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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Praxiologia: a economia começa quando o homem age

Praxiologia: a economia começa quando o homem age

Entenda a praxiologia na Escola Austríaca e por que a economia começa na ação humana, nas escolhas e na responsabilidade individual.


Praxiologia: a economia começa quando o homem age


A economia antes dos gráficos, índices e decretos

Antes de qualquer gráfico, estatística, política pública, relatório econômico ou decisão de governo, existe uma realidade mais simples e mais profunda: o ser humano age. Ele escolhe, compara, prefere, renuncia, busca, troca, poupa, investe, consome, espera, arrisca, corrige e recomeça.

É nesse ponto que a praxiologia se torna uma das ideias mais relevantes da Escola Austríaca de Economia. Ela parte de uma constatação elementar: o homem não vive apenas reagindo de forma automática ao mundo. Ele age com finalidade. Ele percebe uma situação que considera insatisfatória e procura transformá-la em outra condição que julga melhor.

A economia, portanto, não começa no Estado, no ministério, na planilha pública ou na caneta normativa. Começa na ação humana concreta. Começa no indivíduo que decide levantar mais cedo para trabalhar, no comerciante que ajusta seu preço, no agricultor que escolhe o que plantar, no investidor que compara risco e retorno, na família que adia uma compra, no empreendedor que enxerga uma oportunidade antes dos demais.

A praxiologia recorda algo que muitas vezes se perde nas análises abstratas: a economia é feita por pessoas reais, com expectativas, limitações, preferências, medos, prudência, ambição, responsabilidade e capacidade de julgamento.



O que é praxiologia

A palavra praxiologia pode parecer técnica, mas sua ideia central é bastante clara: trata-se do estudo da ação humana intencional. Na tradição austríaca, especialmente em Ludwig von Mises, a ação humana é o ponto de partida da ciência econômica.

Agir significa escolher meios para alcançar fins. O indivíduo age porque deseja sair de uma condição menos satisfatória para uma condição considerada melhor. Essa melhora pode ser material, moral, familiar, profissional, intelectual ou espiritual. O ponto essencial é que há intenção, escolha e finalidade.

Uma pessoa que compra um produto revela uma preferência. Uma pessoa que deixa de comprar também revela uma preferência. Um empresário que investe revela expectativa. Um empresário que não investe revela prudência, receio ou leitura negativa do ambiente. Um trabalhador que muda de cidade revela busca por oportunidade. Uma empresa que fecha revela que algo se tornou economicamente inviável.

A ação humana é, portanto, carregada de informação. Cada decisão comunica algo sobre valor, escassez, tempo, risco e prioridade. Por isso, a economia não pode ser compreendida apenas como uma soma de números. Os números são importantes, mas eles aparecem depois da ação. Primeiro o homem age; depois os dados registram parte do que aconteceu.

Essa percepção torna a praxiologia uma ferramenta intelectual poderosa para compreender mercados, empresas e decisões patrimoniais.



Ação não é mero comportamento automático

Um ponto importante é distinguir ação de comportamento automático. Respirar, piscar ou reagir instintivamente a um susto não é o mesmo que agir no sentido praxiológico. 

A ação humana envolve propósito. Ela exige algum grau de consciência, escolha e direção.

Quando alguém decide abrir uma empresa, trocar de emprego, vender um imóvel, poupar dinheiro, comprar ações, construir um galpão, plantar uma lavoura ou iniciar um novo projeto, essa pessoa está avaliando alternativas. Mesmo quando decide mal, ela ainda age tentando alcançar um fim que, naquele momento, julgava desejável.

A praxiologia não parte da ideia de que o ser humano sempre acerta. Pelo contrário, o erro faz parte da ação humana. O indivíduo pode avaliar mal o mercado, subestimar custos, exagerar expectativas, ignorar riscos ou agir movido por vaidade. Ainda assim, sua conduta permanece compreensível como ação: ele escolheu meios acreditando que chegaria a determinado fim.

Essa visão é valiosa porque impede uma leitura mecanicista da economia. Pessoas não são peças de um tabuleiro. Famílias não são variáveis sem rosto. Empresas não são apenas linhas de balanço. Mercados não são máquinas obedientes a comandos externos. A economia é uma ordem viva, formada por incontáveis decisões humanas.



Escassez, escolha e renúncia

Toda ação ocorre em um mundo de escassez. Se os recursos fossem infinitos, não haveria necessidade de escolher. Mas tempo, dinheiro, energia, terra, capital, trabalho e atenção são limitados. Por isso, agir é sempre selecionar uma possibilidade e abandonar outras.

Essa é uma das maiores lições econômicas da praxiologia: toda escolha tem custo. Não apenas custo financeiro, mas custo de oportunidade. Ao fazer uma coisa, deixamos de fazer outra. Ao investir em determinado ativo, deixamos de aplicar em outro. Ao construir, deixamos de manter liquidez. Ao poupar, adiamos consumo. Ao consumir, reduzimos poupança. Ao crescer sem método, abrimos espaço para desordem.

Escassez, escolha e renúncia

Essa realidade vale para a vida pessoal, para a empresa, para o patrimônio e para o governo. Nenhuma decisão séria escapa da renúncia. O problema é que muitas análises econômicas tratam escolhas como se bastasse desejar resultados. A praxiologia recoloca a questão no lugar correto: desejar não basta; é preciso escolher meios adequados, reconhecer limites e aceitar consequências.

No mundo empresarial, essa percepção é decisiva. O empreendedor que ignora a escassez confunde movimento com progresso. A empresa que ignora o custo de oportunidade pode crescer em tamanho e empobrecer em qualidade. O investidor que ignora a renúncia pode acumular ativos sem construir verdadeira segurança patrimonial.

A boa decisão começa quando o homem reconhece que não pode ter tudo ao mesmo tempo.



O valor nasce da avaliação humana

A praxiologia se conecta diretamente a outro fundamento da Escola Austríaca: a teoria subjetiva do valor. As coisas não têm valor econômico apenas por existirem. Elas passam a ter valor porque alguém as considera úteis para determinado fim.

Um terreno pode ser irrelevante para uma pessoa e estratégico para outra. Um galpão pode ser apenas uma construção para quem olha de fora, mas pode representar eficiência logística para uma empresa. Uma floresta em pé pode ser vista como área improdutiva por uma mentalidade imediatista, enquanto outra visão pode enxergar preservação, permanência, valor ambiental e inteligência patrimonial. Um imóvel parado pode parecer segurança, mas talvez esteja destruindo capital silenciosamente por baixa rentabilidade, vacância ou ausência de função econômica.

O valor, portanto, depende da avaliação feita por quem age. Isso não significa que o valor seja arbitrário ou fantasioso. Significa que ele passa pela utilidade percebida, pela finalidade buscada e pelas circunstâncias concretas da decisão.

Essa ideia tem grande importância para a vida econômica. Ela explica por que o mercado é um processo de descoberta. Preços, lucros e prejuízos ajudam a revelar se os recursos estão sendo usados de maneira coerente com as preferências das pessoas. Quando o consumidor compra, aprova. Quando deixa de comprar, reprova. Quando o mercado paga mais por algo, envia um sinal. Quando rejeita, também comunica.

Na praxiologia, a economia deixa de ser apenas uma engenharia de quantidades e passa a ser uma leitura das escolhas humanas.



O empreendedor como agente da ação

Poucas figuras representam tão bem a ação humana quanto o empreendedor. Ele age antes da certeza. Observa sinais incompletos, interpreta mudanças, calcula riscos, organiza recursos, combina pessoas, assume responsabilidades e tenta antecipar necessidades futuras.

O empreendedor não vive no mundo perfeito das fórmulas prontas. Ele decide sob incerteza. Muitas vezes, precisa agir sem garantia de aceitação do mercado, sem confirmação plena da demanda e sem proteção contra o erro. Por isso, o lucro não é apenas uma recompensa automática. Ele pode ser interpretado como resultado de uma leitura superior das circunstâncias, da correta alocação de recursos e da capacidade de servir melhor às necessidades de outras pessoas.

Da mesma forma, o prejuízo também ensina. Ele revela que houve erro de cálculo, má leitura do mercado, custo excessivo, produto inadequado, gestão frágil ou desalinhamento entre oferta e demanda. O mercado, nesse sentido, não é apenas um espaço de troca; é também um ambiente de aprendizado.

A praxiologia ajuda a compreender que empreender não é apenas “abrir um negócio”. É agir em direção a um fim, assumindo os custos da própria decisão. O empreendedor de verdade não apenas deseja resultados; ele organiza meios, enfrenta incertezas e responde pelas consequências.

Essa é uma das razões pelas quais a Escola Austríaca valoriza tanto o papel do empreendedor. Ele é o agente que transforma percepção em ação, risco em projeto e oportunidade em realidade econômica.



O problema do planejamento central

Se a economia nasce da ação humana, então surge uma pergunta inevitável: como um planejador central poderia substituir milhões de decisões individuais?

A praxiologia ajuda a revelar os limites de qualquer tentativa de organizar a sociedade de cima para baixo. Nenhum órgão central consegue conhecer plenamente as preferências, expectativas, urgências, capacidades e circunstâncias de todos os indivíduos. O conhecimento econômico está disperso. Ele aparece nas escolhas concretas, nas tentativas, nos erros, nos preços, nas trocas e nas adaptações diárias.

Quando uma autoridade tenta impor artificialmente aquilo que deveria emergir da ação humana livre, ela corre o risco de sufocar os sinais que permitem a coordenação econômica. Preços deixam de comunicar escassez real. Incentivos se distorcem. Recursos são direcionados por critérios políticos, e não necessariamente por utilidade econômica. O resultado costuma ser desperdício, desorganização e empobrecimento silencioso.

Isso não significa defender ausência de ordem, contrato ou responsabilidade institucional. Pelo contrário. A vida econômica precisa de segurança jurídica, propriedade respeitada, regras claras, cumprimento de contratos e ambiente de confiança. O problema está em confundir ordem com controle absoluto. Uma sociedade pode ter instituições sólidas sem transformar a economia em um projeto burocrático centralizado.

A praxiologia ensina que a economia é uma ordem formada por ações humanas.

Quando se ignora isso, tenta-se substituir a realidade viva por uma abstração administrativa.



Ação humana e responsabilidade

Há também uma dimensão moral na praxiologia. Se o homem age, ele escolhe. Se escolhe, responde por suas escolhas. Essa responsabilidade é central para qualquer sociedade madura.

A cultura contemporânea muitas vezes tenta separar decisão de consequência. Quer os benefícios da liberdade sem o peso da responsabilidade. Quer o direito de escolher sem aceitar os custos da escolha. Quer prosperidade sem disciplina, crescimento sem poupança, empresa sem gestão, patrimônio sem método e consumo sem renúncia.

A praxiologia não permite essa ingenuidade. Ela recorda que toda ação tem estrutura: o agente, o fim, os meios, o tempo, o custo e a consequência. Ninguém age no vazio. Toda decisão produz efeitos sobre a própria vida e, muitas vezes, sobre a vida de outras pessoas.

Ação humana e responsabilidade

Na empresa familiar, por exemplo, a ausência de método também é uma forma de ação. Não decidir é decidir. Adiar uma sucessão é agir em favor do risco. Misturar família, propriedade e gestão sem critério é agir em direção à confusão. Crescer sem governança é escolher a expansão aparente em troca da fragilidade futura.

A praxiologia, aplicada à vida empresarial, ensina que toda estrutura nasce de decisões repetidas. Uma empresa ordenada não surge por acidente. Um patrimônio sólido não se forma por improviso. Uma sucessão bem conduzida não acontece apenas porque a família deseja continuidade. Tudo isso exige ação consciente.



Por que esse tema importa hoje

Em uma época marcada por excesso de opinião, pressa informacional e crença exagerada em soluções centralizadas, a praxiologia oferece uma volta ao fundamento. Ela nos obriga a perguntar: quem age, com qual finalidade, usando quais meios, assumindo quais custos e produzindo quais consequências?

Essa pergunta é útil para a economia, mas também para a vida. Ela serve ao investidor, ao empresário, ao administrador, ao estudante, ao governante prudente e ao cidadão comum. Toda decisão séria pode ser examinada por esse critério.

Quando um investidor prefere manter capital em uma aplicação conservadora em vez de construir um ativo real, essa escolha comunica algo. Quando uma empresa adia expansão, comunica algo. Quando consumidores reduzem compras, comunicam algo. Quando empreendedores deixam de investir, comunicam algo. O mercado fala por meio da ação humana.

A inteligência econômica está em aprender a ler esses sinais. Não apenas os sinais oficiais, mas os sinais vivos da realidade. O que as pessoas fazem, deixam de fazer, compram, vendem, evitam, procuram e abandonam diz muito sobre o estado de uma economia.

Por isso, a praxiologia continua atual. Ela impede que a economia seja reduzida a discurso político, planilha técnica ou abstração acadêmica. Ela devolve a economia ao seu ponto de origem: o homem em ação.



Conclusão

A praxiologia é uma das contribuições mais importantes da Escola Austríaca de Economia porque coloca a ação humana no centro da análise. Ela nos lembra que a economia não é uma máquina controlada por decretos, mas uma ordem formada por escolhas, preferências, renúncias, erros, aprendizados e responsabilidades.

Antes do preço, existe a avaliação. Antes do investimento, existe a expectativa. Antes da troca, existe a preferência. Antes do mercado, existe o homem agindo.

Compreender a praxiologia é compreender que a economia começa na decisão humana concreta. E quando essa decisão é livre, responsável e orientada por sinais reais, a sociedade encontra melhores condições para coordenar recursos, corrigir erros e produzir prosperidade.

A economia começa quando o homem age. Mas a boa economia começa quando o homem age com responsabilidade, critério e respeito à realidade.

Bom trabalho e grande abraço.

Rafael José Pôncio




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        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       


terça-feira, 23 de maio de 2023

27 de maio: O Dia do Profissional Liberal


Introdução 

Max Weber, um dos maiores sociólogos do século XX, escreveu certa vez que o trabalho dignifica o ser humano. Isso significa, em poucas palavras, que não deve-se encarar o labor como um sacrifício ou mesmo um castigo, mas sim como uma ferramenta que pode nos levar ao auto aperfeiçoamento. Podemos admitir que essa visão seja um tanto quanto otimista para os dias atuais, afinal, o senso comum nos diz que trabalhar é sinônimo de desgaste, obrigações e, em síntese, de infelicidade. 

Não acreditamos nisso. É fundamental compreender a verdadeira natureza do trabalho e seu caráter libertador. Seja através de um ofício manual, de um exercício intelectual ou mesmo a partir de uma técnica rebuscada, é graças ao trabalho que podemos desenvolver habilidades, conexões e produzir algo único para o mundo. Pensando por esse ponto de vista, o trabalho é capaz de dignificar por revelar a natureza única do ser humano, que é a capacidade de exercitar a razão e inovar, construindo para si e para seus semelhantes uma nova realidade. 

Acreditando nessa perspectiva mais profunda sobre o trabalho, dedico-vos um texto para refletir sobre um tipo especial de trabalhador: o profissional liberal. 

O que é um profissional liberal? 

Apesar de ser um conceito “jovem”, criado a partir da lógica fabril do século XVIII, a história do trabalho está diretamente ligada a esses tipos de trabalhadores. Ao longo da história da humanidade diversas civilizações chegaram ao seu auge e declínio a partir do esforço conjunto de seus cidadãos. Nesse contexto, existiram diversos modelos de trabalho: desde o escravo, baseado no trabalho compulsório e obrigatório, até aqueles associados diretamente ao Estado e suas diferentes necessidades. Porém, ainda havia aqueles que por conta própria resolveram empreender e aventurar-se no mundo do trabalho por conta própria. Esses, nos tempos idos, foram caixeiros viajantes, comerciantes, artesãos, ferreiros, médicos e tantos outros ofícios importantes para o desenvolvimento de uma sociedade. 

Todos esses profissionais foram chamados de “trabalhadores livres”, afinal, não eram escravos, mas também não estavam ligados diretamente com a função do Estado e não eram pagos pelos governantes. Salvaguardando todas as diferenças entre o nosso mundo atual e a antiguidade, é importante perceber que esse tipo de função sempre foi comum e natural, pois o trabalho é a maneira mais antiga de garantir a sobrevivência humana. 

Como sabemos, somos seres associativos e por conta disso somos dependentes do trabalho alheio. Não precisamos ir tão longe para notar a cadeia produtiva que cerca o trabalho.

Desde o mais humilde agricultor até o executivo de uma multinacional, todos os ofícios são relevantes e impactam diretamente no bem-estar da nossa sociedade moderna. Dentro dessa perspectiva, o profissional liberal também é um agente que contribui para a melhoria de serviços e produtos. Ainda assim, o que o diferencia dos trabalhos comuns? 

Trazendo a discussão para os tempos atuais, chamamos de “profissionais liberais” aqueles indivíduos que desempenham funções para pessoas físicas ou jurídicas de maneira independente, ou seja, sem estar diretamente ligados ao quadro de funcionários de um empreendimento. Por não estarem “ligados” a uma empresa, podendo assim oferecer seus serviços para diversos clientes, esses profissionais são chamados de liberais. Outro ponto que devemos ressaltar ao tratar de profissionais liberais é o fato destes prestarem serviços técnicos ou intelectuais em sua área de atuação. Dessa maneira, médicos, advogados, professores, jornalistas, e, enfim, praticamente todas as profissões podem exercer seus ofícios de forma liberal. 

27 de maio: o dia do profissional liberal 

A data estabelecida para comemorar o dia do profissional liberal não é fruto do acaso. Em 1954, em plena crise do governo Getúlio Vargas, foi sancionada o Decreto de Lei nº 35.575 no qual reconhecia a Confederação Nacional dos Profissionais Liberais, a CNPL. Desse modo se institucionaliza e cria-se uma regulação própria para esses profissionais, separando-os do trabalho informal. 

Graças às novas dinâmicas de trabalho, os profissionais liberais ganharam mais espaço no mundo corporativo. Se até meados do século XX pensava-se que o futuro era um emprego fixo fazendo parte do quadro de funcionários de uma empresa, seja ela estatal ou privada, nos dias atuais vemos um fenômeno de cada vez mais abertura para a atuação de profissionais liberais junto a equipes fixas. Isso porque com modelos de contratação mais flexíveis é possível dinamizar as relações de trabalho à medida que novos cenários vão acontecendo. Desse modo, por exemplo, uma empresa que recebe uma alta demanda pode recorrer ao uso de profissionais liberais para ajustar a carga de trabalho com sua equipe regular, fazendo assim com que a demanda seja cumprida. 

Além de importantes nesses momentos de sobrecarga, profissionais liberais muitas vezes são requisitados em demandas pontuais como consultorias e produção de laudos ou outro tipo de material para empresas ou pessoas físicas. Trata-se, nesses casos, do desenvolvimento de projetos que não estão atrelados diretamente com o dia a dia da empresa, dando assim liberdade para a inovação e criação. Observando esses aspectos é possível entender que, de fato, a liberdade dessa modalidade de trabalho permite com que novas dinâmicas sejam produzidas dentro dos mais diversos setores da economia. As possibilidades, nesse caso, são inúmeras a depender da capacidade de produção do profissional em questão. 

Visto isso, é comum elencar uma série de vantagens e desvantagens sobre o profissional liberal. Há quem argumente, por exemplo, sobre as poucas leis que favorecem essas pessoas quando comparadas aos empregos do tipo “CLT”. De fato, as proteções e garantias da CLT são vastas frente aos benefícios legais do trabalho liberal, entretanto, os deveres e obrigações do trabalho liberal também são vantagens interessantes em um mundo cada vez mais dinâmico e móvel, em que a todo momento as pessoas precisam estar em mais lugares. Com o avanço do “home office”, por exemplo, o estilo de vida de um profissional liberal tem atraído cada vez mais pessoas, principalmente os jovens em começo de carreira, pelas oportunidades ao seu redor e pelas experiências que podem ser adquiridas nesse processo.

O avanço, no Brasil, dos microempreendedores individuais, os MEI, é uma prova desse fenômeno. É evidente que em um cenário em que não é possível uma empresa custear todos os trabalhadores em uma formato CLT, empreender se torna uma solução necessária e que pode despertar o interesse em diversas habilidades. Dito isso, o profissional liberal certamente não nasce pronto e percorre uma trilha de evolução dentro de suas áreas ao longo de anos, podendo chegar a montar um empreendimento robusto. Contudo e conhecendo a realidade trabalhista do Brasil, é fato que uma das alternativas encontradas por aqueles que estão sem um emprego formal é criar sua nova carreira e criando assim sua própria micro empresa. 

Conclusão 

Ser um profissional liberal, portanto, é desfrutar dos prazeres e das tarefas do trabalho em sua mais franca realidade. Nesses casos o empreendedorismo é uma chave mestra que possibilita abrir várias portas, pois um grande empreendedor jamais deixa-se perder a liberdade em troca de benefícios. Ao contrário desse pensamento, quem ama empreender entende os riscos de sua profissão e não se deixa levar pela comodidade, características que um verdadeiro profissional liberal jamais terá. 

Ser livre, afinal, é escolher realizar seus deveres, mesmo que o cansaço, a preguiça ou qualquer outro desejo tente lhe impedir. Só pode ser verdadeiramente livre aquele que age conforme sua vontade mais sublime e atemporal. Desse modo, devemos celebrar o dia do profissional liberal entendendo que o trabalho não é uma questão somente de sobrevivência, muito menos um fardo a ser carregado, mas sim uma das mais perfeitas ferramentas que a vida proporcionou para a nossa espécie. Que possamos viver plenamente este dia com este pensamento. 

Bom trabalho e grande abraço! 

Rafael José Pôncio, PROF. ADM.




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Sobre Virtudes e Empreendedores


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terça-feira, 22 de março de 2022

Quer ser um empreendedor inovador e criativo? Consuma arte e acompanhe tendências

Como empreendedores, em muitos momentos nos sentimos sem saída diante de algum desafio, estagnados em problemas que parecem não ter solução. Nesses casos, parece que as ideias se esvaem e não conseguimos pensar de forma diferente e inovadora. 

Nesse sentido, uma das habilidades mais importantes e requisitadas atualmente, entre profissionais de qualquer área, é a criatividade. Se engana quem pensa que ser criativo é importante somente para profissionais que desenvolvem atividades artísticas, designers, arquitetos, etc. 

Ter criatividade é fundamental para qualquer área, especialmente para empreendedores. Ela é base para inovação e importante para estimular o pensamento fora da caixa. Além disso, permite que você reflita e aja de forma estratégica diante de impasses e problemas comuns ao dia a dia do negócio. 


Mas, como ser um empreendedor mais criativo? Neste texto, apresento uma das táticas que considero muito eficaz nesse propósito: consumir arte e acompanhar tendências. Entenda a razão a seguir!

A importância da criatividade para empreendedores e gestores

Como destaquei, a criatividade é uma das habilidades mais necessárias a serem desenvolvidas pelos profissionais de qualquer área. É importante expandir a mente e ter recursos para lidar com situações adversas, bloqueios criativos e falta de ideias para alcançar melhores resultados. E isso faz parte da rotina de empreendedores e gestores. 


Para sermos mais criativos, precisamos formar conexões a partir de um repertório de memórias, transformando essas conexões em ideias. É necessário concentração e compromisso para exercer a criatividade ao utilizar o nosso repertório de referências, que precisa ser constantemente alimentado. Nesse sentido, o estresse pode ser um obstáculo nesse objetivo, pois o cérebro limita o espaço para a criatividade nesses momentos de esgotamento.  

Criatividade como propulsora da inovação

Sem criatividade, não há inovação. Ela é um pré-requisito para que ideias disruptivas ou soluções de vanguarda ganhem espaço no mercado. Dessa maneira, a mente criativa consiste em um potencial de avanço. A partir da nossa capacidade de fazer associações e elaborar ideias, necessidades e demandas podem ser supridas e oportunidades de negócio vislumbradas. Como desenvolver e potencializar o surgimento de ideias inovadoras? Aumentando constantemente o seu repertório de memórias e referências. Veja um pouco mais sobre isso a seguir. 

Estratégia para desenvolver essa habilidade: consumir arte e acompanhar tendências

A criatividade pode ser desenvolvida de diversas maneiras. Vários recursos podem ajudá-lo a ser mais criativo no ambiente corporativo e no que se refere à gestão do seu negócio: cursos, escrita, atividades artísticas e manuais, são alguns exemplos. 


Mas uma das maneiras mais eficazes para alimentar a nossa fonte de referências e ideias é consumir a arte e acompanhar as tendências de consumo, comportamento e mercado. A arte tem um papel fundamental no desenvolvimento da criatividade, que explicarei mais adiante com mais detalhes. Mas antes é importante entender o que envolve as etapas da criatividade. 

As etapas da criatividade 


Todo o processo criativo pode ser dividido nas seguintes fases:

  • Preparação: quando organizamos os pensamentos e nos preparamos para articular e focar em uma nova ideia ou criação;

  • Incubação: conectamos memórias, referências, refletimos sobre o objetivo da ação, reunimos, selecionamos e descartamos ideias;

  • Iluminação: é o momento do que chamamos de insight, epifania ou inspiração; quando algo faz sentido em nossa mente;

  • Verificação: nessa última etapa, enxergamos a ideia com mais clareza, começamos a analisar sua viabilidade, a maneira como podemos concretizá-la e a validamos. 

Como a arte nos impacta e nos faz pensar

Considerando como se dá o processo criativo, precisamos destacar a importância de enriquecer o nosso repertório, expandindo a nossa mente por meio da arte. Ler, assistir filmes, frequentar exposições, ouvir músicas, assistir peças de teatro, tudo isso contribui para estimular o nosso potencial criativo. A arte é capaz de provocar reações e nos fazer pensar, refletir, questionar padrões e paradigmas, mudar a lógica vigente. Ela é semente para as mentes criativas que contribuem para o progresso. 


De acordo com estudos científicos, quando é estimulado pela arte, o cérebro entra nas frequências theta ou gama. A frequência gama geralmente fica ativa em momentos de resolução de problemas. Já a theta é considerada a frequência dos insights, favorece à fluidez, o chamado estado de flow, característico de processos criativos, assim como dos sonhos e da meditação.  

Como identificar novas tendências

Na relação entre criatividade, empreendedorismo e inovação, destaco a relevância do empreendedor em ser criativo e pensar fora da caixa. Nesse contexto, para que o seu negócio não fique estagnado, perca relevância e permaneça sempre o mesmo, é essencial estar atento às tendências, prestar atenção nas mudanças de comportamento, analisar as novas necessidades do cliente. O ideal é assumir essa postura de estar sempre um passo à frente. Dessa maneira, você contribui para:

  • manter o seu empreendimento relevante no mercado;

  • atingir melhores resultados;

  • favorecer a identificação de um diferencial do seu produto ou serviço;

  • antecipar as demandas do consumidor;

  • gerar competitividade.


Pensando nisso, listei algumas dicas para você acompanhar as tendências e não perder oportunidades de inovar. Veja a seguir nas próximas linhas. 

Analise movimentações fora do comum

Já reparou como as tendências nascem? Geralmente, começam como uma pequena onda que vai ganhando forma e, de repente, há uma mudança de paradigma ou uma necessidade que impacta determinado público ou mesmo a sociedade como um todo. 


É preciso, portanto, ficar atento a essas movimentações fora do comum, que podem ser enormes, como o surgimento das redes sociais, ou mesmo um padrão ou comportamento de consumo.

Acompanhe a visão e avaliação de especialistas

Estudiosos e especialistas de determinada área são os melhores em detectar o que está por vir, já que estão acompanhando de perto essas movimentações que citei anteriormente. Identifique quem são os especialistas mais relevantes do seu mercado ou nicho e fique de olho no que eles estão sinalizando para “não perder o bonde”. 

Observe o que a concorrência está fazendo

Em alguns casos, pode ser que a concorrência descubra o que é tendência e saia na frente. Por isso, é importante acompanhar o que seus concorrentes estão fazendo para se diferenciar. Não para copiar, mas para ter um direcionamento e identificar oportunidades que serão perdidas se você fechar os olhos para o que está sendo feito a sua volta. 

Ouça a opinião e demandas dos seus clientes 

Sempre (sempre!) ouça o que seu cliente tem a dizer. Muitas vezes, as melhores ideias vêm do seu público, que pode lhe mostrar algo que você não está enxergando. Ninguém melhor que o consumidor para apontar necessidades e dizer o que pode ser aprimorado em seu produto ou serviço.


Ser um empreendedor mais inovador e criativo será importante não só para você ter mais oportunidades de negócio, identificar um gap no mercado ou contribuir para revolucionar determinado nicho ou setor. É uma habilidade que também vai ajudá-lo a ter uma gestão com visão mais abrangente e flexível, a estar aberto para o novo e o diferente. Portanto, foque em consumir mais arte e acompanhar tendências e desenvolva todo o seu potencial criativo!


Bom trabalho e grande abraço. Autor: Prof. Adm. Rafael José Pôncio Publicado em: 22 de março de 2022 Especial: artigos no Jornal da Tribuna Link fonte: https://jornaltribuna.com.br/2022/03/quer-ser-um-empreendedor-inovador-e-criativo-consuma-arte-e-acompanhe-tendencias


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sábado, 16 de outubro de 2021

O sucesso depende das nossas atitudes



Existe uma linha tênue entre ser um empreendedor de sucesso e fracassar. As variáveis nem sempre são controláveis. Porém, algumas delas estão bem aqui, em nossas mãos. Talvez a mais importante seja exatamente como agimos. Seja em situações de stress, caos, alta complexidade ou apenas na forma com que tratamos o outro.


Portanto, podemos dizer que o sucesso depende das nossas atitudes, ou de nossa maneira de conduzir relacionamentos nas diversas situações que atravessamos na vida profissional. Certamente, o mesmo acontece em nossa vida pessoal. E é sobre isso que quero falar hoje.


Mas de onde tirei a ideia de tratar sobre este tema? O World Economic Forum prevê que 65% dos empregos não existirão mais daqui a 15 anos. Isso significa que empreender é a chave para a sobrevivência em quase todos os setores. Ou seja, muita gente vai criar novos negócios, trazer novas soluções, mas muita gente vai quebrar. E não queremos isso.


A verdade é que muitos de nós estamos enxergando essas mudanças e desafios desde já. E nos preparando para esses próximos 15 anos, criando ideias e projetos que vão de acordo com as novas necessidades de uma população que se encontra no auge de uma pandemia. Então, que seja o preparo para um futuro de muito sucesso!

 

O que significa sucesso para você?

 

A palavra sucesso carrega significados bastante distintos:

 

  • fazer diferença no mundo;

  • alcançar seus objetivos;

  • poder trabalhar no que se ama;

  • realização;

  • crescer na carreira;

  • concluir projetos;

  • conseguir prover o melhor para sua família.

 

Essencialmente, algo é considerado sucesso quando o resultado esperado dá certo! Mas no fundo, trata-se de um sentimento. Você sente que pertence, que está sendo notado, que seu trabalho faz bem ao próximo e a você mesmo. Isto é, o conceito sucesso vai mudar diariamente, dependendo do seu momento. Mas, para que ele exista, você precisa ter as atitudes certas, e nomeei aqui oito principais ações para o cotidiano profissional, podemos chamar de chaves para o sucesso.


As 8 chaves do sucesso são:

 

  • Determinação;

  • Competência;

  • Paixão;

  • Disciplina;

  • Adaptabilidade;

  • Persistência;

  • Coragem;

  • Uma pequena dose de sorte.

 

Qualquer pessoa consegue claramente enxergar nesta lista de 8 chaves que, tirando a sorte do fator consequência, todas são decisões. Atitudes. Logo, o empreendedor de sucesso é aquele que não conta com a sorte. Mas compreende que a porta só se abre, quando todas as chaves estão em perfeita harmonia e conexão.

 

Ainda que existam métricas claras, como número de clientes, lucro, nível de satisfação dos seus clientes e colaboradores, que possam indicar sucesso ou fracasso do seu negócio, talvez seja mais importante focar em quais são as chaves que você pode ou precisa lapidar melhor. Assim, a garantia de sucesso volta para suas mãos. E você não fica à mercê da sorte!

 

Meu sucesso depende do outro

 

Você pode analisar listas que falam detalhadamente dos maiores empreendedores do Brasil ou até os 20 mais famosos empreendedores do mundo. Cada um deles terá uma frase de impacto, uma lição de vida, e talvez sua própria explicação do que significa sucesso. Mas uma coisa eu te garanto: absolutamente todos dirão que não existe sucesso individual.

Certamente, o time de cada um desses homens e dessas mulheres sempre foi recheado de verdadeiros talentos. Logo, se você quer empreender com sucesso, construa seu próprio exército. E faça o possível para manter um grupo forte e unido. Pense em ações que promovam engajamento! Procure motivar seus colaboradores a caminhar lado a lado com você. Crie modelos de trabalho onde talentos sejam inspiração para os colegas, fortalecendo assim uma cultura de aprimoramento contínuo. 

Afinal, comecei este artigo falando sobre atitudes. Lidere, oriente e motive para que consiga, organicamente, alcançar seus resultados.


Bom trabalho e grande abraço.


Autor: Adm. Rafael José Pôncio

Publicado em: 06 de julho de 2021

Especial: artigos no Espaço Opinião CRA-RJ

Link fonte: https://espacoopiniao.adm.br/o-sucesso-depende-das-nossas-atitudes/
 


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