terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Mapeamento de Fluxo de Valor: eficiência nos processos

 

Mapeamento de Fluxo de Valor: eficiência nos processos

Introdução

No campo das Ciências da Administração e da Engenharia de Produção, a busca pela eficiência operacional é uma constante. Entre as ferramentas mais eficazes para a identificação e eliminação de desperdícios nos processos está o Mapeamento de Fluxo de Valor, ou Value Stream Mapping (VSM). Utilizado como parte da filosofia Lean, o VSM permite visualizar, analisar e melhorar o fluxo de materiais e informações dentro de uma organização.

Origem da Ferramenta

O Mapeamento de Fluxo de Valor foi sistematizado como ferramenta de gestão pelos especialistas James P. Womack e Daniel T. Jones, autores da obra “Lean Thinking”. Embora a prática tenha origem no Sistema Toyota de Produção, foram Womack e Jones que, em 1996, apresentaram ao Ocidente o conceito formalizado do VSM como uma ferramenta essencial para eliminar desperdícios e gerar valor do ponto de vista do cliente.

O Que é o VSM?

O VSM é uma representação gráfica do fluxo de atividades — tanto das tarefas que agregam valor quanto das que não agregam — necessárias para transformar uma matéria-prima em um produto ou serviço acabado. Ele abrange todas as etapas: desde o recebimento do pedido até a entrega final.

Através desse mapeamento, é possível identificar:

  • Tempos de ciclo e tempos de espera;

  • Gargalos e desperdícios (muda);

  • Fluxo de informações entre áreas;

  • Processos que agregam e não agregam valor.

Importância do VSM para a Organização

A aplicabilidade do VSM proporciona uma visão holística do processo e permite aumentar a eficiência operacional, com impactos diretos nos resultados da organização. Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Redução de desperdícios (tempo, recursos, materiais);

  • Melhoria da qualidade e da produtividade;

  • Aumento da satisfação do cliente por meio da entrega de valor real;

  • Identificação de ineficiências que não são visíveis apenas com indicadores convencionais;

  • Facilidade de comunicação visual entre gestores, engenheiros, operadores e demais áreas.

Como Implantar o VSM: Etapas Fundamentais

Como Implantar o VSM

A implantação do Mapeamento de Fluxo de Valor pode ser dividida em etapas práticas, que podem ser adaptadas conforme o tipo e porte da organização:

1. Escolha do Processo-Alvo

Selecione um processo ou linha de produto representativo. Idealmente, aquele com maior volume de produção ou que apresenta mais reclamações ou desperdícios.

2. Formação da Equipe de Mapeamento

Monte um grupo multidisciplinar com representantes de todas as áreas envolvidas no processo: produção, logística, qualidade, engenharia, vendas e TI.

3. Mapeamento do Estado Atual

Desenhe o fluxo de valor do processo existente, coletando dados reais:

  • Tempo de ciclo;

  • Tempo de setup;

  • Estoques em processo;

  • Frequência de pedidos;

  • Fluxo de informações.

4. Análise Crítica

Identifique atividades que não agregam valor (NVA), gargalos, estoques excessivos, retrabalhos ou falhas de comunicação.

5. Mapeamento do Estado Futuro

Projete como o processo deve funcionar de maneira enxuta e eficaz, eliminando ou minimizando atividades NVA e reorganizando o fluxo com foco no valor para o cliente.

6. Plano de Ação

Desenvolva e implemente um plano de melhoria com metas claras, responsáveis definidos e prazos realistas.

7. Monitoramento Contínuo

Acompanhe os indicadores de desempenho e, quando necessário, repita o ciclo de mapeamento para novas melhorias.

Integração com o Cotidiano dos Colaboradores

Um dos pontos-chave do sucesso do VSM é o engajamento dos colaboradores. Isso ocorre quando:

  • A liderança comunica de forma clara os objetivos e benefícios do projeto;

  • A equipe operacional é envolvida na coleta de dados e na geração de soluções;

  • As melhorias são visíveis e resultam em ambientes de trabalho mais organizados e produtivos;

  • Os resultados são compartilhados e reconhecidos.

O VSM, nesse sentido, não é apenas uma ferramenta técnica, mas também uma alavanca cultural que contribui para a formação de uma mentalidade de melhoria contínua.

O VSM Gera Valor Real?

Sim. Empresas que aplicaram o Mapeamento de Fluxo de Valor reportaram resultados concretos, tais como:

  • Redução de até 60% no lead time;

  • Diminuição dos estoques intermediários;

  • Aumento da eficiência dos processos em até 40%;

  • Redução de retrabalhos e falhas;

  • Melhoria da visibilidade de dados gerenciais, permitindo decisões mais assertivas.

Exemplo Prático (Fictício)

Uma indústria do setor alimentício aplicou o VSM em sua linha de envasamento. Após mapear o estado atual, descobriu que 35% do tempo total era gasto em espera por insumos e aprovações. Com o novo desenho do fluxo, foram implementadas melhorias logísticas e padronizações, reduzindo o lead time de 12 dias para 5 dias, aumentando a satisfação do cliente e reduzindo custos operacionais.

Conclusão

O Mapeamento de Fluxo de Valor (VSM) é uma poderosa ferramenta estratégica, que transcende a simples análise de processos. Ele proporciona visão sistêmica, eficiência operacional, melhoria da experiência do cliente e fortalecimento da cultura organizacional. Para gestores, administradores, engenheiros e líderes de operação, dominar o VSM é um diferencial competitivo e uma exigência da era da gestão enxuta.

Bom trabalho e grande abraço.

Rafael José Pôncio, PROF. ADM.



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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Diagrama de Inter-Relacionamentos: uma visão da organização

Diagrama de Inter-Relacionamentos: uma visão da organização

O Diagrama de Inter-Relacionamentos foi desenvolvido por Kaoru Ishikawa, um dos principais nomes da gestão da qualidade no Japão. Ele é amplamente reconhecido por seu trabalho na disseminação do controle de qualidade total (TQC) e por criar ferramentas que tornassem a melhoria contínua mais acessível às organizações.

O sucesso de uma organização depende não apenas da eficiência de seus processos individuais, mas também da compreensão e gestão eficaz das interações entre esses processos. É nesse contexto que entra o Diagrama de Inter-relacionamentos, também conhecido como Diagrama de Relações, uma ferramenta valiosa na análise e visualização das relações entre diferentes elementos dentro de uma organização. Neste artigo, exploraremos o que é o Diagrama de Inter-relacionamentos, como ele é utilizado e seus benefícios na gestão empresarial.

O Diagrama de Inter-relacionamentos é uma técnica que visa mapear e visualizar as conexões entre diversos elementos dentro de uma organização. Esses elementos podem incluir: pessoas, processos, recursos, departamentos, sistemas e muito mais. O objetivo do diagrama é ajudar os gestores a compreender como esses elementos se relacionam entre si e como suas interações afetam o desempenho geral da organização.

A criação de um Diagrama de Inter-relacionamentos geralmente segue algumas etapas básicas. Primeiro, os elementos a serem incluídos no diagrama são identificados e listados. Em seguida, são estabelecidas as relações entre esses elementos, indicando como um influencia ou é influenciado pelos outros. Essas relações podem ser representadas graficamente por meio de linhas, setas ou outros símbolos, dependendo da complexidade das interações.

Alguns exemplos:

  1. Diagrama de Inter-relacionamentos convergente para o centro:

Diagrama de Inter-Relacionamentos


  1. Diagrama de Inter-relacionamentos com indicações referenciais:

Diagrama de Inter-Relacionamentos com Indicações


Uma vez criado, os gestores conseguem ter uma visão holística da organização e, dessa forma, podem tomar decisões informadas e estratégicas. Ao fornecer uma perspectiva clara e visual das interações dentro da organização, o diagrama permite identificar padrões, pontos de conexão e áreas de melhoria potencial. Além disso, ele pode ajudar a prever o impacto de mudanças em um elemento específico sobre outros elementos relacionados, auxiliando na gestão de riscos e na definição de prioridades.

Diagrama de Inter-relacionamentos também pode ser útil na gestão de recursos humanos

As aplicações práticas dessa ferramenta são amplas e variadas. Por exemplo, em um ambiente de produção, ele pode ser usado para mapear as relações entre diferentes etapas do processo de fabricação, identificando possíveis gargalos ou pontos de ineficiência. Em uma equipe de projeto, ele pode ajudar a entender como as diferentes tarefas e responsabilidades se relacionam e como os membros da equipe podem colaborar de forma mais eficaz.



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Além disso, o Diagrama de Inter-relacionamentos também pode ser útil na gestão de recursos humanos, permitindo visualizar como as habilidades e experiências dos funcionários se complementam ou se sobrepõem. Da mesma forma, ele pode ser aplicado na gestão de relacionamento com clientes, ajudando a identificar os pontos de contato entre a empresa e seus clientes e a melhorar a experiência do cliente como um todo.

Em resumo, o Diagrama de Inter-relacionamentos é uma importante ferramenta na área administrativa. Ao fornecer uma visão clara e abrangente das interações dentro de uma organização, ele permite uma análise mais profunda e uma tomada de decisão mais informada e estratégica. Ao adotar essa abordagem analítica, as organizações podem melhorar sua eficiência, otimizar seus recursos e impulsionar seu sucesso.

Bom trabalho e grande abraço.

Rafael José Pôncio, PROF. ADM.



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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Nevaldo Rocha: o empreendedor que mudou o varejo

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Introdução

Em cada peça de roupa vendida pela Riachuelo, há o fio invisível da determinação de um homem nordestino que acreditava no trabalho como caminho e no Brasil como oportunidade. Nevaldo Rocha de Oliveira, fundador do Grupo Guararapes, é um exemplo clássico de empreendedor que saiu do sertão para o centro da indústria nacional, sem jamais perder a humildade, o senso de justiça e o compromisso com o desenvolvimento do país.


1. Da costura manual ao império têxtil

Nascido em 1928, no interior do Rio Grande do Norte, Nevaldo Rocha começou sua jornada de forma modesta, vendendo roupas em feiras populares e costurando sob encomenda. Foi com trabalho incansável, visão de futuro e profundo conhecimento do povo brasileiro que fundou, em 1947, a Guararapes Confecções, que se tornaria o maior grupo de moda do Brasil.

Casa onde nasceu Nevlado Rocha

A empresa cresceu de forma sólida, sempre com base em valores como honestidade, meritocracia e produção nacional, e daria origem à hoje gigantesca rede Lojas Riachuelo.

Primeira Fábrica Guararapes


2. Um empreendedor com alma de industrial e coração popular

Nevaldo acreditava no poder da produção nacional e no potencial da mão de obra brasileira. Em vez de importar ou terceirizar, preferiu investir em fábricas no Nordeste, gerando emprego, renda e dignidade para milhares de famílias.

Era conhecido por andar pelas fábricas, conversar com os operários, ouvir sugestões e ensinar pelo exemplo. Nunca se deixou seduzir por luxo desnecessário — seu maior orgulho era ver o povo vestindo o que ele ajudava a produzir.


3. Virtudes e características empreendedoras de Nevaldo Rocha

Resiliência nordestina – Transformou adversidade em combustível para crescer.

Visão estratégica com inclusão regional – Investiu fora do eixo tradicional Sul-Sudeste, levando desenvolvimento ao Nordeste.

Senso de justiça social – Criou oportunidades para quem mais precisava, sem assistencialismo, mas com trabalho e dignidade.

Liderança pelo exemplo – Era firme, disciplinado e respeitoso com todos.

Nacionalismo produtivo – Acreditava que o Brasil deveria fabricar o que consome, gerando riqueza interna.


4. O legado de um construtor de oportunidades

Mais do que um império de confecção e varejo, Nevaldo deixou uma cultura organizacional forte, voltada à ética, ao mérito e ao compromisso com o Brasil real. Seu filho, Flávio Rocha, seguiu à frente do grupo, mantendo as bases do que o pai ergueu com suor e visão.

O Grupo Guararapes hoje é responsável por milhares de empregos diretos e indiretos, mantendo centros de produção no Nordeste, incluindo Natal e Fortaleza.


5. Lições de Nevaldo Rocha para os empreendedores de hoje

📌 Enxergue nas dificuldades o solo fértil das grandes ideias.

📌 Valorize o Brasil e o brasileiro: aqui há talento, força e vontade.

📌 Cresça sem esquecer suas raízes.

📌 O trabalho honesto é a maior propaganda de uma marca.

📌 A empresa é extensão da alma de quem a lidera.


6. Curiosidades

  • Nevaldo fundou sua primeira loja com apenas uma máquina de costura.

  • Sempre priorizou mão de obra brasileira, mesmo quando importar seria mais barato.

  • Era católico e tinha grande devoção à família e aos valores cristãos.

  • Defensor da indústria nacional, foi uma voz ativa em momentos decisivos da economia brasileira.


Conclusão

Nevaldo Rocha de Oliveira não é apenas um nome na história da indústria têxtil — é um símbolo do empreendedor brasileiro que transforma dificuldades em dignidade, e negócios em pontes para o desenvolvimento social. Seu legado está presente em cada colaborador formado, em cada loja aberta e em cada consumidor que encontra, na Riachuelo, o reflexo de um Brasil que acredita em si mesmo.


“Do coração do Nordeste, Nevaldo Rocha mostrou que a força de uma indústria também nasce do sertão.”



Costurado com coragem, bordado com valores

A emocionante trajetória de Nevaldo Rocha, fundador do Grupo Guararapes e da Riachuelo, está no livro Os Empreendedores que Mudaram o Brasil – Volume 2, publicado pela Editora Labrador, uma obra do autor Rafael José Pôncio.

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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Custeio por Absorção: entenda sua aplicação prática

Custeio por Absorção: entenda sua aplicação prática

Custeio por absorção é um método contábil que considera todos os custos na produção. Veja fundamentos, vantagens e como aplicá-lo corretamente.



Custeio por Absorção: entenda sua aplicação prática


Conceito e origem da ferramenta

O custeio por absorção é um dos métodos mais tradicionais utilizados na contabilidade gerencial e na administração de custos. Sua origem remonta à contabilidade industrial clássica, sendo amplamente difundido no século XX com a consolidação das práticas contábeis nas empresas manufatureiras.

Esse sistema é obrigatório pela legislação fiscal e societária brasileira, sendo aceito pela Receita Federal para apuração de tributos, de acordo com a Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A.).

Fundamentos do custeio por absorção

O princípio central do custeio por absorção é que todos os custos de produção – fixos e variáveis – devem ser incorporados ao custo dos produtos.

Ou seja, ao calcular o custo de uma unidade produzida, são incluídos:

  • Matéria-prima;

  • Mão de obra direta;

  • Custos indiretos de fabricação (CIF), como depreciação, energia elétrica, supervisão etc.

Esse método está alinhado ao princípio contábil da competência, que exige o reconhecimento dos custos no período em que são incorridos e relacionados à produção.

Vejamos aqui uma imagem exemplo prático e simples: 

imagem exemplo prático e simples do custeio por absorção

Como aplicar o Custeio por Absorção

A aplicação envolve os seguintes passos:

  1. Identificação dos custos diretos: separação da matéria-prima e mão de obra diretamente atribuída ao produto.

  2. Rateio dos custos indiretos de fabricação (CIF): uso de critérios como horas-máquina, horas-homem ou unidades produzidas.

  3. Cálculo do custo total do produto: somando os custos diretos + parcela dos custos indiretos.

  4. Apuração do resultado: confronta-se a receita com o custo dos produtos vendidos (CPV), que incorpora todos os custos absorvidos.

Vantagens do método

  • Atende à legislação fiscal e societária;

  • Permite o registro contábil correto dos estoques;

  • Aproxima o cálculo do custo real de produção;

  • Ideal para empresas industriais ou com grande volume de estoques.

Limitações

  • Pode superestimar os estoques em períodos de baixa produção;

  • Não evidencia claramente a margem de contribuição;

  • Pode dificultar a tomada de decisão gerencial, por mascarar os efeitos dos custos fixos.

Diferença entre custeio por absorção e custeio variável

Diferença entre custeio por absorção e custeio variável


Quando usar o custeio por absorção

  • Obrigatório para fins fiscais e societários

  • Recomendado para empresas que desejam mensurar estoques corretamente

  • Deve ser complementado por ferramentas gerenciais (como o custeio variável ou a análise de margem de contribuição) para melhor apoio à decisão.

Considerações finais

O custeio por absorção continua sendo uma ferramenta essencial na contabilidade empresarial. Mesmo com o avanço de sistemas mais modernos, como o ABC (Custeio Baseado em Atividades), o método por absorção ainda é exigido por lei e amplamente utilizado para fins legais e de compliance contábil.

Sua correta aplicação garante transparência na apuração de resultados, conformidade com normas legais e apoio ao planejamento financeiro da empresa.

Bom trabalho e grande abraço.
Rafael José Pôncio, PROF. ADM.



Conheça também a Ferramenta de Apoio a Decisão:



        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.