como uma pausa moral. Ela impede que a reação imediata destrua uma relação que poderia ser ajustada com conversa, método e responsabilidade.

No entanto, é preciso reconhecer um limite: empatia não deve ser usada para tolerar abuso, manipulação, deslealdade ou recorrência de má-fé. Há situações em que compreender o outro não significa manter o vínculo. Há casos em que a atitude mais responsável é encerrar uma relação, proteger a empresa, preservar a equipe ou formalizar limites. A empatia madura não é cega. Ela é humana, mas não é ingênua.


A diferença entre empatia e sentimentalismo

O mundo empresarial também precisa tomar cuidado com um outro extremo: transformar empatia em sentimentalismo corporativo. Isso acontece quando a empresa fala muito sobre acolhimento, mas perde clareza sobre responsabilidade. Quando evita conversas difíceis em nome do bem-estar. Quando confunde cuidado com ausência de cobrança. Quando transforma qualquer desconforto em injustiça.

A empatia verdadeira não elimina o desconforto legítimo. Muitas vezes, crescer dói. Aprender exige correção. Amadurecer requer confronto com limites. Uma pessoa pode se sentir incomodada por receber um feedback necessário. Pode se sentir frustrada por não alcançar um cargo. Pode se sentir contrariada por ouvir um “não”. Nem todo desconforto é sinal de falta de empatia. Às vezes, é apenas o custo natural da realidade.

Por isso, a empatia precisa caminhar com justiça, prudência e responsabilidade. Ela pergunta como comunicar melhor, mas não abandona o conteúdo. Procura entender o impacto de uma decisão, mas não foge da decisão. Reconhece sentimentos, mas não coloca sentimentos acima de todos os princípios.

Essa distinção é decisiva para líderes, empreendedores e profissionais em posição de influência. Ser empático não é agradar. É tratar o outro como pessoa, não como peça descartável. É comunicar com respeito. É corrigir sem diminuir. É ouvir antes de rotular. É decidir sem desprezar. É sustentar a firmeza sem perder a humanidade.


Empatia como virtude empreendedora

No empreendedorismo, a empatia também é fonte de criação de valor. Empresas nascem para resolver problemas reais. E problemas reais pertencem a pessoas reais. Quem não compreende pessoas dificilmente compreende mercados em profundidade.

Um empreendedor empático observa melhor o cliente. Percebe dores que ainda não foram bem expressas. Enxerga incômodos cotidianos que podem se tornar produtos, serviços, processos ou soluções. Não se limita a perguntar o que as pessoas dizem querer; procura entender o que elas precisam, o que evitam, o que temem, o que valorizam e o que ainda não conseguem formular com clareza.

A empatia também ajuda no intraempreendedorismo, isto é, na capacidade de inovar dentro das organizações. Profissionais que compreendem as dificuldades de outras áreas criam soluções mais úteis. Quem entende a rotina do cliente interno melhora processos. Quem percebe o impacto de uma mudança sobre a equipe implementa melhor. Quem considera a realidade operacional antes de propor uma estratégia evita planos bonitos, mas impraticáveis.

Muitas ideias fracassam não por falta de inteligência, mas por falta de aderência humana. São tecnicamente interessantes, mas não conversam com a realidade de quem vai usar, executar, comprar, vender ou sustentar aquilo no cotidiano. A empatia aproxima a estratégia da vida real.


Como praticar empatia no ambiente profissional

A empatia precisa sair do discurso e entrar na prática. Para isso, algumas atitudes simples, mas exigentes, fazem diferença.

Primeiro, esteja presente. Presença é mais do que estar fisicamente no mesmo lugar. É dedicar atenção real à conversa, sem tratar a pessoa como interrupção. No ambiente profissional, a presença comunica respeito antes mesmo de qualquer palavra.

Segundo, escute antes de concluir. Muitas relações são prejudicadas por diagnósticos apressados. Quando alguém fala, nem sempre está pedindo solução imediata. Às vezes, está tentando organizar a própria experiência. Escutar bem pode ser o primeiro passo para que a solução apareça com mais clareza.

Terceiro, reconheça a emoção sem necessariamente validar a atitude. É possível dizer: “eu compreendo que isso tenha sido difícil”, sem dizer: “você agiu corretamente”. Essa diferença preserva humanidade e responsabilidade ao mesmo tempo.

Quarto, evite minimizar a dor do outro. Frases como “isso não é nada”, “poderia ser pior” ou “todo mundo passa por isso” raramente ajudam. Podem até ser ditas com boa intenção, mas frequentemente produzem isolamento. Quem sofre não precisa ser comparado; precisa ser compreendido.

Quinto, ajude a pessoa a encontrar uma saída digna. Empatia não deve prender alguém ao sofrimento. Ela acolhe, organiza, orienta e, quando possível, conduz para uma decisão melhor. No mundo dos negócios, isso significa transformar compreensão em encaminhamento responsável.

Essas atitudes parecem simples, mas exigem domínio próprio. A empatia pede paciência em um mundo apressado, humildade em ambientes vaidosos e presença em uma cultura distraída.


A empatia também protege a reputação

Empresas e profissionais são lembrados não apenas pelo que entregam, mas pela forma como tratam as pessoas ao longo do caminho. Há negócios que vencem uma negociação e perdem reputação. Há líderes que alcançam metas e deixam rastros de ressentimento. Há organizações que crescem em números, mas diminuem em confiança.

A empatia protege a reputação porque humaniza a conduta. Ela revela caráter nas pequenas interações: no modo como se responde a um erro, como se trata alguém em posição inferior, como se conduz uma demissão, como se negocia uma dívida, como se comunica uma negativa, como se reconhece um esforço invisível.

A reputação nasce da repetição de comportamentos. Não é construída apenas por campanhas, marcas ou discursos institucionais. Ela se forma na memória das pessoas. E as pessoas lembram como foram tratadas quando estavam vulneráveis, pressionadas, inseguras ou em desvantagem.

Por isso, a empatia tem valor estratégico. Ela fortalece vínculos, reduz ruídos, melhora a confiança e qualifica a cultura. Mas seu valor mais profundo é moral: ela nos lembra que nenhuma conquista empresarial justifica a perda da humanidade.


Conclusão: negócios também são relações humanas

A vida de negócios exige técnica, visão, disciplina, coragem, cálculo e decisão. Mas exige também sensibilidade. Não uma sensibilidade frágil, instável ou sentimentalista, e sim uma sensibilidade madura, capaz de reconhecer que resultados sustentáveis dependem de relações minimamente saudáveis.

Empatia é a capacidade de não tratar pessoas como obstáculos, números ou funções. É reconhecer que, por trás de cada cargo, contrato, cliente, fornecedor, sócio ou colaborador, existe uma pessoa atravessando pressões visíveis e invisíveis. Essa consciência não torna o profissional menos firme. Torna-o mais completo.

Ser empático nos negócios é compreender antes de reagir. É escutar antes de rotular. É corrigir sem humilhar. É negociar sem esmagar. É liderar sem endurecer o coração. É perceber que a verdadeira força não está em ignorar o outro, mas em manter a lucidez mesmo quando o outro pensa, sente ou reage de modo diferente.

No fim, a empatia não é apenas uma habilidade social. É uma virtude prática. Uma forma de inteligência humana. Um sinal de maturidade. E, em tempos de relações cada vez mais rápidas, ansiosas e impessoais, talvez seja justamente essa capacidade de permanecer humano que diferencie os profissionais, os líderes e as empresas que merecem confiança.

Bom trabalho e grande abraço.

Rafael José Pôncio


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Curva de Aprendizagem: como ela funciona e como aprimorá-la

O que você sabe sobre o conceito de curva de aprendizagem? Achou estranho o meu questionamento? Muito bem, você certamente deve estar pensando: “que relação essa teoria tem com os negócios?”

Na realidade, é importantíssimo mapear e visualizar como as pessoas aprendem para medir desempenhos, testar a eficácia de métodos e processos e traçar estratégias para a melhoria da produtividade. Portanto, como gestor, entender o conceito de curva de aprendizagem e aplicá-lo no ambiente empresarial é fundamental para gerar maior eficiência produtiva, melhorar performances e até aumentar a motivação da equipe, uma vez que a própria consciência dos colaboradores em relação aos seus processos de aprendizado já ajuda a manter um engajamento.


E como fazer isso? A partir da leitura deste artigo você vai conhecer um pouco mais sobre a teoria da curva de aprendizagem, seu histórico, aplicação e encontrará estratégias para aprimorá-la e tornar o processo de aprendizagem mais eficaz. Além disso, quero fazer ainda um paralelo entre o empreendedorismo e o processo de aprendizado proveniente da dinâmica de tentativas e erros, característico de movimentos de inovação. Bom proveito!

O que é a curva de aprendizagem e como a teoria surgiu

O conceito de curva de aprendizagem foi desenvolvido pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus, em 1885, e representa a progressão do desempenho de uma atividade executada por uma pessoa. A representação gráfica dessa curva é geralmente acentuada no início e depois ela se equilibra com o passar do tempo. 


O que isso quer dizer? Isso significa que há mais esforço para cumprir determinada tarefa nos primeiros momentos do processo de aprendizagem e esse esforço diminui ao longo do tempo. Da mesma forma, quanto maior a prática, maior é a eficiência. É o que acontece com um colaborador mais experiente. A tendência é que ele execute as atividades com mais facilidade, agilidade e qualidade. Ele já não tem dúvidas, aprendeu com os erros e desenvolveu maneiras de ser mais produtivo. 


Outro modo de compreendermos a teoria da curva de aprendizagem é observarmos a forma como adquirimos conhecimento quando aprendemos algo novo. Geralmente, despendemos um enorme esforço no início do processo de aprendizagem para assimilarmos o conteúdo e as informações. Após certo tempo, há uma estabilidade e a energia gasta para gerar entendimento do assunto em questão é menor, pois o conhecimento já foi absorvido. 

Como ela pode ser aplicada nos negócios

Como expliquei, o entendimento e a aplicação da curva de aprendizagem no ambiente de trabalho, como uma ferramenta de gerenciamento, são relevantes a medida em que a curva pode auxiliar em diversos aspectos. Ela pode, por exemplo, ajudar a estimar prazos para a realização de tarefas, servir como um indicador de produtividade, identificar a necessidade de treinamentos e ajudar a entender quando há problemas no processo de onboarding (que prepara o colaborador para início do trabalho na empresa).

Maneiras de aprimorar a curva de aprendizagem em uma empresa

Confira, a seguir, algumas formas de acelerar a curva de aprendizagem e usá-la a seu favor como um recurso de gestão. 

1) Estruture o processo de onboarding

O processo de integração de um novo colaborador à empresa é extremamente importante e precisa ser estruturado com cuidado para que ele entenda e aprenda de forma eficaz como deve executar a sua função. 

2) Invista em treinamentos

Já destaquei que a busca por conhecimento deve ser contínua, por isso, o investimento em treinamentos também, por mais experientes que sejam os funcionários. Uma outra curiosidade da curva de aprendizagem é que quando ela se estabiliza, fica difícil aumentar a produtividade ou a eficiência e temos a sensação de que não estamos aprendendo mais nada. No entanto, quando promovemos mudanças e investimos em novas formas de aprendizado, uma nova curva se inicia.

3) Melhore as lideranças

Ter boas lideranças que inspirem e incentivem o aprendizado dos seus liderados é fundamental para promover a motivação e influenciar a curva de aprendizagem. Líderes ruins não têm mecanismos para desenvolver sua equipe e tornam o processo de aprendizagem muito mais difícil, gerando um ambiente improdutivo e desmotivador. 

4) Desenvolva e estimule mentorias 

As mentorias são formas de traçar uma rota de aprendizagem personalizada e estimular uma maior autonomia no processo de aprendizado. Trata-se de uma estratégia bastante eficaz para aprimorar a curva de aprendizagem, tanto de colaboradores novos, quanto de colaboradores mais antigos. 

5) Alinhe expectativas e metas de aprendizagem e produtividade

É importante ter a consciência de que cada pessoa tem um tempo para aprender e assimilar conhecimento. Por isso, é essencial compreender as necessidades e expectativas do colaborador para então traçar metas de aprendizagem e produtividade.  

Empreendedorismo e a curva de aprendizagem: o que podemos aprender com os erros e o fracasso

Nesse contexto de aquisição de conhecimento e aprendizado a partir do conceito de curva de aprendizagem que exploramos neste texto, gostaria de ir um pouco além e trazer o empreendedorismo para esta roda, relacionando-o ao processo. 


A questão é que precisamos mudar a nossa relação com o fracasso, a exemplo do modelo do empreendedorismo americano. O erro tende a nos paralisar, em vez de servir como experiência e fazer parte do processo de aprendizado. 


Para o empreendedor brasileiro, o erro tende a ser um desmotivador, algo definitivo e um atestado de incompetência. Já para os empreendedores do Vale do Silício, por exemplo, o fracasso tem outro significado: é compreendido como resultado de um risco assumido de algo que tinha probabilidade de dar errado e que gerou experiência e aprendizado. Não tem, necessariamente, a conotação de erro do empreendedor. Nesse sentido, um ambiente que prioriza a inovação, como é o caso do Vale do Silício, a busca pela aprendizagem é priorizada.


É claro, no entanto, que a questão da aprendizagem por si só não deve servir como desculpa ou justificativa para todos os erros e fracassos. Nos casos em que o empreendedor não aprende com a experiência e continua insistindo em um mesmo erro, ou quando se acomoda na ideia de estar sempre aprendendo e não faz avanços, não se compromete ou assume riscos, a experiência não está acrescentando nada e nem gerando nenhum aprendizado. Aí sim o fracasso pode ser fatal. 


Em resumo, o que fica de lição é a capacidade de mudar a perspectiva em relação ao erro e transformar os fracassos em aprendizado. É ter a consciência que o erro faz parte do processo e a experiência vai ajudá-lo a compreender melhor o seu negócio. Fazendo um paralelo com a teoria da curva de aprendizagem, o processo no início demandará bastante esforço e resiliência, mas com o tempo são esses percalços que farão diferença em sua trajetória, pois vão gerar conhecimento e experiência.


Independentemente da maneira em que usará o conceito da curva de aprendizagem na sua vivência profissional, espero que esse entendimento o ajude a desenvolver estratégias para melhorar sua capacidade de aprendizado e ir além, alcançando todo o seu potencial!


Bom trabalho e grande abraço.

Rafael José Pôncio




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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Autor e Idealizador

Rafael José Pôncio é administrador, economista, contabilista e mestre em administração, bem como escritor e empresário brasileiro. Sua atuação concentra-se em governança, advisory, empresas familiares, alocação de capital e estrutura patrimonial, conduzida por uma visão de longo prazo e por critérios de responsabilidade, coerência e solidez institucional.

Com trajetória empresarial desenvolvida desde 1999, com base inicial no mercado financeiro e posterior expansão para os investimentos imobiliários, atua em terrenos para landbank, galpões last mile, operações de self storage, monopredial hoteleiro e ativos florestais vinculados à preservação. Essa trajetória lhe confere experiência prática e reflexão intelectual sobre patrimônio, gestão e perenidade.

Desde 2012, publica em seu site oficial artigos, pesquisas, ensaios e biografias de empreendedores, consolidando uma produção autoral voltada às ciências da administração, à formação patrimonial e ao pensamento empresarial brasileiro. Entre 2016 e 2022, também colaborou com portais e revistas relevantes nas áreas de gestão e empreendedorismo.

É autor da série Os Empreendedores Que Mudaram o Brasil, com dois volumes já publicados, e dedica-se atualmente à preparação do terceiro. Sua produção intelectual e sua atuação profissional convergem em um mesmo propósito: fortalecer decisões, estruturas e legados com seriedade institucional, densidade analítica e compromisso com a perenidade.



Teoria das Relações Humanas: como praticar na atualidade?

A Teoria das Relações Humanas surgiu em 1927, mas seus ensinamentos têm impactos até hoje nas organizações. Para saber quais são, continue a leitura.

Teoria das Relações Humanas: como praticar na atualidade?

A Teoria das Relações Humanas ou Escola das Relações Humanas surgiu como uma oposição à Teoria Clássica da Administração, onde a organização é uma máquina.

Hoje sabemos que não é só isso, além dos processos, as pessoas são um aspecto primordial para o sucesso de um negócio.

Para entender melhor,  continue a leitura e aprenda sobre a parte humana das organizações. 

Como surgiu a Teoria das Relações Humanas?

A Teoria das Relações Humanas surgiu a partir da famosa pesquisa realizada na fábrica da Western Eletric Company em Chicago nos Estados Unidos: o Experimento de Hawthorne.

A experiência aconteceu em 1927, coordenada pelo psicólogo e pesquisador australiano Elton Mayo, considerado fundador da Teoria das Relações Humanas.

As principais conclusões neste estudo, segundo o escritor Idalberto Chiavenato no livro Introdução à Teoria Geral da Administração - Uma Visão Abrangente da Moderna Administração das Organizações, foram:

1.   O nível de produção é resultante da integração social

Quanto mais o colaborador estiver integrado à equipe, melhor será a sua produtividade. Não é difícil perceber que quando você se dá bem com os colegas o trabalho flui mais fácil.

2.   As relações humanas

O comportamento de um funcionário pode influenciar o dos demais. É como diz o ditado “uma maçã podre no cesto estraga todas as outras”.

3.   Comportamento social dos empregados

Os trabalhadores reagem conforme os demais membros do grupo. Por exemplo: se um vendedor tem uma quantidade de vendas inferior aos demais colaboradores, ele fará o possível para alcançar a média da equipe.

4.   A importância do conteúdo do cargo

Um trabalho maçante e repetitivo pode afetar negativamente o colaborador e ele acabar diminuindo o seu desempenho.

5.   As recompensas e sanções sociais

Os funcionários podem tomar atitudes “negativas” para serem aceitos pelo grupo. Por exemplo: um vendedor que recebe uma comissão muito maior que os seus colegas, pode diminuir a sua produtividade para não ser excluído da equipe.

6.   Grupos informais

Além dos grupos estabelecidos pelo organograma (setor de marketing, financeiro, RH, etc.) existem os grupos informais que também influenciam no andamento da empresa. Por exemplo: os colaboradores que almoçam juntos, e ainda a turma do happy hour.

7.   Ênfase nos aspectos emocionais

Elementos emocionais e irracionais dos seres humanos também devem ser considerados pelas empresas.

 Por essa razão o Mayo defendia os seguintes pontos de vista:

  • O trabalho é uma atividade tipicamente grupal.

  • O operário não reage como indivíduo isolado.

  • A tarefa básica da administração é formar uma elite capaz de compreender e comunicar. 

  • A pessoa humana é motivada pela necessidade de “estar junto” e de ser “reconhecida”. 

  • A civilização industrializada traz como consequência a desintegração dos grupos primários da sociedade.

Como praticar a Teorias das Relações Humanas hoje?

Embora, esta teoria tenha surgido há quase 100 anos, muitos conhecimentos podem ser aplicados no mundo dos negócios atual. Veja algumas maneiras:

Ergonomia

A ergonomia se preocupa em fornecer um ambiente saudável e seguro para os colaboradores trabalharem. Por exemplo: cadeiras confortáveis, suporte para computadores, apoio para pés…

No Experimento de Hawthorne foi identificado que a intensidade da luz alterava a produção dos funcionários. Quando a luz estava mais forte os funcionários acreditavam que deveriam produzir mais e quando diminuía, o contrário.

Então, fornecer um ambiente seguro e que não cause riscos à saúde dos funcionários, além de ser uma obrigação legal é fundamental para o desempenho dos colaboradores.

Pesquisas de Clima

Como vimos, na Teoria das Relações Humanas a interação das equipes é essencial para o bom desempenho dos funcionários.

Por isso, fazer pesquisas de clima de forma recorrente é uma estratégia para identificar se algum empregado não está se sentindo acolhido ou não consegue interagir com a equipe.

Também é uma ótima estratégia para identificar se um membro da equipe está desmotivado ou não concorda com os rumos da empresa.

Reuniões e feedbacks

Fazer reuniões com os funcionários para discutir melhorias, os resultados e as ações futuras, é importante para que eles se sintam valorizados e respeitados.

Também é importante elogiar os bons resultados e estar aberto às críticas e sugestões dos colaboradores.

Promover ações de confraternização

Como identificado na Teoria das Relações Humanas, o aspecto emocional dos funcionários impacta significativamente nos resultados.

Logo, criar ações como comemorações de aniversário, celebrações quando alcançam as metas ou até enfeitar o escritório em datas festivas, tornam ele mais aconchegante e fazem os colaboradores se sentirem melhor.

Incentivar a autonomia dos empregados

Também no Experimento de Hawthorne após entrevistas com os funcionários identificou-se que eles se sentiam constrangidos em uma supervisão vigilante.

O que faz muito sentido, afinal, o papel de um líder é orientar e não vigiar a equipe, dando as ferramentas necessárias para o desenvolvimento do trabalho.

Logo, incentivar que os colaboradores tomem as suas decisões é uma ótima estratégia para melhorar o desempenho.

Oferecer benefícios aos colaboradores

Para os funcionários se sentirem reconhecidos eles precisam ser beneficiados de alguma forma pelo seu esforço e resultados.

O primeiro benefício é o feedback positivo do gestor. O segundo pode ser um benefício simbólico, como um cartão de agradecimento e um chocolate. Por último um retorno financeiro.

Vale destacar que estas vantagens são apenas o resultado de uma cultura organizacional que valoriza os funcionários e não só “algo simbólico”.

Empresas bem sucedidas que aplicam a Teoria das Relações Humanas

Conheça negócios que focam na interação e valorização dos funcionários:

DreamWorks

O estúdio de animação americano oferece muitos benefícios para os seus funcionários, dentre eles estão:

  • Ambiente inspirador com espaços abertos e estações de trabalho personalizadas.

  • Aulas de exercícios físicos.

  • Incentiva a autonomia e a liberdade de criação dos colaboradores.

Google

Nesta empresa o ambiente de trabalho é referência, lá os funcionários contam com várias regalias, seguem alguns exemplos:

Uma geladeira aberta: os funcionários podem almoçar, jantar ou fazer lanches na empresa de maneira gratuita.

Pet friendly: os colaboradores podem levar os seus animais de estimação para o escritório.

Férias prolongadas: além das férias tradicionais, os funcionários do Google têm direito a 3 meses de licença não remunerada.

Coca-cola

Esta grande companhia acredita que o sucesso dos negócios está diretamente relacionado ao bem-estar dos funcionários, por isso tem muitas ações de valorização, como:

  • Flexibilização do horário de trabalho.

  • Prêmios e bonificações.

  • Anywhere work (trabalho em qualquer lugar).

  • Programas de incentivo aos estudos.

  • Plano de carreira.

Então, o que achou da Teoria das Relações Humanas?  Já aplica os seus ensinamentos no seu negócio?

Bom trabalho e grande abraço.

Rafael José Pôncio




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