Mostrando postagens com marcador Liberdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liberdade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Escola Austríaca: liberdade, valor e empreendedorismo

Escola Austríaca: liberdade, valor e empreendedorismo

Entenda a Escola Austríaca de Economia, sua visão sobre liberdade, valor subjetivo, empreendedorismo e limites da intervenção estatal.



Uma tradição econômica centrada na ação humana

A Escola Austríaca de Economia é uma das tradições intelectuais mais importantes para compreender a relação entre liberdade, mercado, valor e empreendedorismo. Mais do que um conjunto de fórmulas econômicas, ela oferece uma forma de enxergar a sociedade a partir da ação concreta das pessoas, de suas escolhas, preferências, erros, descobertas e responsabilidades.

Sua força está justamente em partir de uma constatação simples e profunda: a economia não acontece em planilhas abstratas, mas nas decisões humanas. Cada compra, venda, investimento, poupança, contratação, inovação ou renúncia carrega uma avaliação subjetiva feita por alguém em determinado tempo, lugar e circunstância.

Por isso, a Escola Austríaca não trata o mercado como uma máquina fria, automática e sem alma. Ao contrário, vê o mercado como um processo vivo de coordenação social, no qual milhões de pessoas, sem se conhecerem, ajustam suas necessidades, expectativas e possibilidades por meio de preços, contratos, perdas, lucros e sinais dispersos.

A economia, nesse sentido, não é apenas o estudo da riqueza. É também o estudo da liberdade responsável diante da escassez.



O valor não nasce da matéria, mas da avaliação humana

Um dos fundamentos centrais da Escola Austríaca é a teoria subjetiva do valor. Essa ideia, associada a Carl Menger e aprofundada por outros autores austríacos, rompe com a noção de que o valor de um bem está simplesmente no trabalho empregado para produzi-lo ou na quantidade física de recursos utilizados.

O valor, para a tradição austríaca, nasce da importância que uma pessoa atribui a determinado bem ou serviço em uma situação concreta. Um copo de água pode ter pouco valor para alguém sentado confortavelmente em sua casa, mas pode ter valor imenso para quem está sedento em um lugar remoto. O objeto é o mesmo; a avaliação humana é que muda.

Essa percepção é decisiva para entender o mundo dos negócios. O empreendedor não cria valor apenas porque fabrica algo, abre uma empresa ou possui capital. Ele cria valor quando percebe uma necessidade real, organiza recursos escassos e oferece algo que outras pessoas voluntariamente consideram útil, desejável ou necessário.

O mercado, portanto, não recompensa automaticamente esforço, intenção ou discurso. Ele testa, diariamente, se aquilo que foi produzido corresponde a alguma demanda humana legítima.



A liberdade econômica como ambiente de descoberta

A Escola Austríaca defende a liberdade econômica não como licença para agir sem responsabilidade, mas como condição para que as pessoas possam descobrir, experimentar, corrigir e cooperar. A liberdade permite que diferentes indivíduos testem soluções distintas para problemas reais.

Nenhuma autoridade central consegue reunir todo o conhecimento necessário para decidir, de cima para baixo, o que deve ser produzido, em qual quantidade, por quem, com qual método, em qual lugar e a que preço. 

Boa parte do conhecimento econômico está espalhada na sociedade: nos produtores, consumidores, comerciantes, investidores, trabalhadores, famílias e comunidades.

Friedrich Hayek ficou conhecido justamente por enfatizar esse problema do conhecimento. A informação relevante para a vida econômica não está concentrada em uma única mesa de planejamento. Ela está fragmentada em milhões de experiências particulares.

Por isso, quando a liberdade é preservada, a sociedade se torna mais capaz de aprender. Quando ela é sufocada por controles excessivos, a economia perde sensibilidade, rapidez e capacidade de adaptação.

O mercado livre não é perfeito. Mas tem uma virtude superior aos sistemas centralizados: ele permite correção, aprendizado e substituição de erros por alternativas melhores.



O empreendedor como agente de percepção e coragem

Na visão austríaca, o empreendedor ocupa um papel essencial. Ele não é apenas alguém que possui uma empresa. Também não é apenas um investidor em busca de retorno. O empreendedor é, antes de tudo, aquele que percebe oportunidades onde outros ainda veem desordem, custo ou incerteza.

Israel Kirzner destacou o empreendedor como alguém atento às oportunidades não percebidas. Ele observa diferenças de preço, necessidades mal atendidas, ineficiências, desperdícios, novos hábitos de consumo e possibilidades de coordenação. Sua função é enxergar antes, agir com prudência e assumir riscos em ambiente incerto.

Essa perspectiva é muito rica porque retira o empreendedorismo do campo da vaidade. Empreender não é apenas “crescer”, “escalar” ou “dominar mercado”. 

Empreender é servir a uma necessidade real por meio de uma solução economicamente viável.

O lucro, nessa visão, não é necessariamente um sinal de exploração. Quando obtido de forma honesta, voluntária e competitiva, ele pode ser sinal de que recursos foram bem alocados e necessidades humanas foram atendidas. Da mesma forma, o prejuízo não é apenas uma tragédia contábil: pode ser um aviso de que recursos escassos foram mal direcionados.

A grande lição austríaca para o empreendedor é esta: o mercado não existe para confirmar vaidades, mas para revelar se uma decisão criou ou destruiu valor.



Preços, lucros e prejuízos como sinais da realidade

Para a Escola Austríaca, os preços têm função informacional. Eles condensam, em um número, uma imensa quantidade de avaliações, escassezes, preferências e expectativas. O preço não é apenas uma cobrança; é um sinal.

Quando preços são manipulados artificialmente por longo tempo, a sociedade perde capacidade de leitura. Produtores passam a investir onde talvez não deveriam. Consumidores passam a demandar o que talvez não seja sustentável. Governos passam a acreditar que podem revogar a escassez por decreto. E empresas passam a tomar decisões com base em sinais distorcidos.

Lucros e prejuízos também cumprem papel semelhante. O lucro indica que determinado arranjo produtivo conseguiu entregar algo valorizado pelas pessoas a um custo menor do que o benefício percebido. O prejuízo indica que houve erro de cálculo, má leitura de demanda, desperdício de capital ou inadequação entre oferta e necessidade.

Essa lógica é moralmente importante porque impõe disciplina. Em uma sociedade livre, ninguém pode obrigar indefinidamente os outros a sustentar uma produção que não entrega valor. O mercado, quando respeitado, protege a sociedade contra a arrogância de projetos que consomem recursos sem prestar contas aos resultados.



Capital, tempo e responsabilidade

Outro ponto forte da tradição austríaca está em sua compreensão do capital e do tempo. Produzir riqueza exige estrutura, etapas, poupança, investimento e paciência. O capital não é apenas dinheiro disponível; é uma combinação de bens, máquinas, conhecimento, relações, processos e decisões orientadas ao futuro.

Eugen Böhm-Bawerk contribuiu para aprofundar a relação entre capital, juros e tempo. A economia não se resume ao presente imediato. Toda decisão produtiva envolve renunciar a algo hoje para buscar resultado amanhã. Esse princípio vale para empresas, famílias, investidores e nações.

Quando uma sociedade despreza a poupança, ridiculariza a prudência e transforma consumo imediato em ideal permanente, ela enfraquece a base de sua própria prosperidade. 

Não há desenvolvimento sólido sem acumulação responsável de capital, respeito ao tempo e capacidade de adiar satisfações.

Esse ponto dialoga diretamente com o mundo empresarial. Empresas duradouras não são construídas apenas com entusiasmo, marketing e crédito barato. Elas exigem capital bem alocado, visão de longo prazo, controle de riscos e sobriedade decisória.

A prosperidade raramente nasce do improviso. Ela costuma nascer da disciplina silenciosa.



A crítica ao intervencionismo excessivo

A Escola Austríaca é conhecida por sua crítica ao intervencionismo excessivo. Essa crítica não nasce de uma negação ingênua dos problemas sociais, mas da percepção de que muitas intervenções produzem efeitos contrários aos objetivos declarados.

Quando o Estado tenta controlar preços, pode gerar escassez. Quando expande artificialmente o crédito, pode estimular investimentos frágeis. Quando aumenta regulações sem critério, pode sufocar pequenos empreendedores. Quando promete segurança econômica absoluta, pode criar dependência, acomodação e irresponsabilidade fiscal.

Ludwig von Mises foi um dos grandes críticos da pretensão de substituir a coordenação livre dos mercados por decisões centralizadas. Para ele, sem preços formados em ambiente de propriedade privada e trocas voluntárias, o cálculo econômico se torna profundamente comprometido.

A crítica ao intervencionismo excessivo

Isso não significa defender ausência de ordem, contratos, justiça ou instituições. Ao contrário, uma economia livre precisa de segurança jurídica, respeito à propriedade, cumprimento de acordos e previsibilidade institucional. O ponto austríaco é outro: quando a intervenção substitui a responsabilidade, a sociedade perde vigor.

O problema não está em reconhecer falhas humanas. O problema está em imaginar que a concentração de poder elimina tais falhas, quando muitas vezes apenas as amplia.



Moeda, crédito e ciclos econômicos

A tradição austríaca também possui contribuição relevante para compreender moeda, crédito e ciclos econômicos. Em linhas gerais, seus autores alertam para os perigos da expansão artificial do crédito e da manipulação dos juros abaixo de sua condição real de mercado.

Juros não são apenas um obstáculo ao consumo ou ao investimento. Eles expressam, entre outros fatores, a relação entre presente e futuro, poupança disponível, preferência temporal e risco. Quando esse sinal é distorcido de maneira prolongada, decisões empresariais podem parecer viáveis apenas porque o custo do capital foi artificialmente reduzido.

O resultado pode ser uma fase de euforia, com investimentos excessivos, aumento de endividamento e aparente prosperidade. Porém, quando a realidade econômica se impõe, muitos desses projetos revelam fragilidade. 

A crise, então, não surge do nada; ela muitas vezes corrige erros acumulados durante o período de expansão artificial.

Essa visão ajuda a interpretar ciclos de otimismo e frustração, tanto na economia quanto no mundo dos negócios. Nem todo crescimento é saudável. Nem toda expansão representa criação real de valor. Nem todo crédito abundante significa prosperidade verdadeira.

Há crescimentos que edificam. E há crescimentos que apenas antecipam problemas.



Ordem espontânea e humildade intelectual

A noção de ordem espontânea é uma das ideias mais elegantes associadas à tradição austríaca, especialmente em Hayek. Muitas instituições humanas relevantes não foram desenhadas integralmente por uma mente central. Elas emergiram gradualmente da experiência, da repetição, do costume, da cooperação e do aprendizado social.

A linguagem, o dinheiro, práticas comerciais, padrões contratuais e convenções sociais são exemplos de ordens que se formam ao longo do tempo. Não são perfeitas, mas carregam conhecimento histórico acumulado. Por isso, destruí-las em nome de projetos abstratos pode gerar consequências difíceis de prever.

A Escola Austríaca, nesse ponto, ensina humildade. A sociedade é mais complexa do que a inteligência de qualquer planejador. A vida econômica não cabe integralmente em modelos. O ser humano não é uma peça fixa em uma engrenagem previsível.

Essa humildade intelectual é valiosa também para empresários, investidores e gestores. Quem acredita compreender tudo tende a agir com imprudência. Quem reconhece a complexidade da realidade toma decisões com mais critério.

A inteligência econômica começa quando a vaidade do controle absoluto termina.



A Escola Austríaca e a realidade brasileira

No Brasil, estudar a Escola Austríaca pode ser especialmente útil. O país convive historicamente com instabilidade monetária, excesso de burocracia, insegurança jurídica, dependência de decisões estatais, baixa produtividade e dificuldade de formar capital de longo prazo.

A Escola Austríaca e a realidade brasileira

Nesse ambiente, a tradição austríaca oferece uma lente crítica e educativa. Ela ajuda a entender por que liberdade econômica, segurança jurídica, moeda confiável, respeito à propriedade e empreendedorismo não são luxos ideológicos, mas fundamentos de uma sociedade mais próspera.

Também ajuda a valorizar o empresário produtivo, especialmente aquele que constrói com capital próprio, assume riscos, gera empregos, atende clientes, paga impostos e permanece mesmo em ambientes hostis. Em muitos casos, empreender no Brasil exige mais do que técnica. Exige fortaleza, paciência e senso de responsabilidade.

Por isso, a Escola Austríaca não deve ser lida apenas como teoria econômica estrangeira. Seus princípios dialogam profundamente com os desafios brasileiros: produzir em meio à incerteza, preservar capital em meio à instabilidade e criar valor em meio a estruturas frequentemente adversas.



Liberdade sem virtude se degrada

É importante destacar um ponto: a defesa da liberdade econômica não deve ser confundida com culto ao egoísmo, desprezo pelos vulneráveis ou indiferença moral. Uma sociedade livre precisa de virtudes para permanecer livre.

Sem honestidade, contratos se enfraquecem. Sem prudência, o crédito vira armadilha. Sem responsabilidade, a propriedade perde função civilizadora. Sem trabalho, a prosperidade se torna discurso vazio. Sem justiça, a liberdade passa a ser vista como privilégio.

A Escola Austríaca oferece fundamentos poderosos para compreender o mercado, mas sua aplicação madura exige uma cultura moral capaz de sustentar a liberdade. O mercado depende de confiança, reputação, cumprimento de promessas e respeito ao próximo.

A liberdade econômica produz melhores frutos quando está acompanhada de caráter.



Conclusão: uma escola para compreender a liberdade e a responsabilidade

A Escola Austríaca de Economia permanece relevante porque trata de questões permanentes. Ela nos lembra que o valor nasce da avaliação humana, que o conhecimento está disperso, que preços transmitem sinais, que empreendedores descobrem oportunidades, que o capital exige tempo e que intervenções artificiais podem gerar consequências indesejadas.

Mais do que uma teoria econômica, ela oferece uma pedagogia da realidade. Ensina que prosperidade não nasce por decreto, que riqueza não surge sem poupança e produção, que boas intenções não revogam a escassez e que liberdade sem responsabilidade pode se perder.

Para o empreendedor, a lição é profunda: criar valor exige observar melhor, servir melhor, alocar melhor e decidir com mais prudência. Para a sociedade, a mensagem é igualmente forte: quanto mais se respeita a liberdade humana, mais espaço existe para cooperação, inovação e crescimento real.

A Escola Austríaca não promete um mundo perfeito. Sua grandeza está justamente em não prometer. Ela apenas recorda que, em uma sociedade formada por pessoas imperfeitas, a liberdade responsável ainda é uma das formas mais inteligentes de organizar a cooperação humana.

Bom trabalho e grande abraço.
Rafael José Pôncio


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

quinta-feira, 20 de abril de 2023

Joaquim José da Silva Xavier, O Inconfidente e Mártir Libertário


Tiradentes, o libertário que levantou-se contra a coroa portuguesa

Introdução: O mito de Tiradentes 

O dia 21 de Abril é marcado pelas comemorações cívicas em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como o lendário Tiradentes. A alcunha vem do seu ofício de dentista, mas também entende-se que o fato de ser o único dos inconfidentes a ser conhecido pelo apelido denota que, em sua época, Tiradentes não foi levado a sério, sendo somente um “bode expiatório” da fracassada revolta.

Essa é uma visão atual sobre esse grande herói nacional. Ao longo dos séculos a visão sobre Tiradentes vêm sendo alterada de acordo com as necessidades de cada época. Sendo assim, de um revolucionário quase anônimo no Império até o grande herói insurgente republicano, Joaquim José da Silva Xavier é visto como uma figura histórica representada de diversas formas.

Nos dias atuais, infelizmente, nota-se uma tentativa consciente de destruir o símbolo ao qual Tiradentes representa, dando-lhe mais ênfase em sua vida comum do que nas ideias que o mineiro buscou com seu movimento libertário. Desse modo, a cada ano percebemos que o dia 21 de Abril tem perdido sua força enquanto a lembrança dos ideais libertadores dos inconfidentes mineiros e ganha-se mais ênfase na construção do mito de Tiradentes.

Nesse sentido, é preciso compreender que por trás do dentista, comerciante e minerador há uma figura histórica que representou a primeira expressão liberal frente aos desmandos da coroa portuguesa no século XIII aqui no Brasil. O mito de Tiradentes não é uma invenção em si próprio, mas a exaltação de um idealista que ao seu molde tentou mudar a realidade em que vivia. Vamos, portanto, conhecer mais profundamente sobre Joaquim José da Silva Xavier, seus ideais e como se constituiu sua luta que culminou em sua trágica morte.

Quem foi Tiradentes?


Nascido em 1746 na fazenda Pombal (atual São João del-Rei), Joaquim José da Silva Xavier era filho de um rico fazendeiro da região. Estima-se que sua família possuía 35 escravos que trabalhavam na lavoura e ajudavam nos serviços gerais da propriedade. Apesar de ter tido uma infância abastada e caso não fosse o trágico destino dos seus pais provavelmente Tiradentes seria um fazendeiro com largas posses. Entretanto, aos 11 anos de idade o jovem Joaquim encontrava-se órfão. Ao que consta nas fontes, sua mãe morreu em 1755 e em 1757, seu pai também deixou essa existência. A propriedade da família passa a ser gerida pelo seu tio, que torna-se tutor de Joaquim José da Silva Xavier, e para saldar dívidas acaba desfazendo-se das posses.

Após esse fatídico destino, Joaquim passa a aprender uma nova profissão: a de dentista. Seu tio já exercia esse ofício e passou a ensiná-lo. Assim, Joaquim começou a exercer a profissão desde cedo e ganhou notoriedade nisso, afinal, o apelido não era algo pejorativo (apesar de parecer). Fala-se inclusive que Tiradentes tinha uma habilidade única de fazer próteses, algo raro e difícil para as condições de sua época.

Outra profissão que exerceu foi a de militar. Em 1780 Tiradentes fez parte da tropa que defendia Minas Gerais. Graças a esse cargo de segurança ele chegou a ir para o Rio de Janeiro e passou alguns anos à serviço da proteção do território. Chegou a servir na cavalaria até 1787, quando ainda no Rio de Janeiro tentou implementar a canalização do rio Maracanã, mas sem sucesso. O que o impediu foi a burocracia portuguesa, que não lhe deu permissão para esse empreendimento. Sendo assim, em 1788 retornou para sua província para tentar explorar os caminhos da mineração.

Como sabemos, além do ofício de dentista, Tiradentes também era comerciante e, assim como a maioria das pessoas na Província de Minas Gerais à sua época, dedicou-se à mineração. Não podemos esquecer que o momento histórico que nosso inconfidente viveu era o auge do ciclo do ouro e os interesses portugueses estavam voltados para a exploração desse nobre minério.

A política portuguesa acerca do controle do ouro, porém, era extremamente desvantajoso para os mineradores. Além das péssimas condições de trabalho, os impostos abusivos e a forma de cobrá-los tornava um esforço quase infrutífero para quem quisesse de fato fazer sua fortuna em cima dessas minas. Não obstante, essa situação de injustiça levou, com o tempo, à insatisfação e as revoltas. Vamos entender, agora, o que foi, de fato, o movimento que Tiradentes participou como um dos líderes e seu desfecho.

Tiradentes e a inconfidência mineira


O tempo no Rio de Janeiro fez com que florescesse em Tiradentes mais que habilidades militares. Estando na capital da colônia - O Rio de Janeiro tornou-se a capital em 1763 - o mineiro teve acesso às ideias iluministas que chegavam, mesmo que timidamente, nos portos do nosso país tropical. O contato com as ideias de liberdade econômica e política encantaram Joaquim, que não achava benéfica a ligação entre Brasil e Portugal.

Ao deparar-se com o contexto da exploração do ouro e os desmandos da coroa, as ideias de Tiradentes afloraram e uma revolução começava a ser gestada na mente do dentista e de outras pessoas. É preciso recordar, portanto, o que foi, de fato, a chamada Inconfidência Mineira.

Para entender as causas que levaram a essa revolta separatista precisamos lembrar da política portuguesa frente aos impostos sobre o ouro. Ao se descobrir as grandes reservas de ouro da região, rapidamente o eixo econômico - até então focado na produção de Cana de açúcar - voltou-se para o interior do Brasil. Assim começava o ciclo do ouro. Portugal, porém, precisou de um aparato administrativo para controlar o boom populacional da região que até então tinha poucas centenas de pessoas. Com um crescimento desordenado, a vida em Minas Gerais no final do século XVII e início do XVIII era, no mínimo, difícil.

Frente a esse cenário e com desejo de controlar os ganhos com o Ouro, a coroa portuguesa criou não apenas impostos específicos como o famoso Quinto, em que 20% de tudo que fosse encontrado deveria ir para Portugal, como também algumas instituições como as Casas de fundição, locais em que se derretia o ouro encontrado e já se separava o Quinto da coroa.

Além disso, cobrava-se impostos sobre escravos, terras e ferramentas que eram usadas para extrair o minério. Desse modo, apesar de ser um local rico e com grandes possibilidades de gerar lucro, a pressão da administração portuguesa tornava limitado e, por vezes, prejudicial aos que estavam dispostos a empreender na região. Visto tais condições, era extremamente comum esconderem ouro e, com o tempo, criar um mercado interno que burlasse as regras portuguesas.

Durante os anos 1750 a chegada do Marquês do Pombal para administração do Brasil fez com que a política fiscal ganhasse ainda mais força. Com o aumento dos impostos tornava-se cada vez mais evidente a exploração portuguesa e o descontentamento das elites locais, principalmente em Minas Gerais. O estopim para a revolução separatista liderada por Tiradentes ocorreu com a chamada política da “Derrama”. Como sabemos, a derrama foi mais uma pressão fiscal para impor o pagamento do Quinto atrasado e executar dívidas para com a coroa portuguesa.

A revolta, porém, não chegou a ocorrer. Dias antes de ser deflagrada, os revoltosos descobriram que Portugal, mais precisamente o Visconde de Barbacena (até então o administrador real da região), descobriu os planos dos inconfidentes e realizou diversas prisões, sendo Tiradentes um dos encarcerados. Como narra a história, o Visconde de Barbacena descobriu os planos dos inconfidentes através da delação de Joaquim Silvério dos Reis, um militar com muitas dívidas e que provavelmente entraria em falência caso a derrama fosse executada. Em troca de contar acerca da revolução que pretendia libertar o Brasil, Silvério pediu que suas dívidas fossem esquecidas, uma pensão vitalícia e cargos na administração portuguesa.

O fim de Tiradentes? Morre o homem, nasce o mito


Após a delação e prisão de diversos conspiradores Portugal levou-os à justiça. Todos foram condenados, apesar de terem penas diferentes. Alguns dos revoltosos foram condenados ao Degredo, um exílio na África e a impossibilidade de voltar ao Brasil; outros foram condenados à prisão perpétua e a maioria foi condenada à forca. Porém, apesar dessa condenação na justiça, a maior parte dos que estavam destinados à morte foram perdoados pela rainha D. Maria I (conhecida como "a piedosa" e "a louca"). Apenas um homem foi levado, de fato, à morte para servir como exemplo aos que quisessem levantar-se contra Portugal: O Tiradentes.

Preso em 1789, a execução de Tiradentes só ocorreu em 21 de abril de 1792. Apesar das tentativas de impedir sua morte, tudo foi em vão. Após ser enforcado, Joaquim foi esquartejado e seus pedaços espalhados pela estrada que ligava o Rio de Janeiro até Vila Rica (atual Ouro Preto). Assim chegava o fim de Tiradentes, tido como um revolucionário “Lunático” que deu sua vida em nome de uma causa perdida.

A história, porém, sempre guarda um lugar especial para aqueles que dedicam sua vida em nome de uma ideia.

Após 30 anos da morte de Tiradentes houve a independência do Brasil (07/09/1822) e logo em seguida nasce o novo imperador D. Pedro II (02/01/1825) em solo brasileiro.

Com a implantação da República (15/11/1889) e a expulsão, de vez, da família imperial sob o comando do Brasil (vale lembrar que mesmo após a independência fomos governados por uma estrutura de poder deixada pelos portugueses), Tiradentes foi alçado como um mártir, o grande símbolo da república que entregou sua vida em nome da liberdade.

"Tiradentes, o libertário dos impostos abusivos da coroa."

Assim iniciou o mito de Tiradentes e que até hoje merece ser lembrado. Lembremos que num mesmo 21 de abril, há 231 anos, um brasileiro tentou libertar-se das amarras coloniais que por tanto tempo nos prenderam.

Tiradentes, portanto, não morreu. Segue vivo na memória e eternizado na cultura, na história e nos ideais de cada brasileiro. Que tenhamos uma excelente comemoração em homenagem a esse grande homem!

Bom trabalho e grande abraço,
Rafael José Pôncio, PROF. ADM.




Conheça também:

Sobre Virtudes e Empreendedores


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

domingo, 9 de junho de 2019

A arte de empreender com liberdade


Empreendedorismo diz respeito a identificar maneiras de melhor atender necessidades não satisfeitas, e, descobrir oportunidades, soluções inovadoras e gerar valor. Em suma, empreendedores ganham dinheiro quando servem às pessoas.

O empreendedor é uma pessoa que descobre e atende a uma necessidade não satisfeita, produzindo valor para si e outros membros da comunidade. Os empreendedores são, ao mesmo tempo solucionadores de problemas e criadores de riqueza. Na busca do lucro, empreendedores combinam fatores de produção (terra, mão de obra e capital) para produzir eficientemente bens e serviços demandados pelos consumidores. De quebra, também assentam as bases do conhecimento econômico futuro e prosperidade via geração de trabalho para outras pessoas e oportunidades para novos negócios.

Empreendedorismo como atividade se refere a alguém que inicia um negócio, administra e assume risco de um empreendimento. Um empreendedor é um agente de mudança. Empreender é o processo de descoberta de novas maneiras de usar recursos para satisfazer necessidades.

O processo da arte em empreender é a tomada de decisão sob condições de incerteza, é a forma de pensar que enfatiza inovação, orientação e criatividade. Empreendedorismo é a atenção para identificar e descobrir uma necessidade não satisfeita, e depois agir para satisfazê-la.

Por conta de inovações de empreendedores, hoje o fator tempo para a população mundial passou a ter mais valia. As condições de mercado estão mudando constantemente devido às invenções constantes e à introdução de novos produtos, mudanças nos processos produtivos, nas preferências dos consumidores, e assim por diante. Consequentemente, sempre haverá oportunidades para o empreendedor alerta idealizar coisas novas e realizar.

Empreendedorismo pode ser definido como um “estado de alerta” a oportunidades de servir pessoas e gerar lucro que não foram percebidas e aproveitadas por outros.

A quem critique os empreendedores, mas, estes mesmos críticos adoram usar seus "iphones e androids", bem como usar a máquina de lavar roupa, serem servido em restaurantes e modernos meios de transportes, isso porque o crítico nem viveu na era paleolítica ou mais recentemente na medieval.

Em sentido fundamental, empreendedorismo é a chave da criatividade do mercado. Empresas são induzidas pela busca do lucro a procurar nichos de mercado para servir pessoas, sempre buscando uma forma diferente aos olhos do consumidor.

O empreendedor quando atua num mercado menos regulado ou mais livre digamos assim, por conta dos processos serem mais ágeis na falta de burocracias, então a população daquele local é melhor servida e atendida pelos empreendedores, porém, num país com marcos regulatórios excessivos a população deixa de ser bem atendida e acaba pagando por produtos e serviços a elevados preços e na maioria das vezes nem tendo acesso as inovações num determinado período da vida, por conta de altas restrições para eliminar concorrências, uma minoria de grupos econômicos (compadres do rei) usam as patentes, leis governamentais para impedir a livre concorrência e novos competidores.

Podemos citar como exemplo o setor de alimentos e num nicho mais específico como o de carnes, onde quanto mais houverem pequenos ou grandes frigoríficos numa livre concorrência, sem a presença do rei, maior serão as inovações setoriais e menor o preço da carne ganhando assim o consumidor final, e no caso de haver a falta de qualidade em algum produto o próprio consumidor exclui o péssimo frigorífico, por conta da falta qualitativa gerará menor procura e o processo natural de livre mercado já exclui os maus empreendedores.

Numa economia para empreender com liberdade econômica sem a interferência do tal “bolsa rico amigo do rei” ou “bolsa pobre do voto ao rei” com certeza as pessoas evoluem por si só de forma livre sem o formato de manipulação que as impede de criar ou inovar por elas mesmas.

Sociedades que encorajam o empreendedorismo por meio do livre mercado econômico tendem a ter um desenvolvimento mais rápido do que as demais.

Empreendedorismo livre abre oportunidade para mais empreendedorismo, é um processo contínuo.

Portanto, empreendedores desempenham papel crucial na criação de valor. Eles criam valor para si ao criar valor para outros. Empreendedorismo é a fundação essencial do crescimento econômico. O objetivo do empreendedor é criar produtos e processos novos e melhores. Uma sociedade que abraça o empreendedorismo gera mais empregos, produz mais riquezas, e permite que indivíduos apliquem seus talentos. Se considerarmos o empreendedorismo uma coisa boa, devemos encorajá-lo, celebrando os empreendedores e em conjunto encorajando a liberdade econômica.

Bom trabalho e grande abraço.

Autor: Adm. Rafael José Pôncio
Publicado em: 03 de setembro de 2017
Especial: artigos no portal Administradores.com
Link fonte: https://administradores.com.br/artigos/a-arte-de-empreender-com-liberdade


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

domingo, 7 de janeiro de 2018

A liberdade em lugares menos prováveis



Por "liberdade" quero dizer a capacidade de viver uma vida plena. Viver uma vida plena depende de circunstâncias externas, bem como de capacidades internas, ou de recursos psico-espirituais.

Muitos caminhos espirituais afirmam que tudo o que precisamos para a liberdade não deve ser perturbado pelos altos e baixos da vida, para permanecer na imutabilidade da consciência, para estar na paz eterna. Embora eu encontre o valor neste estado de espírito, também nega muitas outras liberdades, é impraticável e irreal, e está longe de tudo o que precisamos. Eu acho que essa é uma disposição desenfreada, especialmente porque nega nossa humanidade, vivendo no mundo, sendo em relacionamento dinâmico, apreciando a arte e criando justiça para todos.

Alguns pensam no outro extremo: essa liberdade é simplesmente uma experiência externa, para fazer o que se escolhe. Isso parece igualmente, senão mais, problemático e leva ao excessivo egoísmo, ao consumismo e à falta de compaixão pela biosfera que todos compartilhamos. De fato, um meio-termo entre o desapego interno e o apego externo nos permitiria liberdade interna e externa, em circunstâncias fáceis e difíceis.

Este ensaio discutirá o aspecto crucial das qualidades internas necessárias para a liberdade, para a "totalidade" ou a capacidade de viver uma vida plena, tanto interna como externamente. E esteja preparado, porque a liberdade se esconde no mínimo provável dos lugares nem imaginados.

Vamos começar com um choque de reflexões:

Quais as qualidades internas essenciais para a sua totalidade - sua alegria, seu eu próspero, sua paixão, sua diversão e serviço à vida - você jogou fora, negou, fugiu? 

Você sente falta de motivação, coragem, risco, fronteiras, fala sua verdade, habilidade, humildade, privacidade, exposição, compaixão, dedicação ou compromisso? 

Antes de ler mais, considere agarrando uma caneta e papel e escrevendo suas respostas para essas questões. Então, para cada um, escreva um pouco sobre por que você acha que não tem essas qualidades. Em seguida, considere o resto do que segue, ou você pode optar por continuar lendo e retornar mais tarde para este breve exercício.
Liberdade emocional
De fato, uma maneira de ver a liberdade é a capacidade de sentir tudo, refletir sobre esses sentimentos, curar o que nos feriu e nos fechar e, assim, recuperar os recursos internos vitais da nossa dor necessária para viver a vida mais completa. Esta é a liberdade emocional - um caminho para a liberdade interior que tem efeitos imediatos no mundo material e em nossos relacionamentos.

Quando somos feridos por certas experiências, muitas e muitas vezes, negamos (negamos, evitamos ou negamos) esses aspectos de nós mesmos, a menos que nós nos curemos. Parte dessa cura é reivindicar a essência e a vitalidade dessa qualidade e empregá-la para o bem em nossas vidas. Infelizmente, nossa psique geralmente não separa automaticamente os aspectos úteis de emoções difíceis que negamos. Temos que conscientemente fazer isso. Quando não trabalhamos conscientemente com nossas emoções, nós, portanto, tendemos a lançar o bebê de vitalidade com a água do banho da dor. Quando eu nego a tristeza, por exemplo, meu inconsciente tende a reprimir minha capacidade de autoreflexão, relaxamento, pausa, cuidado, amor e empatia. Desaparece com essas qualidades e experiências cruciais. Vejamos outros exemplos.

Se eu crescesse com um pai bravo, eu poderia espremer minha raiva mais tarde na vida, proclamando secretamente ou abertamente para não ficar com raiva. No entanto, quando eu negar minha raiva, eu também nego uma parte da minha paixão, vitalidade, limites, assertividade, controle apropriado, falando para mim e para os outros e paixão por afetar a mudança. Eu até mesmo reprimo minha criatividade, pois a criatividade está intimamente ligada ao enérgico da raiva.

O enérgico da ira é exagerado e contundente. Ganhar a vida, a comunicação, o trabalho, fazer coisas, assertividade, estabelecer fronteiras e exercer controle também (em graus variados) exigem um esforço externo. Expressar alegria também exige um esforço extrovertido, por mais leve que seja. Um desinteresse generalizado da raiva, portanto, também pode levar à depressão, porque estamos reprimindo a energia categórica da raiva, toda a gama de nossa expressão "externa e vigorosa". Se eu trabalhar com a dor da dor de raiva, no entanto, eu posso abraçar minha própria raiva e liberar muito do seu espaço que ocupa neste tempo. Uma vez que encarnar minha raiva, eu a possuí, juntamente com seus aspectos positivos. Posso assim usar esses aspectos positivos para o bem, incluindo a expressão apropriada de raiva.

Considere outro exemplo: se eu estivesse excessivamente controlado como uma criança, eu poderia rejeitar limites e assertividade na minha vida adulta, o que pode me deixar menos preenchido, menos apropriadamente protegido, menos produtivo e poderoso. Eu também posso deixar de fornecer limites adequados e controlar meus filhos. Ou considere o sigilo. Se não me disseram a verdade quando era importante para mim no passado, eu poderia adotar uma política de "sem segredos" mais tarde na vida. Posso pensar que todos devemos ser honestos e divulgar tudo. No entanto, isso não consegue manter por tanto tempo e retenção adequada de informações em momentos apropriados em que nosso negócio não é de outra pessoa e sim dentro de nossa zona de segredos.

Em outras palavras, tais abordagens unilaterais, em preto e branco, geralmente resultam de feridas não tratadas. Quando agimos de forma oposta ao que nos machucou, é provável que também criemos feridas e problemas do extremo oposto. Ironicamente, criamos violações em dose igual ao que prometemos não ser, ou para expressar. E o horror de reconhecer isso é muitas vezes mantido à distância por nossa negação e falsas crenças sobre nossas ações e nossa vida. A saída é abraçar e trabalhar através da ferida original, não ignorá-la ou fazer o extremo oposto de agir de forma oposta ao que não gostamos há uma vez.

Se eu sentir que me recusaram atenção e admiração como criança e, ao mesmo tempo, vi meus pais mais preocupados com a riqueza material, eu poderia desenvolver a história de que o dinheiro e o materialismo não equivalem a carinho e atenção. Posso, portanto, evitar o poder e os benefícios necessários, mesmo sustentáveis, de ganhar dinheiro, perspicácia empresarial, competição e desenvolver uma carreira. Eu também posso faltar de assertividade quando o foco, o acompanhamento e a orientação da meta são necessários - a ausência de que também pode me deixar menos satisfeito, saudável e o dever cumprido.

Outro exemplo: se eu recebesse menos nutrição emocional do que eu precisava e percebi meus pais e outras influências primárias como intelectuais ou "em sua cabeça" demais, posso concluir (com precisão ou não) que o pensamento e o intelectualismo necessariamente se correlacionam com menos capacidade de amar. Isso não é verdade, e na verdade pode ser descaradamente falso. Como resultado, posso rejeitar as buscas intelectuais, a lógica, o planejamento, a racionalidade e o pensamento crítico no favor unilateral da intuição, dos sentimentos, do fluxo e dos sentimentos de amor para serem mais importantes do que os atos amorosos. Na realidade, todas as últimas, femininas, qualidades emotivas Yin estão intimamente interligadas com o Yang aspectos da mente, lógica e razão. Os aspectos de Yin e Yang de nós se aprimoram, e um sem o outro é menos robusto e sustentável.

Então, se meus pais fossem excessivamente protetores e controladores, eu poderia crescer para evitar controle e proteção, o que leva a uma série de outros problemas. Se, por outro lado, meus pais não fossem suficientemente protetores e me deram muita liberdade externa, o que me assustou ou me fez sentir inseguro, eu poderia crescer para evitar a liberdade em favor de um controle excessivo. Ou o extremo tem o lado escuro. No entanto, o que pensamos é escuro e apenas doloroso tem presentes ocultos, conforme descrito em todos os exemplos acima. Quando abraçamos o escuro sob a forma de nossa própria dor, podemos integrar o escuro na luz e recuperar uma paleta completa de qualidades psico-espirituais que tornam a vida melhor, mais integrativa e mais divertida e gratificante.

Reivindicando a nossa liberdade

Por que nos ferimos, geralmente negamos em nós mesmos e nos outros, até que nós o curemos. Esta cura envolve sentir a perda e quaisquer outras emoções associadas à nossa perda de amor. Mais, quando liberamos uma quantidade significativa de carga e "rancor" (ressentimento) de ser prejudicado por essa qualidade, reclamamos o enérgico do que negamos e podemos aproveitar sua energia como parte vital da nossa totalidade e prosperidade.

Se eu tenho problemas de raiva, curar meu passado ao processá-lo me permite abraçar a energia e as qualidades de raiva associadas que inconscientemente evitei porque ainda estava com ferida da raiva. Em breve, o processamento significa aceitar, sentir, expressar adequadamente, afligir o que não recebemos e o que precisa ser deixado ir. Se eu perceber que fiquei com ferida pela riqueza material, depois de trabalhar e sofrer minhas vagas emocionais, e descobrindo, afinal, não é uma riqueza material que realmente me machuca, talvez eu possa adotar mais sucesso financeiro ou material no mundo e melhor prover a mim mesmo e a família. Do outro exemplo, quando eu curar minhas feridas de serem sobre ou sub-protegidas, posso abraçar os benefícios da proteção e criar uma segurança mais apropriada para mim e para os entes queridos, e tudo o que eu quero proteger.

Nossa falta de liberdade surge quando negamos o sofrimento em reação às nossas feridas.

Muitas vezes, nós controlamos unilateralmente a liberdade em termos de poder fazer e ter coisas: muito dinheiro, poder viajar ou ser capazes de agir como quisermos. Estas são externas, boas liberdades. Mas com que frequência medimos nossa liberdade pela liberdade interior que conseguimos experimentar, impondo certas limitações externas e fazendo sacrifícios? - como ser capaz de se comprometer com um projeto, dedicar-se a uma causa, construir um negócio com propósito, criar uma família, sentir sentimentos difíceis e passar por tempos difíceis nos relacionamentos, ser capaz de dizer "sim" quando uma situação não é perfeita? Tudo isso é liberdade e quando encontramos liberdade para experimentar o que é difícil ou doloroso, nossas boas liberdades são mais profundas e mais freqüentes. Isto é especialmente verdadeiro quando achamos que o que pensamos ser negativo se transforma em algo bonito, o que é certamente o caso com a cura emocional levada ao seu fim.

A marca de nossa integração saudável de qualidades psico-espirituais principais, como a assertividade, o controle, os limites, a autoestima, a liberdade, a privacidade, o pensamento crítico e a atenção, por exemplo, é quando podemos facilmente expressá-los para atender às nossas características físicas e emocionais, e necessidades espirituais, portanto, experimentam mais satisfação, amor, compaixão, propósito, significado e serviço à vida.

Então, meu convite é esse:
-Quais emoções você se afasta unilateralmente dos outros (e, portanto, provavelmente você mesmo)? 
-Você consegue ouvir a expressão apropriada de raiva de outro? 
-Quando um amigo está sofrendo, você pode estar com eles e aceitar sua tristeza sem precisar mudá-la? 
-Quando você lê sobre o medo das pessoas, digamos pelo não verbal ou os efeitos das mudanças climáticas, você pode apreciar esse medo, especialmente quando se baseia em evidências?
-Você pode se sentir genuinamente participando das experiências alegres dos outros? 

Todas essas perguntas nos ajudam a identificar quais emoções negamos, fora de nossa possibilidade e, portanto, nossa liberdade.

Quando não podemos refletir essas emoções, isso geralmente indica que estamos negando essas experiências vitais para nós mesmos. Podemos usar essa incapacidade como uma pista, um mensageiro, para examinar nossas próprias vidas e fazer mudanças para recuperar o que negamos. Isso exige alguma humildade, honestidade e coragem. Desta forma, não só conseguimos olhar e recuperar o aspecto positivo das emoções vitais, mas também no processo cultivamos humildade, honestidade e coragem - uma vitória para todos! De fato, a autoconsciência e o trabalho interno, são uma vitória para todos e tudo, mesmo que possam ser desafiadores. Temos a liberdade de aceitar o desafio de ganhar mais liberdade?

A liberdade de abraçar desafio oferece liberdade inesperada, em espadas. Infelizmente, a verdadeira liberdade é paradoxal. Pois, quando somos verdadeiramente livres, nos dedicamos ao mundo que amamos, porque encontramos um amor e uma compaixão genuínos que precisam ser alcançados.

Bom trabalho e grande abraço.

Adm. Rafael José Pôncio


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.