domingo, 30 de outubro de 2016

Como funciona o Franchising no Brasil


O que é franquia?

É um modelo empresarial baseado na venda de licença de uso de um negócio com marca, know-how, estruturas, rotinas e produtos/serviços desenvolvidos por um franqueador. É uma estratégia de mercado para aqueles que desejam iniciar um novo projeto já com bases mais consolidadas, aplicações testadas e certo reconhecimento pelo público-alvo. Quem adquire esses direitos se torna um franqueado.

O que ser um franqueador?

É ser um empreendedor que concebe, desenvolve e evolui um negócio, que compartilha essa expertise com outros profissionais (franqueados), fornecendo a marca, as normas, a capacitação e todos os insumos necessários para o trabalho. Forma-se assim uma rede que prestará serviços e vendará produtos com os mesmos padrões de qualidade.

O que ser um franqueado?

É ser um empreendedor que detém o direito de uso de uma marca já estabelecida, por meio de licença e contrato concedidos pelo franqueador (aquele que desenvolveu no negócio transformado em franquia).

O Sistema de Franquias

Devido ao grande número de redes hoje espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, é familiar a todos nós. Uma empresa, por ser franquia, terá o direito de utilizar a marca de outra, comercializará seus produtos e serviços e gerará no consumidor a expectativa de ver o mesmo modelo de negócio nos diversos locais onde ele se deparar com aquela marca.

Mas não existe uma definição única para franquia. De forma simplificada podemos dizer que é uma estratégia empresarial para distribuição e comercialização de produtos e serviços e que a franquia de negócio formatado (Business Format Franchising) é a que melhor tem representado os sistemas comercializados hoje em dia.

Esse modelo se caracteriza pela existência de um contrato, no qual uma empresa, detentora de uma marca ou patente (franqueador), utiliza o sistema de franquias para expandir seus negócios, concedendo a outros (franqueados) o direito de uso de sua marca ou patente e de exploração comercial do que tiver sido desenvolvido ou testado por ela. Para reproduzir corretamente o modelo e  se beneficiar de um negócio experimentado e bem sucedido, o franqueado deverá receber orientação para a instalação e operação da unidade franqueada, mantendo o padrão exigido e remunerando a franqueadora pela concessão dos direitos e pela transferência desses conhecimentos.

Termos utilizados

O termo franquia é utilizado tanto para designar o sistema, quanto a pessoa jurídica que participa de uma rede de franquias (a unidade franqueada). O termo franchising é comumente utilizado para designar a estratégia de distribuição e comercialização de produtos e serviços.
Para que uma rede seja criada, o sistema de franquias pressupõe dois participantes: o franqueador e o franqueado.

Franqueador: Pessoa jurídica detentora dos direitos sobre determinada marca ou patente, que formata um modelo de negócio e cede a terceiros (franqueados) o direito de uso desta marca ou patente e do know-how por ela desenvolvido, sendo remunerada por eles pelo uso deste sistema.

Franqueado: Pessoa física ou jurídica que adere à rede de franquias idealizada pelo franqueador, mediante o pagamento de um determinado valor pela cessão do direito de uso da marca ou patente e transferência de know-how, comprometendo-se a seguir o modelo por ele definido.

Royalty: Remuneração periódica paga pelo franqueado pelo uso da marca e serviços prestados pelo franqueador. Geralmente é cobrado um percentual sobre o faturamento bruto.

Taxa de franquia:  (franchise fee ou taxa inicial). É um valor único estipulado pelo franqueador para que o franqueado possa aderir ao sistema, pago na assinatura do pré-contrato ou contrato de franquia. Esta taxa também remunera o franqueador pelos serviços inicialmente oferecidos ao franqueado. Alguns franqueadores cobram um percentual da taxa de franquia no momento da renovação do contrato.

Fundo de Propaganda: (ou fundo de promoção). Montante referente às taxas de publicidade pagas pelos franqueados e pelas unidades próprias dos franqueadores e que deve ser utilizado para ações de marketing que beneficiem toda a rede. Em geral, o franqueador é o administrador do fundo, mas deve prestar contas periódicas aos franqueados.

Conselho de Franqueados: Tem caráter consultivo e é constituído pela franqueadora e por um grupo de franqueados principalmente para a administração do Fundo de Propaganda.

Circular de Oferta de Franquia: Documento que, segundo a legislação brasileira, deve ser entregue pelo franqueador ao candidato a franqueado até 10 dias antes da assinatura do pré-contrato, contrato ou pagamento de qualquer valor. Em resumo, ela deve ser entregue por escrito e ser redigida de forma clara, contendo as informações sobre a franquia, a rede de franqueados e tudo o que será exigido do franqueado antes e após a assinatura do contrato de franquia.

Licenciamento de uso de marca X contratos de franquia: Muitos empresários confundem contratos de franquia com licenciamento de uso de marca. Algumas diferenças podem ser apontadas para facilitar este entendimento.
  • Os contratos de licenciamento, para que tenham validade perante terceiros, têm que ser averbados/registrados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Nas franquias, a averbação é facultativa para contratos internos e só é necessária para os contratos cujos franqueadores sejam domiciliados no exterio
  • As franquias são regidas pela Lei 8.955/94, também conhecida como a Lei de Franquias. É um contrato mais complexo que o de licenciamento de marca e inclui a transferência de know-how e uma série de direitos e obrigações entre as partes, o que permite ao franqueado replicar o modelo de negócio.
  • Os contratos de franquia incluem o licenciamento da marca, mas não se resumem a isso.
  • A Lei de Franquias determina que o franqueado receba a Circular de Oferta de Franquia (COF).
  • Contratos de licenciamento podem ser questionados na justiça e considerados uma forma disfarçada de franquia se incluir a transferência de know-how e o cumprimento de exigências típicas dos contratos de franquia empresarial.

Gestão e atuação


Por essas e outras razões, tanto detentores de marcas e patentes, quanto àqueles que desejam ter o direito de comercializá-las, precisam saber claramente, na hora de redigir ou analisar o contrato, se estão diante de um simples licenciamento do direito de uso da marca ou se está caracterizada a transferência de um modelo de negócio formatado, neste caso, uma franquia.

Tipos de franquia

Para expandir sua marca, o franqueador pode optar por diversos tipos de franquias, escolhendo a que melhor atenda à sua estratégia de crescimento. De acordo com os locais onde pretende atuar e as responsabilidades que pretende transferir, ele poderá escolher o tipo de contrato a ser firmado com os franqueados e o papel que estes terão na expansão da franquia.
Desta forma podemos destacar alguns modelos de franquia, como:

Franquia Unitária: Cessão de direito de abertura de uma unidade, com exclusividade de atuação em local determinado pelo franqueador. Exemplo: uma loja ou quiosque em um determinado Shopping Center.  O mesmo franqueado pode adquirir outras franquias unitárias, dependendo de sua capacidade financeira, desempenho alcançado e plano de expansão do franqueador.

Franquia Master: Modelo comumente utilizado nos planos de internacionalização de franquias e em países de grandes dimensões geográficas, como o Brasil. O Master Franqueado (ou Sub Franqueador) assina um contrato que lhe dá o direito de implantar ou terceirizar outras unidades franqueadas em uma determinada região. Neste caso, os contratos serão assinados pelo Master Franqueado e ele receberá parte do valor da taxa de franquia e dos royalties cobrados dos franqueados, responsabilizando-se pelo treinamento e suporte a eles.

Franquia de Desenvolvimento de Área: Cessão de direito para exploração de uma determinada região, onde o franqueado abrirá mais de uma unidade em um determinado espaço de tempo. Será firmado um contrato para o desenvolvimento da área e para cada unidade que ele abrir. O desenvolvedor de área também poderá vender unidades em sua região, recebendo parte do valor cobrado a título de taxa de franquia e royalties. Todos os contratos serão firmados com o franqueador.

As microfranquias: As microfranquias são caracterizadas por exigirem um baixo investimento inicial de até R$ 80 mil (em 2016), terem um baixo custo operacional e uma operação simplificada, em atividades que podem ser realizadas pelo próprio franqueado e, muitas vezes, sem exigência de um ponto comercial.  Geralmente o franqueado pode operá-la de sua própria residência ou se deslocar até o endereço do cliente para atendê-lo, sendo, nestes casos, chamadas de “home based”. Devido ao seu baixo custo, o retorno do capital investido ocorre mais rapidamente do que em franquias mais caras, mas o faturamento tende a ser compatível com o investimento feito. Na compra de uma microfranquia é importante observar se há exigência de um volume de compras mensais de produtos do franqueador e  cobrança de qualquer taxa ou cumprimento de qualquer exigência se um determinado limite de faturamento for alcançado.  São informações que precisam estar discriminadas na COF - Circular de Oferta de Franquia e estas condições não podem comprometer a sustentabilidade do negócio. Essas franquias também são regidas pela Lei 8.955/94 – Lei de Franquias e todas as taxas a serem pagas têm de estar previstas em contrato e redigidas de forma clara na Circular de Oferta de Franquia (COF), para que o candidato a franqueado possa analisá-las antes do pagamento de qualquer valor. Esse tipo de franquia pode significar uma boa oportunidade, especialmente para empreendedores iniciantes, sem experiência, com poucos recursos para investir e que desejam contar com o reconhecimento da marca e o apoio oferecido pelas franquias. Mas, como toda franquia, antes de efetuar a compra é imprescindível que o candidato a franqueado analise alguns pontos: se o seu perfil se enquadra neste modelo de franquia, cuja operação requer a participação direta do franqueado no dia a dia da empresa, as condições da franquia quanto ao reconhecimento da marca, sua experiência de mercado, suporte oferecido à rede, satisfação dos franqueados e viabilidade econômico-financeira do negócio.

A remuneração do sistema
Ao optar pela franchising, inicialmente o franqueador investe para que seu modelo de negócio seja formatado e comercializado como franquia. Com a venda das primeiras unidades franqueadas ele começa a ser ressarcido por este investimento.

A Taxa de Franquia é a primeira taxa paga pelo franqueado. Ela é um valor fixo e cobrado uma única vez quando do ingresso do franqueado na rede. Esta taxa remunera o franqueador pelos treinamentos, elaboração dos manuais e todo tipo de assistência necessária à abertura de sua unidade. Durante a vigência do contrato outras taxas serão cobradas mensalmente, como os Royalties e o Fundo de Propaganda.

Os Royalties costumam corresponder a um percentual sobre o faturamento bruto da unidade franqueada, girando em torno de 5 a 10% deste valor, mas também podem ter um valor fixo mensal estipulado, estar embutidos nos produtos fornecidos pelo franqueador e, mais dificilmente, serem cobrados sobre as receitas líquidas. Os Royalties ressarcem o Franqueador pelo uso do sistema, direito de uso da marca e serviços prestados ao Franqueado durante a vigência do contrato.

Já o Fundo de Propaganda, valor pago mensalmente pelos franqueados para custear ações de marketing, não deve ser considerado como receita do franqueador, e sim uma antecipação de despesas. A administração do fundo pode ser feita por ele ou por um Conselho de Franqueados (ou Conselho de Marketing). Os valores devem, preferencialmente, ser depositados em uma conta específica para este fim, permitindo que seja contabilizado à parte e sua utilização divulgada de forma transparente para toda a rede. A lei não determina como deve ser feita esta prestação de contas, nem exige a participação do franqueador para a sua composição.

Legislação do Setor

Ser um franqueado consiste em receber a cessão do direito de uso da marca/patente e outros direitos com atuação empresarial autônoma. Ou seja, os estabelecimentos são independentes entre si.
O crescimento acelerado do Sistema de Franchising no Brasil, em meados dos anos 1990, tornou necessária a criação da Lei nº 8955/94, específica para essa área.
A Lei de Franquias foi elaborada com base no modelo estadunidense e apresenta informações relevantes para o novo franqueado avaliar o negócio ofertado, através da Circular de Oferta de Franquias (COF).
Mas ela é considerada insuficiente para sustentar o setor. Em razão disso, o PLC nº 91/2013 (numeração na Câmara dos Deputados – PL nº 4319/2008), que propõe uma legislação mais completa para a área, está em tramitação no Congresso Nacional, aguardando apreciação do Senado.
A legislação atual também não é muito específica quanto ao Contrato de Franquia, mas entende-se que deve seguir os princípios gerais do Direito Civil, servindo estes como parâmetros para análise, elaboração e interpretação do contrato.

Atuação do Candidato ao uso da Franquia

O empreendedor pode atuar de duas maneiras: como franqueado ou master franqueado.
Os franqueados são aqueles que adquirem a franquia e o direito de uso da marca e todo o sistema formatado pela franqueadora.
Já os master franqueados, além desses direitos, são autorizados a explorar determinada região para expansão do sistema da franquia. Isto é, eles realizam a comercialização de sub-franquias em território determinado, cedendo o direito de utilização da marca e do sistema.
Vale ressaltar que todo franqueado está sujeito a uma análise do perfil por parte da franqueadora, antes que ocorra a transferência da franquia.

Ser Franqueadora

Atualmente, ao iniciar suas atividades, qualquer empresa já pode franquear seu negócio, desde que obedeça à legislação vigente. No entanto, dentre outras alterações, a nova proposta de lei exige, no mínimo, um ano de atuação antes que um empreendimento possa iniciar seu sistema de franquia.

O objetivo é auxiliar as empresas que já estão no mercado, evitando a concorrência com aventureiros e empresas que entram nesse negócio sem estrutura e preparo para oferecer a seus franqueados.

Diferenças

Complementando informações anterior, é importante entender a diferença entre licença de uso da marca e franchising e identificar qual delas está de acordo com o perfil do seu empreendimento. O registro da marca é inerente ao Sistema de Franchising, sendo que a franquia é o sistema pelo qual a franqueadora cede ao franqueado o direito de uso da marca ou patente, associados a outros direitos. Sendo assim, é imprescindível que a marca esteja registrada para que se ingresse no sistema de franchising.

O franchising, além da autorização do uso da marca, impõe a transferência de know-how, de métodos  administrativos e padrões de operação absolutos para o franqueado que ingressa na rede.

Já na licença de uso da marca, existe a autorização para utilização e comercialização da marca, mas não importa na transferência de know-how, oferecendo flexibilidade maior em relação aos métodos administrativos e padrões de operação.

Instrumentos jurídicos

Esses documentos são redigidos de acordo com o que determina a Lei 8.955/94, como a Circular de Oferta de Franquia (COF), o Pré-contrato e Contrato e as características de cada franquia.

Algumas consultorias acrescentam outros documentos, como recibos e protocolos de entrega de documentação para os franqueados ou orientações para filiação da franquia junto à ABF – Associação Brasileira de Franchising.
Pasta Arquivo para formalização:
Ficha Cadastral do Candidato;
  • Documentos e Certidões dos Sócios (para arquivos);
  • COF- Circular de Oferta da Franquia;
  • Contrato de Franquia Unitária ou Contrato de Franqueado Master;
  • Termo de Confidencialidade;
  • Recibo de Protocolo da entrega do Manual do Franqueado.

Manualização

Em seguida serão estruturados os manuais da franquia, tanto os que orientarão os franqueados, quanto os que nortearão os trabalhos a serem executados pela equipe da franqueadora. Aqui será detalhado o projeto arquitetônico e de decoração, serão mapeados os processos, definido o sistema de gestão e tudo o que será objeto de treinamento e de padronização dentro da rede.

Caso ainda não tenha sido feito, é recomendável que esse modelo seja testado em uma unidade-piloto, para que sejam reproduzidas as condições que serão enfrentadas pelos franqueados no dia a dia da operação e para que sejam  feitos os ajustes necessários ao modelo.

Após esses passos, e desde que já esteja estruturada internamente, a empresa já terá condições de pôr em prática seu Plano de Expansão, com a seleção dos candidatos e a venda das franquias.

Avaliando a capacidade de investimento

Erram aqueles que acreditam ser possível implantar uma rede de franquias valendo-se dos recursos que serão captados com a venda das primeiras unidades. Até a rede atingir seu ponto de equilíbrio, será exigida uma sólida capacidade financeira da empresa franqueadora, sem que ela possa contar unicamente com os recursos advindos das unidades franqueadas. Por isso, deve-se avaliar o custo de implantação do Plano de Expansão da franquia, ter uma cuidadosa avaliação da projeção dos resultados e do prazo para o retorno do capital que será investido.

É aconselhável que o franqueador tenha capital próprio para suportar o investimento nas primeiras unidades e que comece a expansão partindo de uma rede regional/nacional para depois atingir outros mercados, como a internacionalização requer maior know-how de franchising, além dos processos padronizados do negócio em si que poderão existir certas complexidades devido a certas culturas e âmbitos jurídicos.

O franqueador precisa estar pronto para dar suporte aos franqueados e, se houver necessidade e for estrategicamente recomendável, até mesmo recomprar uma unidade cujo franqueado queira sair da rede ou cujo contrato tenha sido cancelado.

Caso não tenha estes recursos,  e ainda assim queira iniciar a expansão, o empresário poderá se valer de algumas estratégias para captação de recursos de terceiros, como a busca por um Sócio Investidor ou linhas de financiamento disponibilizadas pelos bancos e agências de fomento, sempre avaliando as condições desses financiamentos e sua capacidade de pagamento para não colocar em risco a saúde financeira da empresa.

Franquear um negócio custa mais caro e é mais demorado do que normalmente se imagina. É preciso cuidar para que o percentual de comprometimento do faturamento não inviabilize a própria empresa.

Processos e estratégias

Devido à importância dos processos para a padronização das atividades nas redes de franquias, torna-se fundamental decidir quais processos devem ser mapeados e incluídos nos manuais que serão entregues à equipe da empresa franqueadora e aos franqueados e que servirão de objeto de análise de conformidade nas consultorias de campo.

Para definirmos quais processos padronizar é preciso conhecer seus impactos junto aos clientes e as vantagens que o franqueador e os franqueados terão em padronizá-los. Processos simplificados e bem estruturados podem reduzir o tempo e os custos envolvidos na execução de uma atividade, serem mais facilmente repassados nos treinamentos e permitirem um melhor acompanhamento da sua execução, gerando um maior controle da qualidade final dos produtos e serviços oferecidos aos clientes.

Mas como priorizar o que deve ser padronizado? Em princípio começando por aqueles processos que trouxerem riscos à segurança, ganhos operacionais e que estejam mais diretamente relacionados com o diferencial competitivo da franquia e, portanto, valorizados pelos clientes.

Cabe lembrar que os processos devem ser integrados e que quando atendem bem ao propósito para o qual foram criados, são mais facilmente assimilados. E, para que os melhores resultados sejam alcançados eles precisam ser flexíveis, visando a sua melhoria e adaptação a novas situações.

Definindo as estratégias

A vontade associada à necessidade de expansão dos negócios é traço comum entre as empresas que pensam no franchising como um canal de distribuição para seus produtos e serviços. Mas antes de iniciar esse processo, é preciso que as estratégias estejam claramente definidas, as potencialidades e necessidades de ajustes internos devidamente analisados, bem como o conhecimento das oportunidades e ameaças do mercado no qual a empresa atua ou pretenda atuar.

Ao pensar em criar uma rede de franquias o empresário precisa não só conhecer a operação do seu próprio negócio, como saber o quanto e o que é viável ser reproduzido neste formato.

Ter um negócio de sucesso não garante os mesmos resultados quando um modelo idêntico é replicado por terceiros em outros mercados.

O planejamento, embora não evite integralmente o risco, aumenta as chances de que ambos os negócios deem certo. Para o franqueador, que identificará sempre novas oportunidades para que sua franquia se mantenha no mercado; para o franqueado, que contará com inovações que o mantenha competitivo neste mesmo mercado.

Definir estratégias é planejar, é ter uma visão ampla do que se quer, do que é preciso fazer para alcançar o que se deseja, saber como será feito, quanto será necessário  e quando deverá ser colocado em prática. Deixar de  planejar pode colocar em risco não só a franquia como o próprio negócio.

As boas práticas procuram definir a melhor forma de atuar tanto dos franqueadores, quanto dos franqueados, para que todos possam se beneficiar das vantagens do sistema, minimizando os riscos inerentes a todos os negócios e, acima de tudo, reduzindo os conflitos que possam ocorrer entre as partes.

Dos franqueadores espera-se:
-Que ofereçam produtos e serviços de qualidade e com diferenciais que permitam manter a competitividade da franquia no mercado;
-Que amplie sua tecnologia constantemente;
-Que tenha o registro da marca e um projeto de identidade visual que resguarde os direitos de exclusividade de uso pelos franqueados;
-Que tenha foco no relacionamento com a rede, buscando sempre a minimização dos conflitos;
-Que tenha regras claras e bem estabelecidas, seguindo o que determina a Lei de Franquia Empresarial;
-Que ofereça constantemente treinamentos e consultoria de campo, investindo na modernização da rede e capacitação de seus franqueados;
-Que faça um adequado uso do fundo de propaganda (melhor ainda é ter um Conselho dos Franqueados), mantendo uma contabilidade transparente dos recursos nele aplicados e investindo em um plano de marketing que amplie os resultados dos franqueados.

Dos franqueados espera-se:
-Que sigam os padrões determinados pela franquia, reconhecendo a importância de sua manutenção para o fortalecimento da rede e satisfação dos clientes;
-Que participe ativamente do treinamento juntamente com sua equipe;
-Que se empenhe na conquista e manutenção de clientes;
-Que monitore a concorrência na região onde atua, municiando a franquia com informações que auxiliem na elaboração do planejamento estratégico da rede;
-Que tenha uma boa gestão financeira, planejando e estabelecendo metas a serem atingidas, controlando os custos e a produtividade dos funcionários;
-Que zele pelo bom relacionamento com o seu franqueador e os demais franqueados.
Fatores para o sucesso

Muitos fatores são responsáveis pelo sucesso ou insucesso de uma empresa ou grupo de empresas, mas os Fatores Críticos de Sucesso (FCS) representam aqueles que devem merecer atenção especial e contínua. Nas franquias, onde o desempenho de cada empresa pode afetar o desempenho das demais empresas que compõem a rede, alguns fatores assumem papel preponderante para que os melhores resultados sejam atingidos.

O bom relacionamento entre franqueadores e franqueados é frequentemente citado como um dos principais Fatores Críticos de Sucesso e, quando se analisam as razões para os principais conflitos nas redes, outros FCS ficam evidenciados:
-Elaboração de um Planejamento Estratégico de longo prazo para a franquia, onde fique evidenciada sua estratégia de expansão, com base em análise de mercado e satisfação de clientes, que apontem para a aceitação dos produtos e serviços oferecidos e a viabilidade econômico-financeira do negócio;
-Definição clara do perfil do franqueado ideal por parte do franqueador e escolha de um modelo de negócio com o qual tenha afinidade por parte do franqueado;
-Capacidade de investimento próprio do franqueador para o plano de expansão e suporte à rede e do franqueado para o pagamento dos custos iniciais de implantação, pagamento de taxas e capital de giro;
-Comunicação clara, objetiva e constante para evitar mal entendidos;
-Estratégia de marketing bem definida e implementada;
-Escolha do ponto comercial, adequação ao modelo de negócio;
-Estabelecimento de parcerias com fornecedores que representem boas condições de preço e confiabilidade no suprimento das unidades franqueadas.
Quando bem definidos e monitorados, os Fatores Críticos de Sucesso refletem os objetivos estratégicos das empresas e representam sua sobrevivência no mercado.

Vantagens e Desafios do Franqueador e do Franqueado

Do Franqueador:
Estando o modelo de negócio pronto para ser replicado, o sistema de franquias pode oferecer inúmeras vantagens para o franqueador, como:
-Maior rapidez na expansão do negócio, com baixo investimento próprio, uma vez que o investimento em cada novo ponto será feito pelos franqueados.
-Aumento da disponibilidade de tempo e recursos para ações de marketing e desenvolvimento de produtos e serviços.
-Fortalecimento da marca e penetração de mercado, devido à visibilidade e capilaridade alcançadas com a abertura das unidades franqueadas.
-Economia de escala, com redução do custo médio de produção e do preço pago pelos insumos, uma vez que o maior volume de compras aumenta o poder de negociação junto aos principais fornecedores da rede.
-Equipe reduzida, quando comparada ao negócio próprio, por ser uma gestão descentralizada, cabendo aos franqueados manter e gerenciar sua própria equipe.
-Lealdade do canal de distribuição, por tratar-se de uma parceria firmada entre franqueadores e franqueados para o sucesso da rede.
-Disponibilização de tempo para desenvolvimento de produtos e serviços devido ao não envolvimento no dia a dia das unidades franqueadas.
-Expectativa de maior eficiência na gestão das unidades, por contar com a motivação e liderança de cada franqueado em busca de resultados para a sua empresa.
-Redução de riscos trabalhistas, por não haver vínculo empregatício entre a empresa franqueadora e os franqueados e seus funcionários.

Contudo, toda atividade empresarial envolve riscos, que dentro do Sistema de Franchising, se impõem ao franqueador como desafios a serem enfrentados. Devido à sua influência no sucesso ou insucesso de uma franquia, alguns deles podem ser ressaltados:
-O primeiro desafio é aquele que impõe uma divisão de poderes, uma vez que os franqueados são empresários, responsáveis legais por suas empresas, além de terem interesse em participar das decisões tomadas pela franquia com o intuito de defenderem seus interesses.
-Um dos temas mais delicados no franchising é o relacionamento entre franqueadores e franqueados e a administração de conflitos na rede, que exigirão atenção e liderança dos franqueadores para que possam ser minimizados.
-A definição do perfil ideal do franqueado e a escolha daqueles que melhor se enquadrem neste perfil representam menos problemas a serem resolvidos.
-A manutenção dos padrões operacionais determinados pelo franqueador e que, frequentemente, por falta de treinamento ou descaso deixam de ser seguidos, é vital para a imagem da marca.
-O franqueador precisa acompanhar o desempenho dos franqueados para que um mau desempenho não ponha em risco a saúde financeira da franquia e sua imagem no mercado.
-A necessária transmissão de informações implica em perda relativa de sigilo empresarial.

Do Franqueado:
Conhecendo como funciona o sistema e encontrando uma franquia adequada ao seu perfil, o franqueado poderá aproveitar as vantagens que o sistema proporciona, dentre as quais podem ser destacadas:
-Uso de marca testada e reconhecida no mercado, reduzindo os erros comuns em negócios iniciantes, uma vez que o modelo franqueado será fruto da experiência do franqueador, que já terá promovido ajustes, antes e durante a opção pelo modelo de franquia, para melhoria e credibilidade da marca junto ao público-alvo da empresa.
-Participação em uma rede, aumentando o poder de negociação junto aos principais fornecedores, troca de experiências e maior presença da marca no mercado.
-Menores riscos, devido ao uso de modelo já testado e apoio para escolha do ponto, implantação e gestão da unidade franqueada.
-Utilização de know-how do franqueador, o que reduz o tempo para a implantação, otimização dos recursos utilizados e riscos de insucesso.
-Economia de escala, por participar de um processo de compras que envolve toda a rede, reduzindo os preços pagos ou rateando as despesas, como os custos de propaganda.
-Orientação e assistência na administração do negócio, com treinamentos, manuais e consultoria de campo.
-Maior concentração nas vendas, resultado da transferência de know-how, do apoio na gestão e por ser responsabilidade do franqueador o desenvolvimento de produtos e serviços para a rede.

Muito embora a participação em uma rede de franquias possa representar inúmeras vantagens para o franqueado, é preciso que ele tenha ciência dos desafios mais comuns do sistema, como:
-Controle permanente para manutenção dos padrões. Durante toda a vigência do contrato o franqueador verificará se o modelo está sendo corretamente replicado pelo franqueado, exigindo os ajustes necessários para correção de erros ou adequação a mudanças.
-Poder de decisão limitado, devendo o franqueado consultar a franquia e obter sua autorização toda vez que desejar realizar ações que não digam respeito às decisões gerenciais de responsabilidade exclusiva do franqueado, inclusive quanto à escolha de fornecedores.
-Pagamentos de royalties e taxas, pela cessão do direito de uso da marca, para usufruir do modelo franqueado e se beneficiar do suporte oferecido pelo franqueador.
-Risco de insucesso do franqueador, uma vez que também é uma empresa sujeita às incertezas do ambiente externo ou a erros de gestão, que afetam não só a ela, mas a toda a rede de franqueados que utilizam sua marca, know-how ou até produtos.
-Dificuldade na transferência do negócio, por caber ao franqueador a aprovação do novo franqueado a participar da rede e pelas taxas que serão cobradas a título de transferência do contrato de franquia e, em muitos casos, do contrato de locação.
-Obediência à determinação de localização, que tanto pode ter o aspecto positivo de assessoria para a escolha do ponto, quanto redução da liberdade de escolha por ter que acatar as determinações de localização previstas no plano de expansão da franquia.

"Esse modelo de negócio deve ser baseado na premissa do ganha-ganha e da colaboração entre todas as partes envolvidas".

Cabe aos empreendedores Franqueador e Franqueado a responsabilidade em desenvolver as melhores práticas para o bom andamento e sucesso do negócio, e, é importante ambos sempre estarem totalmente alinhados em conformidade com o negócio.

O Sebrae e a ABF possuem vasto material, fornecem informações e cursos do setor de Franschising.

Desejo-vos sucesso no empreendimento e abraço forte.

Autor: Adm. Rafael José Pôncio
Publicado em: 09 de outubro de 2016
Especial: artigos no portal Administradores.com
Link fonte: https://administradores.com.br/artigos/como-funciona-o-franchising-no-brasil

Fontes de informações:
-SEBRAE SP Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas.
-ABF Associação Brasileira de Franchising.
-UNIPAR Universidade Paranaense.


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

sábado, 15 de outubro de 2016

As 7 Regras do Consenso para uma Reunião Produtiva


Uma Equipe trabalha melhor quando todos compreendem seus objetivos, suas metas e os resultados esperados. Para isso, é necessário que haja consenso sobre:
  • os objetivos e a forma de torná-los exequíveis;
  • a clareza das metas e como atingi-las;
  • a importância dos resultados;
  • a definição dos papéis de cada membro da Equipe.
Consenso, no entanto, não é unanimidade. Unanimidade é a opinião idêntica de todos os membros de uma Equipe. É difícil mas pode ocorrer.

Consenso é a ação da Equipe em torno do mesmo objetivo, ainda que opiniões individuais divirjam. 

No consenso existe a predisposição das pessoas de acatar as opiniões dos outros, sem com isso fazer valer suas próprias opiniões.

Consenso não é média aritmética ou qualquer outra forma de se “ajeitar” os resultados e evitar a discussão. Consenso não é votação.

Quando se chega ao ponto em que todos os membros da Equipe consideram determinada posição como objetivo a ser alcançado, podemos considerar que foi alcançado um consenso e que a solução encontrada é uma decisão de Equipe.

A técnica do consenso é uma das principais conquistas de uma Equipe amadurecida e eficaz. A base da técnica está no processo de comunicação. As discussões são produtivas dependendo da maneira de como a informação circula entre os membros da Equipe.

Os membros da Equipe devem:
  • falar com clareza e objetividade;
  • ser sucintos, evitando longas e exaustivas histórias;
  • explorar mais do que discutir o ponto de vista dos outros;
  • evitar conversas paralelas quando alguém estiver falando.
É imprescindível que todo participante conheça e domine as Sete Regras para o Consenso:

1- Participar efetivamente
Não se omita, não fique calado, fale! Exponha seus pontos de vista.

2- Escutar e refletir
A opinião dos outros é tão importante quanto a sua. Escute, pondere, reflita. A grande vantagem do trabalho em Equipe é poder juntar pontos de vista, opiniões, sugestões, acrescentando e enriquecendo as discussões.

3- Evitar a irritação
Ímpetos de raiva e demonstração de irritação só atrapalham a consecução dos trabalhos, inibindo a participação dos membros da Equipe, fazendo com que o trabalho perca em produção e criação.

4- Evitar interrupções inadequadas
É muito desagradável ser interrompido quando se está desenvolvendo um raciocínio e tentando expô-lo, além de ser indelicado. É preciso que as pessoas exponham seus pontos de vista uma de cada vez, para que os trabalhos não se transformem numa Torre de Babel, ninguém compreendendo ninguém.

5- Discutir em alto nível
Significa escutar, aguardar sua vez para argumentar, enriquecer a fala do colega, discordar com franqueza e com fundamentos, acrescentar, elogiar a boa ideia, incentivar a falar mais a respeito.

6- Marcar presença
Estar na reunião apenas fisicamente não interessa. É necessário participar, concordar, discordar, acrescentar, argumentar, enfim, comprometer-se.

7- Ficar satisfeito
Não conclua os trabalhos sem ter exposto aquela sua ideia, sem ter interferido quando julgava conveniente, sem ter discordado quando devia. Saia da reunião satisfeito com os resultados do trabalho e feliz consigo mesmo.
É importante que a equipe congregue com a visão de gestão por valores humanos fundamentados por consenso, no qual exista um propósito maior na organização, para que cada objetivo pessoal faça parte do todo de forma sistêmica. A liderança cabe disseminar com que cada colaborador busque incessantemente a evolução, formando assim um time de pessoas inteligentes emocionalmente que integram esse propósito maior.

Bom trabalho e grande abraço.

Autor: Adm. Rafael José Pôncio
Publicado em: 06 de outubro de 2016
Especial: artigos no portal Administradores.com
Link fonte: https://administradores.com.br/artigos/as-7-regras-de-consenso-para-uma-reuniao-produtiva




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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Metas S.M.A.R.T.

Metas S.M.A.R.T.
Uma ferramenta para transformar intenções em metas claras, orientar a execução e acompanhar o que realmente importa para a empresa.


Quem empreende convive com uma lista quase permanente de intenções: aumentar as vendas, organizar a operação, melhorar o atendimento, conquistar clientes e tornar a empresa mais rentável. O problema aparece quando essas intenções chegam à rotina sem uma definição suficiente do que precisa mudar. A equipe trabalha, o proprietário cobra resultados e, ao final do mês, cada pessoa tem uma interpretação diferente sobre o que seria um bom desempenho.

A ferramenta Metas SMART ajuda a dar precisão a essas escolhas. Sua aplicação permite estabelecer o resultado pretendido, a forma de verificá-lo e o prazo para alcançá-lo. Para o empreendedor, isso oferece uma referência concreta para distribuir esforços, avaliar o andamento do trabalho e decidir quando uma correção se torna necessária.

O que são metas SMART?

SMART reúne cinco critérios para formular metas: específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo definido. Essa é uma versão amplamente difundida atualmente, inclusive em materiais do Sebrae. A proposta é submeter uma intenção a perguntas que revelem se ela está suficientemente clara para orientar o trabalho.

A origem da sigla remonta ao artigo publicado por George T. Doran, em 1981, na revista Management Review. Na formulação original, a letra A indicava a atribuição de um responsável, e a letra R, o realismo dos resultados diante dos recursos disponíveis. As adaptações posteriores mudaram parte dos termos. A definição de quem responde pela meta, entretanto, continua sendo uma providência útil para sua execução.

No contexto do Empretec, a ferramenta se relaciona ao desenvolvimento da capacidade de estabelecer metas. Sua origem, porém, está na administração de empresas. O empreendedor pode utilizá-la em negócios de diferentes portes e setores, mesmo sem ter participado do seminário.

Como aplicar cada um dos cinco critérios

S — Specific: específica

Uma meta específica delimita o que será melhorado. “Quero vender mais” admite muitas interpretações: vender para novos clientes, aumentar a frequência de compra ou ampliar o valor de cada pedido. Escolher uma dessas frentes ajuda a identificar o trabalho necessário. Em uma empresa de manutenção predial, por exemplo, o proprietário pode decidir aumentar a quantidade de contratos recorrentes, concentrando a atuação no serviço que já possui condições de entregar.

M — Measurable: mensurável

É preciso conhecer a situação inicial e definir o resultado esperado. Se a empresa possui 24 contratos ativos e pretende chegar a 30, o avanço pode ser acompanhado pelo saldo da carteira. O registro deve considerar tanto as entradas quanto os cancelamentos. Se seis clientes forem conquistados e dois encerrarem seus contratos, o total será 28. Definir previamente o que conta como contrato ativo evita que cada pessoa apresente um número diferente para o mesmo resultado.

A — Achievable: alcançável

A meta precisa de uma justificativa plausível. Antes de assumir o compromisso de atender 30 contratos, o empreendedor deve examinar a disponibilidade da equipe, a procura pelo serviço, o histórico comercial e os recursos necessários. Talvez exista capacidade ociosa; talvez seja necessário contratar ou reorganizar a operação. Uma meta pode exigir esforço e aprendizado, desde que se explicitem as condições para sua realização. A confiança do proprietário, sozinha, não demonstra viabilidade.

R — Relevant: relevante

O resultado escolhido deve responder a uma necessidade real. No exemplo, ampliar a carteira de contratos pode fazer sentido porque aumenta a previsibilidade das receitas e melhora o aproveitamento da equipe. Essa relevância precisa ser examinada junto com a rentabilidade e as condições de recebimento. Conquistar contratos mediante preços insuficientes ou compromissos que a operação não consegue cumprir pode deteriorar o negócio enquanto o indicador comercial melhora.

T — Time-bound: com prazo definido

O prazo organiza o compromisso e permite distribuir o trabalho. Para alcançar 30 contratos em seis meses, convém definir uma data final e momentos de acompanhamento ao longo do período. Assim, um resultado abaixo do esperado pode ser percebido enquanto ainda há tempo para agir. O prazo deve considerar o ciclo de negociação e a implantação do serviço; estabelecer uma data sem examinar essas etapas apenas transfere a dificuldade para quem executará o plano.

Uma meta SMART construída na prática

Considere uma situação hipotética: em 30 de outubro de 2016, a empresa possui 24 contratos mensais de manutenção predial. O proprietário verifica que a equipe comporta até 30 contratos nas condições atuais e identifica oportunidades comerciais compatíveis com esse crescimento. Sua prioridade é ampliar as receitas recorrentes, preservando a qualidade do atendimento. A meta pode ser escrita assim:

Ampliar a carteira de 24 para 30 contratos mensais ativos de manutenção predial até 31 de março de 2017, mantendo pelo menos 95% dos atendimentos dentro do prazo contratado, sob liderança do gestor comercial fulano, com avaliações quinzenais em equipe, para vermos as métricas e processo de alcance desta meta.

A redação define o serviço, a situação inicial, o resultado esperado, a data de conclusão e o responsável, inclusive o monitoramento para o alcance. A análise anterior sustenta a viabilidade e a relevância da escolha. O indicador de pontualidade acrescenta uma condição de qualidade: será calculado pela divisão dos atendimentos concluídos no prazo pelo total de atendimentos com vencimento no período. Os números são ilustrativos e devem ser ajustados à realidade de cada empresa.

Toda meta deve ser desafiadora e significativa, de acordo com a realidade de cada empresa e também é importante a equipe inteira estar envolvida.

Atingir 30 contratos representa um crescimento líquido de seis. Se houver dois cancelamentos durante o período, serão necessárias oito novas contratações. Essa conta simples muda o esforço comercial previsto e mostra por que a meta deve ser acompanhada junto com os movimentos que explicam seu resultado.

Transforme a meta em trabalho organizado

Depois de formular a meta, prepare o plano de ação. No exemplo, ele pode envolver selecionar clientes com perfil adequado, estabelecer uma rotina de prospecção, acompanhar propostas e conversar com clientes atuais sobre dificuldades que poderiam levar ao cancelamento. Cada ação precisa de responsável e prazo. O orçamento e o tempo da equipe também devem ser compatíveis com o compromisso assumido.

A quantidade de propostas enviadas ajuda a observar o esforço comercial, enquanto o saldo de contratos mostra o resultado alcançado. Acompanhar ambos permite interpretar o problema com mais precisão: poucas propostas podem indicar falta de prospecção; muitas propostas sem fechamento podem exigir revisão da oferta, do preço ou do público abordado. A atividade executada precisa ser examinada pela contribuição que oferece ao objetivo.

Em uma reunião semanal breve, o responsável pode apresentar o realizado, os obstáculos encontrados e a providência seguinte. Uma revisão quinzenal ou mensal permite observar contratos ativos, entradas, cancelamentos e pontualidade. Uma planilha simples ou o sistema já utilizado pela empresa pode reunir essas informações, desde que os registros sejam confiáveis e permaneçam atualizados.

Revise com critério e preserve o sentido da meta

Uma meta bem formulada não elimina as mudanças do mercado. Se uma premissa relevante deixar de existir, registre o que mudou e avalie a necessidade de rever o prazo, os recursos ou o próprio resultado pretendido. Preserve o registro da meta inicial para compreender a decisão. Alterar o número repetidamente apenas para apresentar sucesso retira do acompanhamento sua utilidade.

Também convém limitar a quantidade de metas simultâneas. Para iniciar, escolha uma prioridade que possa receber atenção efetiva nas próximas semanas. Registre a situação atual, formule o resultado pelos cinco critérios, defina quem será responsável e reserve uma data para a primeira revisão. Esse exercício aproxima a ferramenta das decisões reais da empresa.

O valor das Metas SMART aparece quando o empreendedor consegue explicar o que pretende alcançar, por que esse resultado importa e como acompanhará sua realização. Uma meta ganha força na coerência entre o compromisso assumido, os recursos destinados e as ações praticadas. É nessa rotina que o planejamento começa a produzir aprendizado e direção.

Bom trabalho e grande abraço.

Adm. Rafael José Pôncio




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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Gestão de Pessoas na moderna Administração


Falar em gestão de pessoas não é falar somente de uma área dentro de uma organização. Isso porque atualmente a gestão de pessoas passa a ser vista como uma função (papel) desempenhada por gestores de equipes, administradores, gerentes, coordenadores ou supervisores, ou seja, por todos aqueles que detêm sob o seu comando uma equipe de trabalho.

A partir de meados da década de 1980, impulsionadas principalmente pela globalização e evolução da tecnologia, as organizações precisaram repensar os seus modelos de gestão, o que impactou, mais uma vez, na forma de condução de seus funcionários.

A mudança sobre o papel dos indivíduos nas organizações e os novos procedimentos de gestão determinaram sérios questionamentos sobre a forma como a ARH – Administração de Recursos Humanos vinha sendo desenvolvida nas organizações. Estes questionamentos levaram inclusive, a críticas sobre terminologia utilizada para designar este departamento, pois partia-se da premissa de que, se tratadas como recursos, as pessoas tinham de ser administradas em busca do maior rendimento possível, e, esta busca exacerbada pelo rendimento, foi uma característica dos “primórdios” das teorias de gestão e tratamento das pessoas nas estruturas organizacionais da era industrial.

Alguns autores que estudaram sobre esta mudança de concepção como Chiavenato (2010), Gil (2014) e França (2009), destacam a consideração das pessoas como parte do patrimônio da organização, e propõem que, os indivíduos sejam tratados como parceiros e não como recursos desta estrutura. Isso porque os indivíduos passam a ser vistos como fornecedores de conhecimentos e de habilidades, e dotados de capacidades que enriquecem o valor da organização. Surge a nomenclatura “colaborador” para tratar os funcionários das organizações.

O que temos de novo, então? Uma abordagem de gestão de pessoas que não limita as atividades do órgão de RH a administrar os recursos humanos de uma organização, mas sim propor-se à expansão das suas atividades de maneira estratégica e global.

Iniciam-se assim, discussões em torno de novas abordagens para a prática de condução de pessoas nas organizações, chegando ao conceito de GP – Gestão de Pessoas.

É importante destacar que o órgão de RH – Recursos Humanos não foi excluído da organização, pois os profissionais desta área ainda têm o papel de recrutar, selecionar, capacitar, avaliar o desempenho, desenhar cargos e remunerar, e outras tantas atividades que lhes cabem. O que mudou foi a perspectiva de execução de suas atividades, que deixam de ser meramente operacionais e executadas somente pelo RH, tornando-se táticas e estratégicas executadas em conjunto com os demais gestores da organização.

É assim que o órgão de RH passa a atuar enquanto suporte para desenvolvimento de atividades dos setores e tomada de decisão de seus gestores. Na fase moderna, todas as lideranças são gestores de pessoas na organização, o que leva à mudança da rotulação de “departamento” para “área de atuação”.

Fala-se ainda, dentro desta fase moderna, em Gestão de Talentos, Gestão do Capital Humano, Gestão do Capital Intelectual, e outras nomenclaturas para a área que “cuida” das pessoas na organização. Vai depender do estilo da organização, ramo de atividade ou até mesmo do perfil de gestores que fazem parte do seu quadro.

O mais importante, é que esta mudança não representa somente uma mudança de nomenclatura, pois é necessário ir além das placas de identificação do órgão de RH, e implementar ações que realmente caracterizem uma nova abordagem de GP - Gestão de Pessoas na era moderna do conhecimento da administração.

Bom trabalho e grande abraço. Autor: Adm. Rafael José Pôncio Publicado em: 01 de setembro de 2016 Especial: artigos no portal Administradores.com Link: https://administradores.com.br/artigos/gestao-de-pessoas-na-moderna-administracao



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terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Marketing do Varejo


Apresentação e Pessoal devem sempre estar alinhados nos processos para atendimento ao cliente, com alto grau no foco de compreensão dos clientes.

Um dos temas mais discutidos em congressos de gestão pela comunidade empreendedora no mundo é a sustentabilidade de negócio. Essa sustentabilidade não se refere a questões ambientais, não que não sejam relevantes, muito pelo contrário, mas refere-se dentro do campo da administração como a forma de manter as organizações saudáveis, competitivas e lucrativas. O varejo não fica de fora dessa preocupação. O processo de sustentabilidade de negócio conta com diversos fatores, mas, aqui, vamos privilegiar um fator altamente impactante, se não, essencial para a sobrevivência do negócio: o marketing.

Em tempos de concorrência acirrada, para conquistar um novo consumidor, não basta atendê-lo, é preciso fazer com que ele se sinta único. E como isso é possível? O processo de compra deve ser um momento que se traduz em satisfação. Em tempos de intensa disputa por pontos melhores, produtos mais acessíveis, promoções cada vez mais inovadoras e produtos mais adequados às necessidades dos consumidores, a satisfação é imperativa, ainda mais no que se refere ao varejo, que trabalha com o consumidor final.

Um cliente satisfeito passa a ser fiel ao estabelecimento e essa fidelidade vale ouro em um segmento tão competitivo e instável. A ideia de que, a partir das ferramentas do marketing, é possível entender, prever e satisfazer o desejo dos clientes é imperativo.

Em que setores o marketing pode atuar? Praticamente todos! É essencial, contudo, que se conheça o negócio, o produto, as ferramentas ideais e, principalmente, o consumidor. Vejamos, a seguir, um quadro sintético de Pasquale, Lammardo Neto e Gomes (2011), que fala sobre as áreas de atuação do marketing no conhecido Composto de Marketing ou 4 P’s do Marketing:

PRODUTO: Variedade do produto, Qualidade, Design, Características, Nome de marca, Tamanhos, Serviços, Garantias e Devoluções.

PREÇO: Lista de preços, Descontos, Condições, Prazo de pagamento e Condições de crédito.

PRAÇA: Canais, Cobertura, Sortimento, Localizações, Estoque e Transporte.

PROMOÇÃO: Promoção de vendas, Propaganda, Merchandising, Força de vendas, Relações públicas e Marketing direto.

Comunicação Integrada de Marketing, FONTE: Pasquale, Lammardo Neto e Gomes (2011, p. 101).

Mas quando o assunto é varejo, é preciso ampliar um pouco mais essa cobertura do marketing. Podemos definir que o Marketing do Varejo a partir das particularidades do varejo e incluir, além dos 4 P’s tradicionais do marketing, os quesitos: Apresentação e Pessoal.

Apresentação: porque o layout dos estabelecimentos devem ser convidativos e sugestivos para compras, e, nada de imagens de apenas máquinas ou produtos, mas, sempre com foco de imagens das pessoas para pessoas, é uma das citações da Administração Moderna de Peter Drucker que diz: "gente feliz com gente feliz".

Pessoal: pelo fato de a qualidade da equipe e a forma de atendimento ao consumidor final serem decisivas no momento de escolha em compras, produtos ou serviço. Esses fatores servem, até mesmo, para ambientes virtuais. Os layouts dos sites de e-commerce devem ser atrativos, interativos, com informações em abundância, e o serviço de suporte (0800, televendas, chats, "reclame aqui" e outros) deve ser pronto, prestativo, amigável, eficiente e cordial; a compreensão nas - e das pessoas é a chave para boas vendas.

Podemos destacar aqui que as técnicas do Marketing de Varejo devem estar a serviço das formas de relacionamento entre cliente e varejo e devem sempre vir aliadas a estratégias de boas Relações Públicas para que o resultado tenha consistência na sua plenitude.

Com isso, podemos perceber que o varejo é muito mais que expor mercadorias aos consumidores. Varejo é uma constante reinvenção de abordagens e estar à frente no seu setor é poder se reinventar constantemente, ou seja, é inovar com pessoas.

Grande Abraço e boas idéias!
Autor: Adm. Rafael José Pôncio Publicado em: 29 de agosto de 2016 Especial: artigos no portal Administradores.com Link fonte: https://administradores.com.br/artigos/o-marketing-de-varejo




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