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terça-feira, 22 de março de 2022

Quer ser um empreendedor inovador e criativo? Consuma arte e acompanhe tendências

Como empreendedores, em muitos momentos nos sentimos sem saída diante de algum desafio, estagnados em problemas que parecem não ter solução. Nesses casos, parece que as ideias se esvaem e não conseguimos pensar de forma diferente e inovadora. 

Nesse sentido, uma das habilidades mais importantes e requisitadas atualmente, entre profissionais de qualquer área, é a criatividade. Se engana quem pensa que ser criativo é importante somente para profissionais que desenvolvem atividades artísticas, designers, arquitetos, etc. 

Ter criatividade é fundamental para qualquer área, especialmente para empreendedores. Ela é base para inovação e importante para estimular o pensamento fora da caixa. Além disso, permite que você reflita e aja de forma estratégica diante de impasses e problemas comuns ao dia a dia do negócio. 


Mas, como ser um empreendedor mais criativo? Neste texto, apresento uma das táticas que considero muito eficaz nesse propósito: consumir arte e acompanhar tendências. Entenda a razão a seguir!

A importância da criatividade para empreendedores e gestores

Como destaquei, a criatividade é uma das habilidades mais necessárias a serem desenvolvidas pelos profissionais de qualquer área. É importante expandir a mente e ter recursos para lidar com situações adversas, bloqueios criativos e falta de ideias para alcançar melhores resultados. E isso faz parte da rotina de empreendedores e gestores. 


Para sermos mais criativos, precisamos formar conexões a partir de um repertório de memórias, transformando essas conexões em ideias. É necessário concentração e compromisso para exercer a criatividade ao utilizar o nosso repertório de referências, que precisa ser constantemente alimentado. Nesse sentido, o estresse pode ser um obstáculo nesse objetivo, pois o cérebro limita o espaço para a criatividade nesses momentos de esgotamento.  

Criatividade como propulsora da inovação

Sem criatividade, não há inovação. Ela é um pré-requisito para que ideias disruptivas ou soluções de vanguarda ganhem espaço no mercado. Dessa maneira, a mente criativa consiste em um potencial de avanço. A partir da nossa capacidade de fazer associações e elaborar ideias, necessidades e demandas podem ser supridas e oportunidades de negócio vislumbradas. Como desenvolver e potencializar o surgimento de ideias inovadoras? Aumentando constantemente o seu repertório de memórias e referências. Veja um pouco mais sobre isso a seguir. 

Estratégia para desenvolver essa habilidade: consumir arte e acompanhar tendências

A criatividade pode ser desenvolvida de diversas maneiras. Vários recursos podem ajudá-lo a ser mais criativo no ambiente corporativo e no que se refere à gestão do seu negócio: cursos, escrita, atividades artísticas e manuais, são alguns exemplos. 


Mas uma das maneiras mais eficazes para alimentar a nossa fonte de referências e ideias é consumir a arte e acompanhar as tendências de consumo, comportamento e mercado. A arte tem um papel fundamental no desenvolvimento da criatividade, que explicarei mais adiante com mais detalhes. Mas antes é importante entender o que envolve as etapas da criatividade. 

As etapas da criatividade 


Todo o processo criativo pode ser dividido nas seguintes fases:

  • Preparação: quando organizamos os pensamentos e nos preparamos para articular e focar em uma nova ideia ou criação;

  • Incubação: conectamos memórias, referências, refletimos sobre o objetivo da ação, reunimos, selecionamos e descartamos ideias;

  • Iluminação: é o momento do que chamamos de insight, epifania ou inspiração; quando algo faz sentido em nossa mente;

  • Verificação: nessa última etapa, enxergamos a ideia com mais clareza, começamos a analisar sua viabilidade, a maneira como podemos concretizá-la e a validamos. 

Como a arte nos impacta e nos faz pensar

Considerando como se dá o processo criativo, precisamos destacar a importância de enriquecer o nosso repertório, expandindo a nossa mente por meio da arte. Ler, assistir filmes, frequentar exposições, ouvir músicas, assistir peças de teatro, tudo isso contribui para estimular o nosso potencial criativo. A arte é capaz de provocar reações e nos fazer pensar, refletir, questionar padrões e paradigmas, mudar a lógica vigente. Ela é semente para as mentes criativas que contribuem para o progresso. 


De acordo com estudos científicos, quando é estimulado pela arte, o cérebro entra nas frequências theta ou gama. A frequência gama geralmente fica ativa em momentos de resolução de problemas. Já a theta é considerada a frequência dos insights, favorece à fluidez, o chamado estado de flow, característico de processos criativos, assim como dos sonhos e da meditação.  

Como identificar novas tendências

Na relação entre criatividade, empreendedorismo e inovação, destaco a relevância do empreendedor em ser criativo e pensar fora da caixa. Nesse contexto, para que o seu negócio não fique estagnado, perca relevância e permaneça sempre o mesmo, é essencial estar atento às tendências, prestar atenção nas mudanças de comportamento, analisar as novas necessidades do cliente. O ideal é assumir essa postura de estar sempre um passo à frente. Dessa maneira, você contribui para:

  • manter o seu empreendimento relevante no mercado;

  • atingir melhores resultados;

  • favorecer a identificação de um diferencial do seu produto ou serviço;

  • antecipar as demandas do consumidor;

  • gerar competitividade.


Pensando nisso, listei algumas dicas para você acompanhar as tendências e não perder oportunidades de inovar. Veja a seguir nas próximas linhas. 

Analise movimentações fora do comum

Já reparou como as tendências nascem? Geralmente, começam como uma pequena onda que vai ganhando forma e, de repente, há uma mudança de paradigma ou uma necessidade que impacta determinado público ou mesmo a sociedade como um todo. 


É preciso, portanto, ficar atento a essas movimentações fora do comum, que podem ser enormes, como o surgimento das redes sociais, ou mesmo um padrão ou comportamento de consumo.

Acompanhe a visão e avaliação de especialistas

Estudiosos e especialistas de determinada área são os melhores em detectar o que está por vir, já que estão acompanhando de perto essas movimentações que citei anteriormente. Identifique quem são os especialistas mais relevantes do seu mercado ou nicho e fique de olho no que eles estão sinalizando para “não perder o bonde”. 

Observe o que a concorrência está fazendo

Em alguns casos, pode ser que a concorrência descubra o que é tendência e saia na frente. Por isso, é importante acompanhar o que seus concorrentes estão fazendo para se diferenciar. Não para copiar, mas para ter um direcionamento e identificar oportunidades que serão perdidas se você fechar os olhos para o que está sendo feito a sua volta. 

Ouça a opinião e demandas dos seus clientes 

Sempre (sempre!) ouça o que seu cliente tem a dizer. Muitas vezes, as melhores ideias vêm do seu público, que pode lhe mostrar algo que você não está enxergando. Ninguém melhor que o consumidor para apontar necessidades e dizer o que pode ser aprimorado em seu produto ou serviço.


Ser um empreendedor mais inovador e criativo será importante não só para você ter mais oportunidades de negócio, identificar um gap no mercado ou contribuir para revolucionar determinado nicho ou setor. É uma habilidade que também vai ajudá-lo a ter uma gestão com visão mais abrangente e flexível, a estar aberto para o novo e o diferente. Portanto, foque em consumir mais arte e acompanhar tendências e desenvolva todo o seu potencial criativo!


Bom trabalho e grande abraço. Autor: Prof. Adm. Rafael José Pôncio Publicado em: 22 de março de 2022 Especial: artigos no Jornal da Tribuna Link fonte: https://jornaltribuna.com.br/2022/03/quer-ser-um-empreendedor-inovador-e-criativo-consuma-arte-e-acompanhe-tendencias


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

terça-feira, 14 de abril de 2020

A Inovação: É moderna? E a sua importância?


Ao contrário do que muitos podem pensar, a inovação não é um assunto tão recente no setor econômico. Na verdade, desde a primeira metade do século XX, ela vem sendo debatida e explorada a favor de melhores resultados em diversos setores da economia, dentre eles, o varejo. Segundo Schumpeter (1982, p. 47) “entendemos por desenvolvimento, portanto, apenas as mudanças da vida econômica que não lhe forem impostas de fora, mas que surjam de dentro, por sua própria iniciativa”, Fica claro, portanto, que o varejo, sendo ele máquina impulsionadora da economia, está amplamente envolvido nas prerrogativas da inovação, sua gestão, suas ferramentas e seus modelos de aplicação.

A competitividade é a mola propulsora de busca pela superação e pela sustentabilidade do negócio, seja ele de pequeno porte, como o mercadinho de bairro, até os grandes hipermercados de rede internacional, ou seja, ela é quesito de sobrevivência. Para Carvalho, Reis e Cavalcante (2011, p. 13), “a resposta às pressões surge na forma de consolidação ou adoção de práticas de gerenciamento, como gestão de qualidade, planejamento estratégico, gestão financeira, marketing, gestão de projetos, gestão da produção, gestão de pessoas e, mais recentemente, gestão da inovação”. A partir da ordenação sistêmica dada pelos autores e conhecedores das exigências que a globalização trouxe para a dinamicidade das relações de negócio, já não podemos mais pensar em relações de compra e venda apenas sob a perspectiva dos lucros. É, então, um conjunto, tratado pelos pesquisadores como ‘agregação de valor’, que definirá e ditará os rumos das organizações.

Já sabemos que a inovação não é evento exclusivo da tecnologia. Ela é, sim, sistêmica, por exigir que as ações caminhem em conjunto; e é continua, pois a dinamicidade das relações econômico-sociais exige que os produtos ou serviços sejam capazes de acompanhar a rapidez das mudanças. Para Carvalho, Reis e Cavalcante (2011), a inovação ainda precisa ser considerada sob dois elementos: internos e externos à organização. Observe no quadro a seguir:

Elementos internos
Ambiente propício à inovação.
Pessoas criativas (empresários, colaboradores, funcionários), preparadas e estimuladas para inovar.
Processo (ou método) sistêmico e contínuo.

Elementos externos
Políticas.
Investimentos e estímulos do governo.
Articulação entre associações e federações de empresas.
Abertura de universidades e institutos a parcerias.
E financiamento e fomento à inovação.

E quais as vantagens que as empresas têm em inovar?

  • Aumento da demanda para seus produtos e serviços.
  • Melhor defesa de sua posição competitiva.
  • Redução de custos.
  • Ampliação de margens de lucros.
  • Aumento na competência para inovar.

Para Carvalho, Reis e Cavalcante (2011, p. 18-19), é por meio da inovação que as empresas conseguem alcançar maior desempenho e diferenciam-se positivamente das concorrentes.

As ações de maior representatividade para as empresas que investem e sempre atentas a mudanças, com alta cultura de desafios é sempre foi a inovação.

É, portanto, pelo caminho da inovação que não só as grandes organizações, mas sim empresas inovadoras de qualquer porte alcançam e, principalmente, mantêm o destaque perante os concorrentes e a sustentabilidade dessa vantagem.

Bom trabalho e grande abraço.

Autor: Adm. Rafael José Pôncio
Publicado em: 17 de abril de 2019
Especial: artigos no portal Administradores.com
Link fonte: https://administradores.com.br/artigos/a-inovacao-e-moderna-e-a-sua-importancia



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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Criatividade, invenção e inovação: recrutar e reter as pessoas certas


Segundo Serafim (2011), para as organizações, a inovação é o objetivo final de qualquer processo, entretanto, existem dois outros fatores importantes a serem considerados: criatividade e invenção. Se fôssemos fazer uma analogia com um conto ou uma história, esses fatores estruturar-se-iam por: começo, meio e fim, que seriam: criatividade, invenção e inovação. Segundo o autor, é o poder criativo que dá início ao processo de inovação; mas veja: a inovação é o estágio final, primeiro, surge uma ideia, que se colocada no papel, depois, deixa de ser ideia e passa a se chamar invenção e esta só poderá ser chamada de inovação se for utilizada, caso contrário, não será considerada inovação.

A criatividade vem sendo cada vez mais estudada e pesquisada. Como reflexo das necessidades da era de gestão da informação e comunicação, ser um profissional criativo e flexível se tornou descritivo potencial na carreira. Mas cada indivíduo tem uma capacidade ou uma facilidade desenvolvida a partir de suas aptidões. É impossível ser bom e criativo em tudo. Por isso, é importante conhecer a fundo as necessidades e os objetivos da organização, para que seja possível escolher o profissional adequado para cada setor, cada objetivo e cada fase da organização. Gardner, psicólogo norte-americano, ficou conhecido por sua teoria das múltiplas inteligências:

...existem evidências persuasivas para a existência de diversas competências intelectuais humana relativamente autônomas (...). A exata natureza e extensão de cada ‘estrutura’ individual não é até o momento satisfatoriamente determinada, nem o número preciso de inteligências foi estabelecido. Parece-me, porém, estar cada vez mais difícil negar a convicção de que há pelo menos algumas inteligências, que estas são relativamente independentes umas das outras e que podem ser modeladas e combinadas numa multiplicidade de maneiras adaptativas por indivíduos e culturas. (GARDNER, 1994, p. 7).

Os estudos de Gardner apontaram sete inteligências: 
1) inteligência linguística;
2) inteligência interpessoal;
3) inteligência intrapessoal;
4) inteligência lógico-matemática;
5) inteligência musical;
6) inteligência espacial;
7) inteligência corporal sinestésica.

Cada uma delas tem suas particularidades, mas, basicamente, o autor defende que as inteligências mapeadas acabam justificando talentos e facilidades na personalidade dos indivíduos. A definição das Múltiplas inteligências justificaria, por exemplo, talentos como Leonardo da Vinci, na área da pintura; Montserrat Caballe, na área da música; Oscar Niemeyer, na área da arquitetura e assim por diante. 

A teoria de Gardner influenciou (e muito) um setor estratégico da organização: a gestão de pessoas para criatividade, invenção e inovação.

As descobertas por mapeamento e pesquisas dar-se-á em três níveis:

-A Competência indica aptidão, conhecimento ou capacidade em alguma área específica. A palavra “competência” está associada à qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver determinado assunto ou realizar determinada tarefa.

-A Habilidade indica a qualidade de uma pessoa hábil, que revela capacidade para fazer alguma coisa. O conceito de habilidade está intimamente relacionado com a aptidão para cumprir uma tarefa específica com um determinado nível de destreza.

-Os Dons são virtudes e faculdades, é  qualidade inata, natural, aptidão, é o talento, ex: "tem o dom da pintura". Os três níveis são necessários, mas descobrir os dons esta a grande descoberta para a organização e aumentará a força da equipe para criar, inovar e inventar.

Tópico fundamental de atenção dentro da gestão de pessoas é a gestão de talentos. 

Segundo Tarique e Schuler (2010), gestão de talentos é fazer uso sistemático das estratégias de gestão de pessoas devidamente dispostas a partir das diretrizes da organização, com o objetivo de atrair, desenvolver e reter colaboradores de alta capacidade. 

Collins e Mellahi (2009), completam que a gestão de talentos é fator decisório para o sucesso da gestão estratégica de pessoas. A gestão de talentos devidamente articulada e potencializada contribui para a manutenção de competências e elevado potencial de alta performance, assim como para a sustentabilidade e a vantagem competitiva organizacional.

Sustentabilidade e vantagem competitiva? Isso mesmo! Quem faz a diferença no negócio são as pessoas, quem cria, inventa e inova também são as pessoas, logo, podemos entender que valorizar, potencializar e saber desenvolver as pessoas dentro da organização é premissa essencial para a inovação, os modelos de negócio. 

Saber escolher o profissional certo para a função certa é um grande desafio, mas é algo que precisa ser encarado, pois a estratégia de cada  negócio começa na escolha dos profissionais que serão responsáveis por desenvolver e manter a sustentabilidade da organização no mercado.

Bom trabalho e grande abraço.

Autor: Adm. Rafael José Pôncio
Publicado em: 17 de abril de 2019
Especial: artigos no portal Administradores.com
Link fonte: https://administradores.com.br/artigos/criatividade-invencao-e-inovacao-a-quem-recorrer




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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Gestão da inovação: como o empreendedor usa o processo


Gestão da inovação como ferramenta administrativa para transformar ideias em processos, decisões e resultados sustentáveis.



Da ideia inicial ao método capaz de gerar valor real para a empresa

Inovar não é apenas ter ideias novas. Também não é repetir palavras modernas, acompanhar tendências passageiras ou imaginar que toda mudança representa avanço. A verdadeira inovação empresarial nasce quando uma ideia encontra método, propósito, execução e aprendizagem.

No ambiente empreendedor, especialmente em empresas que precisam competir com recursos limitados, a gestão da inovação deve ser compreendida como uma ferramenta de administração. Ela ajuda o empreendedor a transformar percepção em escolha, escolha em projeto, projeto em implementação e implementação em aprendizado.

Muitas organizações afirmam que desejam inovar, mas poucas constroem disciplina suficiente para sustentar a inovação ao longo do tempo. Algumas têm boas ideias, mas não sabem selecioná-las. Outras iniciam projetos promissores, mas não definem recursos. Há também empresas que executam mudanças sem medir resultados, sem aprender com erros e sem integrar a inovação à estratégia do negócio.

Por isso, a inovação precisa deixar de ser tratada como inspiração ocasional e passar a ser conduzida como processo administrativo.

A inovação amadurece quando deixa de depender apenas de entusiasmo e passa a ser conduzida por método, critério e aprendizagem.



A base acadêmica da gestão da inovação

Do ponto de vista acadêmico, a gestão da inovação não deve ser compreendida como um ato isolado, espontâneo ou meramente criativo. Tidd (2011) contribui para essa leitura ao tratar a inovação a partir de diferentes dimensões de análise, considerando aspectos como o tipo de gestão, o estágio da inovação, seu escopo e o tipo de organização em que ela ocorre.

Essa abordagem é importante porque desloca a inovação do campo da inspiração eventual para o campo da administração estruturada. Em outras palavras, inovar não significa apenas imaginar algo novo, mas compreender em que contexto a inovação ocorre, qual é sua amplitude, quais recursos exige e como ela será absorvida pela organização.

Apoiados por essa perspectiva, Carvalho, Cavalcanti e Reis (2009) apresentam um processo de gestão da inovação composto por cinco ações fundamentais: levantamento, seleção, definição de recursos, implementação e aprendizagem. Essa estrutura é especialmente útil para o empreendedor, pois transforma a inovação em um caminho administrável, permitindo que ideias sejam avaliadas, priorizadas, executadas e aperfeiçoadas ao longo do tempo.

A contribuição desses autores mostra que a inovação empresarial não amadurece no improviso. Ela precisa de leitura, escolha, recursos, execução e aprendizagem.



O empreendedor diante da necessidade de inovar

O empreendedor vive cercado por mudanças. O cliente muda, o mercado muda, a tecnologia muda, os concorrentes mudam e os hábitos de consumo também mudam. Aquilo que funcionava ontem pode não ser suficiente amanhã.

Essa realidade exige atenção contínua. Não basta abrir uma empresa e repetir indefinidamente o mesmo modelo. Uma organização que deseja permanecer relevante precisa observar sinais, revisar práticas, corrigir falhas e melhorar sua capacidade de entregar valor.

Entretanto, inovar não significa abandonar tudo o que foi construído. Esse é um erro comum. A inovação responsável respeita a identidade da empresa, mas não permite que a tradição se transforme em acomodação. Ela preserva aquilo que funciona e melhora aquilo que precisa evoluir.

O empreendedor prudente não inova por vaidade. Ele inova para proteger a empresa da estagnação, melhorar a experiência do cliente, reduzir desperdícios, fortalecer processos, ampliar receitas e construir vantagem competitiva.

Uma empresa que não observa o ambiente ao seu redor pode continuar repetindo boas práticas do passado, mas perder, aos poucos, a capacidade de responder às exigências do presente.



Gestão da inovação como ferramenta administrativa

A gestão da inovação é o processo pelo qual a empresa organiza ideias, oportunidades, recursos, execução e aprendizagem. Ela oferece um caminho para que a inovação não fique solta, dependente apenas de intuição, entusiasmo ou improviso.

Como ferramenta administrativa, ela ajuda o empreendedor a responder perguntas essenciais:

O que precisa ser melhorado? Quais oportunidades merecem atenção? Que ideias realmente têm valor? Quais recursos serão necessários? Quem será responsável pela execução? Como medir se a inovação deu certo? O que a empresa aprendeu com o processo?

Essas perguntas dão ordem ao pensamento empreendedor. Sem elas, a inovação pode virar apenas movimento. E movimento, por si só, não garante progresso.

Uma empresa pode mudar muito e melhorar pouco. Pode lançar novidades sem fortalecer sua posição. Pode gastar energia em projetos que não conversam com sua estratégia. Por isso, a inovação precisa ser filtrada por critério.

A gestão permite que o empreendedor diferencie uma ideia interessante de uma iniciativa realmente útil para a empresa.

1. Levantamento: enxergar oportunidades antes que elas se tornem urgências

O primeiro passo da gestão da inovação é o levantamento. Trata-se da busca organizada por oportunidades de melhoria, criação ou transformação dentro e fora da empresa.

Esse levantamento pode surgir da observação dos clientes, das reclamações recebidas, das mudanças no comportamento de consumo, das falhas operacionais, das novas tecnologias, da análise dos concorrentes e das sugestões da própria equipe.

O empreendedor atento percebe sinais antes que eles se tornem problemas. Ele observa o que está ficando lento, caro, confuso, ultrapassado ou pouco eficiente. Também identifica onde há espaço para melhorar produtos, serviços, atendimento, comunicação, processos internos e modelos de receita.

Nesse ponto, a inovação começa com humildade intelectual. É preciso admitir que a empresa sempre pode aprender, mesmo quando está vendendo bem. O sucesso atual não deve impedir a leitura das mudanças que estão se formando.

O levantamento bem feito amplia a visão do empreendedor e evita que a empresa só reaja quando o mercado já mudou.

2. Seleção: escolher o que realmente merece ser feito

Nem toda ideia boa deve ser executada imediatamente. Nem toda oportunidade combina com o momento da empresa. Nem toda novidade gera valor. Por isso, depois de levantar possibilidades, é preciso selecionar.

A seleção é uma etapa decisiva porque protege a empresa da dispersão. Empreendedores criativos costumam enxergar muitas possibilidades, mas a empresa possui recursos limitados. Tempo, dinheiro, equipe, atenção gerencial e energia operacional precisam ser bem alocados.

Selecionar é perguntar: essa inovação resolve um problema real? Ela fortalece a proposta de valor? Está alinhada à estratégia? Pode ser implementada com os recursos disponíveis? Tem potencial de gerar retorno? Reduz risco? Melhora a experiência do cliente? Aumenta eficiência?

Essa etapa exige maturidade administrativa. Muitas empresas erram não por falta de ideias, mas por excesso de iniciativas mal priorizadas.

A boa inovação não nasce apenas da criatividade, mas da capacidade de escolher com critério.

3. Definição de recursos: transformar intenção em possibilidade concreta

Depois de escolher a inovação a ser desenvolvida, é necessário definir recursos. Sem essa etapa, a ideia permanece apenas como intenção.

Recursos envolvem pessoas, orçamento, tempo, tecnologia, fornecedores, estrutura, conhecimento técnico e capacidade de gestão. Também envolvem patrocínio interno, ou seja, alguém com responsabilidade clara para conduzir a iniciativa e responder por seu avanço.

Uma inovação sem recursos definidos tende a depender de sobras: sobra de tempo, sobra de dinheiro, sobra de atenção e sobra de energia. E aquilo que depende apenas de sobra raramente se torna prioridade.

O empreendedor precisa compreender que a inovação séria exige alocação. Não necessariamente grandes investimentos, mas investimento proporcional ao objetivo. Em alguns casos, a inovação será simples e barata. Em outros, exigirá planejamento mais robusto. O importante é não confundir economia com improviso.

Definir recursos é o momento em que a empresa demonstra se realmente acredita na inovação escolhida.

4. Implementação: executar com disciplina e acompanhar resultados

A implementação é a etapa em que a inovação sai do discurso e entra na realidade da empresa. É também onde muitas iniciativas fracassam.

Executar exige prazo, responsável, acompanhamento, comunicação interna, testes, ajustes e integração com outras áreas. Uma inovação em atendimento, por exemplo, pode envolver treinamento, tecnologia, operação, marketing e cultura. Uma inovação em produto pode exigir compras, produção, logística, vendas e pós-venda.

Por isso, a implementação deve ser conduzida com disciplina. Não basta lançar algo novo. É preciso acompanhar se aquilo está funcionando, se os clientes entenderam, se a equipe aderiu, se os custos estão controlados e se os resultados aparecem.

A inovação não deve ser medida apenas pelo entusiasmo inicial. Deve ser avaliada pelo valor que entrega.

Empresas maduras tratam a implementação como parte central da inovação. Elas sabem que uma ideia mediana bem executada pode gerar mais valor do que uma ideia brilhante abandonada no meio do caminho.

5. Aprendizagem: transformar experiência em inteligência empresarial

A última etapa é a aprendizagem. Ela fecha o ciclo e prepara a empresa para inovar melhor na próxima vez.

Aprender significa revisar o processo, identificar acertos, reconhecer erros, registrar lições, ouvir clientes, analisar indicadores e compreender o que deve ser mantido, corrigido ou abandonado.

Muitas empresas pulam essa etapa. Terminam um projeto e já começam outro, sem refletir. Com isso, repetem erros, perdem conhecimento e deixam de transformar experiência em inteligência empresarial.

A aprendizagem é uma das partes mais nobres da gestão da inovação, porque fortalece a memória administrativa da empresa. Ela impede que cada iniciativa comece do zero. Também ajuda a organização a formar uma cultura de melhoria contínua.

Uma empresa que aprende com método se torna menos dependente de sorte e mais capaz de evoluir com consciência.



Inovação também é cultura de gestão

Embora o processo seja importante, a inovação não depende apenas de etapas formais. Ela também depende de cultura.

Uma empresa inovadora precisa permitir que problemas sejam apontados, que sugestões sejam ouvidas, que erros sejam analisados com responsabilidade e que as pessoas compreendam o sentido das mudanças. Sem isso, a inovação vira imposição.

O empreendedor tem papel decisivo nesse ambiente. Se ele trata toda crítica como ameaça, a empresa perde capacidade de aprender. Se centraliza todas as decisões, reduz a participação da equipe. Se confunde tradição com imobilidade, impede a renovação. Se muda tudo sem critério, gera insegurança.

A cultura de inovação exige equilíbrio entre abertura e direção. É preciso ouvir, mas também decidir. Experimentar, mas também medir. Respeitar a história, mas também corrigir aquilo que já não serve.

A inovação saudável nasce em ambientes onde há responsabilidade para propor, critério para escolher e disciplina para executar.



O erro de confundir inovação com tecnologia

Outro ponto importante é não reduzir inovação à tecnologia. Tecnologia pode ser uma grande aliada, mas não é a única forma de inovar.

Uma empresa pode inovar no atendimento, no processo comercial, na forma de treinar pessoas, na logística, na experiência do cliente, no modelo de cobrança, na organização interna, na comunicação, na gestão de estoques, no pós-venda ou na maneira de tomar decisões.

Às vezes, uma inovação simples gera impacto maior do que uma ferramenta sofisticada. Um processo mais claro, uma rotina melhor desenhada, uma reunião mais objetiva, uma política comercial mais bem definida ou um atendimento mais humano podem produzir ganhos reais.

A inovação deve ser julgada pelo valor que cria, não pelo brilho aparente da novidade.

Essa compreensão é essencial para o empreendedor, porque impede que a empresa busque modernidade apenas na aparência, sem melhorar aquilo que realmente sustenta sua operação.



O empreendedor como organizador da inovação

O empreendedor não precisa ser inventor para inovar. Precisa ser observador, disciplinado e capaz de organizar a empresa para transformar oportunidades em valor.

Seu papel é criar ambiente, escolher prioridades, alocar recursos, acompanhar execução e estimular aprendizagem. Isso exige mais do que criatividade. Exige gestão.

A inovação sem gestão pode gerar desperdício. A gestão sem inovação pode gerar acomodação. O desafio está em unir as duas coisas: capacidade criativa e disciplina administrativa.

Quando isso acontece, a empresa se torna mais preparada para enfrentar mudanças, proteger sua relevância e construir sustentabilidade no longo prazo.

O empreendedor que compreende a inovação como processo passa a agir com mais lucidez. Ele não depende apenas de lampejos criativos, nem se perde em modismos. Ele observa, escolhe, organiza, executa e aprende.



Conclusão

A gestão da inovação é uma ferramenta essencial para o empreendedor que deseja conduzir sua empresa com mais método, lucidez e capacidade de adaptação.

A partir da base conceitual apresentada por Tidd (2011) e do processo estruturado por Carvalho, Cavalcanti e Reis (2009), é possível compreender que a inovação não deve ser tratada como improviso. Ela precisa ser conduzida por etapas capazes de transformar ideias em valor real.

Esse processo começa pelo levantamento de oportunidades, passa pela seleção criteriosa, exige definição de recursos, ganha forma na implementação e se fortalece pela aprendizagem. Assim, a inovação deixa de ser apenas discurso e passa a integrar a prática administrativa da empresa.

Empresas que inovam com método não dependem somente de criatividade ocasional. Elas constroem um modo de pensar, decidir e melhorar continuamente. E, em mercados cada vez mais competitivos, essa capacidade pode representar a diferença entre permanecer relevante ou ficar à margem das mudanças.

Inovar, portanto, não é apenas fazer algo novo. É fazer melhor aquilo que precisa continuar gerando valor.

Bom trabalho e grande abraço.

Adm. Rafael José Pôncio




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        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

sábado, 18 de julho de 2015

Como expandir a mente, desenvolver a criatividade e estimular a inovação


Ser criativo é uma característica importante em qualquer área de atuação ou profissão. E ela tem sido cada vez mais necessária em função da demanda por adaptação em um mundo repleto mudanças aceleradas ao qual fazemos parte.  Mas eu sei, no entanto, que nem todo mundo tem a criatividade latente. Alguns têm essa habilidade mais desenvolvida que outros, além do fato de o nosso potencial criativo diminui com o passar dos anos. Se esse é o seu caso, não se desespere e nem desanime. Existem maneiras de desenvolver a nossa criatividade e expandir a mente. Preparei este artigo com o intuito de esclarecer o conceito de criatividade, mostrar a sua relação com a inovação e listar algumas ações que podem contribuir para a sua evolução nesse campo. É possível despertar a mente criativa e inovadora que há em você na medida em que desenvolve novos aprendizados. Veja só! 

Em que consiste a criatividade?

A criatividade é o processo de estabelecer conexões inéditas e compor ideias originais, trazendo-as para a realidade. É desenvolver um correspondente tangível para o pensamento abstrato e externalizá-lo, caso contrário tudo não passa de imaginação. 


É importante destacar que criatividade não se limita às áreas ligadas a arte, como muitos pensam. Ela pode ser aplicada e é necessária em todo lugar. Criar é uma necessidade da existência humana.

A criatividade pode ser aprendida?

A criatividade não é uma característica inata, ou seja, todos nós temos potencial para desenvolvê-la. É claro que, como qualquer outra habilidade, algumas pessoas têm mais facilidade e a exercem com maior naturalidade. Mas ela pode sim ser aprendida. Veja seguir algumas características comuns entre as mentes criativas. 

As habilidades comuns dos criativos:

  • Capacidade de associação;

  • Questionamento;

  • Observação;

  • Networking;

  • Experimentação.

Por que criar fica mais difícil quando envelhecemos?

Você já se pegou pensando como era criativo quando criança, cheio de ideias e invenções mirabolantes? É natural que o nosso potencial criativo diminua com o passar dos anos. Isso porque, quando crianças, não convivemos com o medo do julgamento e do fracasso, não damos tanta importância às críticas e não tentamos nos adequar a um padrão estabelecido pela sociedade. Precisamos, portanto, fazer o exercício e o esforço de recuperar e desenvolver essa habilidade da criação. 

O papel da criatividade nos negócios

Atualmente, independentemente do setor de atuação, a capacidade de inovação é essencial para as empresas manterem a competitividade. Além disso, incentivar o desenvolvimento criativo é relevante em diversos aspectos no mundo corporativo, já que proporciona impacto positivo na tomada de decisões e na solução de problemas, gera engajamento e melhora a produtividade.  

A relação entre a criatividade e a inovação

Apesar de os conceitos serem diferentes, é importante destacar que não existe inovação sem a criatividade, ela é o principal ingrediente da inovação. E como a inovação é fundamental para o desenvolvimento tecnológico e econômico da sociedade, estimular processos criativos deve ser uma prioridade para negócios que desejam investir em inovação e se destacar.  

De que forma a criatividade pode ser potencializada no intraempreendedorismo?

Nesse sentido, para elevar o potencial criativo e impulsionar a inovação, as empresas devem focar em dois fatores importantes, que influenciam diretamente esses aspectos: o ambiente e a liderança.


Dessa maneira, o ideal é proporcionar um ambiente de trabalho em que as pessoas se sintam confortáveis em compartilhar suas ideias e propor novas soluções, sem medo de errar. Além disso, padrões e processos muito rígidos e burocráticos tendem a inibir movimentos inovadores. As lideranças também precisam estar abertas e dispostas a acolherem as novas ideias, incentivando essa postura proativa das equipes e mantendo canais de comunicação disponíveis. 

Como expandir a mente e desenvolver seu potencial criativo

Aprenda coisas novas e de áreas diversas

Uma forma de desafiar a mente e ter insights é ampliar o leque de conhecimento, se aventurando em diferentes áreas. Assim, além da possibilidade de descobrir novas habilidades, você tem a chance de explorar caminhos alternativos para construir um repertório de ideias e conseguir desenvolver novas soluções. 

Seja observador, questione os padrões e busque maneiras de fazer diferente

As mentes criativas sempre se fazem a seguinte pergunta diante de algo: “de que outra forma isso pode ser feito?”. Portanto, aja sempre como um bom observador, analise o universo ao seu redor, faça questionamentos. São nessas oportunidades que problemas podem ser solucionados e as ideias afloram.

Não tenha medo de errar e experimentar

O medo de errar pode minar a sua criatividade e, consequentemente, o seu potencial de inovação. Isso porque a insegurança e o receio de falhar podem impedir que você tome iniciativas mais ousadas e experimente coisas “fora da caixa”, que poderiam contribuir para o desenvolvimento e a expansão da mente. 

Exercite suas habilidades e identifique o seu comportamento criativo

O que favorece o seu processo criativo? Busque fazer essa conexão e tente explorar os meios e maneiras em que você identifica que sua criatividade mais se aflora. Além disso, pratique o que você faz de melhor. Ao exercitar suas habilidades, existe a tendência de você se entregar ao chamado estado de flow, um momento de total engajamento que é extremamente favorável ao processo criativo. 

Consuma arte e acompanhe tendências

É importante ter fontes criativas para expandir a mente e estimular a sua própria criatividade e caminhos para inovação. Por isso, leia livros, assista filmes, séries, ouça músicas, visite exposições. Também se mantenha atualizado e fique por dentro do que está em alta na mídia, redes sociais e meios de consumo.  

Reserve momentos de pausas e descanso 

Com certeza você já ouviu falar do ócio criativo, não é mesmo? Hoje, vivemos em uma busca incessante pela produtividade a qualquer custo, ignorando que momentos dedicados ao lazer e ao descanso também são importantes para estimular o nosso potencial criativo. Uma mente descansada é essencial para o estabelecimento de novas conexões no cérebro e para a criação. 


Essas são ações simples que podem lhe ajudar a ser mais criativo e a expandir a mente, já que observamos hoje essa demanda, e até exigência, por perfis criativos por parte das empresas, pensando em estratégias para desenvolver a inovação. Acredito que essa seja uma tendência duradoura, já que precisamos pensar em soluções para as novas necessidades da sociedade. E aí? Qual será a sua próxima ideia? Bom trabalho e grande abraço. Adm. Rafael José Pôncio




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